Simão Rouxinol: "O meu pai apoiou-me desde o início mas acho que ele não estava nada à espera"

NATURALES
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Precisamente de hoje a um mês, Luís Rouxinol terá outro filho a estrear-se nas arenas e a Tauromaquia Portuguesa ganha mais uma aposta no futuro. Falamos do Simão Vicente 'Rouxinol', que à semelhança do irmão, decidiu envergar pela carreira de cavaleiro tauromáquico tal como o pai, e fará o seu debute público num cartel de responsabilidade na arena da Praça de Toiros em Reguengos de Monsaraz.


Luís Rouxinol e o filho Simão num momento de ternura em praça. Fotografia: Pedro Batalha

Simão Rouxinol: "O meu pai e o meu irmão meteram o nome Rouxinol no topo e se calhar vou ter mais dificuldades do que portas abertas"




NATURALES: Falta precisamente um mês para a sua estreia em público, a acontecer no dia 13 de Junho na Praça de Toiros “José Mestre Batista” em Reguengos. Como está esse coração?

Simão Rouxinol: Sim, só já falta um mês... (risos). Estou muito ansioso e com vontade de finalmente poder tourear em público. Vamos ver...


N:  Mas apesar do toureio fazer parte da sua vida desde que nasceu devido à profissão do seu pai, o Simão, tal como o seu irmão, não quis ser logo toureiro. Primeiro veio o interesse pelo futebol e só mais tarde, já jovens, o despertar pelo toureio. Que clique foi esse que se deu para o Simão ter perdido o gosto no futebol e decidir que queria seguir as pisadas do pai e do irmão?

SR: Eu sempre gostei dos toiros e dos cavalos obviamente, mas só há cerca de dois anos mais ou menos, comecei a montar com mais frequência no dia-a-dia. Depois experimentei um treino com uma bezerra e foi aí que percebi que queria mesmo fazer isto, tourear, e como o tempo não dá para tudo, decidi deixar o futebol.


N: E o que disseram os seus pais quando lhes contou que pretendia seguir as pisadas do pai e do irmão?

SR: O meu pai apoiou-me logo desde o início, apesar de eu achar que ele não estava nada à espera. E da mesma forma que permitiu ao meu irmão poder seguir o toureio, também não recusou que eu experimentasse. Mas nunca influenciou em nada esta decisão. A minha mãe respeitou a decisão e será certamente mais difícil para ela, pois agora em vez de ter um filho na arena passa a ter dois…mas entendeu!


N:  E será uma carreira para ter continuidade ou vai só experimentar?

SR: Eu pretendo dar continuidade mas vamos ver. Um compromisso de cada vez e vamos vendo como corre.

Simão Vicente com o pai, o irmão Rouxinol Jr e a cavaleira Ana Batista. Fotografia: Pedro Batalha

N: E o Mestre Rouxinol é um professor exigente?

SR: (risos) Sim, muito! Mas é normal. Ele é das pessoas mais exigentes com ele próprio, que não gosta de perder nem a feijões, imagine com os filhos a quem ele só quer o melhor. Mas essa exigência dele também nos faz querer sempre melhorar e não nos contentarmos em dar pouco em praça.


N: Ainda que não haja grandes diferenças entre ambos mas com qual dos dois se identifica mais como toureiro? Com o pai ou o seu irmão?

SR: Com os dois! Para mim um é o meu número 1 e o outro o número 2. Ambos são as minhas referências e portanto tento retirar um bocadinho de cada um para interpretar o meu toureio.


N: E que conselhos lhe tem dado o seu pai?

SR: O meu pai tem dado vários conselhos mas principalmente para respeitar sempre o público, andar com calma dentro de praça para que as coisas me saiam bem. Espero cumprir com isso!


N: E o seu irmão?

SR: O meu irmão acaba por ser também muito exigente comigo, às vezes parece o meu pai (risos) mas passou por este caminho tal como eu e acaba por me ajudar muito com conselhos, tem sido sem dúvida muito importante a sua ajuda.


Simão a acompanahar o irmão Rouxinol Jr antes deste entrar em praça. Fotografia: Pedro Batalha


N:  O cartel no qual vai fazer a sua apresentação é de luxo, com os Telles (pai e filho) e os Rouxinóis (pai e filhos). O que significa para si apresentar-se numa corrida com dois dos grandes mestres do toureio em Portugal, António Telles e Luís Rouxinol? 

SR: É sem dúvida um orgulho enorme e estou muito feliz por isso. O meu pai é, como já disse, o meu número 1, o meu ídolo, e juntamente com ele ter o mestre António, que é dos toureiros que mais gosto de ver… É uma honra poder apresentar-me num cartel deste nível. 


N:  O Simão, sendo filho e irmão de cavaleiros, terá noção certamente das dificuldades que existem na profissão, lutar por um lugar de figura…e todos os obstáculos inerentes à carreira. Isso não o assusta?

SR: Sim, sei bem o que isso é pois vejo o exemplo em casa do que o meu pai passou para chegar onde chegou, e do meu irmão que todos os dias dá o seu melhor em praça para alcançar o máximo! Acredito que possa ser duro e às vezes não é justo, mas é o que é, e cá estarei para também ter a minha oportunidade.


N: E acha que é um privilegiado pelo facto do seu pai e irmão já terem trilhado este caminho para si com o nome “Rouxinol” ou pelo contrário isso pode acarretar mais esforço da sua parte e mais dificuldades em abrir portas? 

SR: Acho que o meu pai e o meu irmão meteram o nome Rouxinol no topo e se calhar vou ter mais dificuldades do que portas abertas, pois vou precisar esforçar-me a dobrar para corresponder e continuar a respeitar o nosso nome dentro de praça.


O mais jovem Rouxinol durante um treino em Pegões. Fotografia: DR


N:  Além do 13 de Junho em Reguengos tem previsto actuar noutras praças este ano?

SR: Sim, em princípio vou ter mais um ou outro compromisso mas para já, não vão ser muitos. 


N: E com que tipo de toureio se identifica mais? 

SR: Com um toureio de verdade, o toureio cá de casa, o perceber que cada toiro tem a sua lide. Estou a começar e vou procurar o meu estilo mas quero dar continuidade ao exemplo do meu pai.


N: Tem montado cavalos do seu pai e do seu irmão ou já começou a ter a sua própria quadra?

SR: Para já monto os cavalos todos, uns mais que outros mas ainda são os deles. Ainda não tenho quadra própria.


N: Um dos grandes percursores da dinastia Rouxinol foi o seu avô Alfredo, que muitos sacrifícios fez para levar a carreira do seu pai a bom porto. Que acha que ele sentiria se soubesse que o Simão iria também debutar nas arenas?

SR: Sim, o meu avô Alfredo foi a pessoa mais importante na carreira do meu pai e sem ele nada disto seria possível. O que eu mais queria era que ele estivesse presente neste dia tão especial em Reguengos, com o filho e os dois netos em praça… E não tenho dúvidas que estará orgulhoso.


Simão e o seu avô, o saudoso Sr. Alfredo. Fotografia: Fernando José/DR



O cartaz da corrida que anuncia a apresentação de Simão Rouxinol em público.



Patrícia Sardinha

13/05/2026



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