João Gil justifica comentário "Nunca apreciei a parte do toureio a cavalo e em muitos casos encontrei mais "circo" do que coragem"


O músico João Gil, colocou no passado fim-de-semana uma frase na rede social Twitter onde se manifestava "contra" os cavaleiros tauromáquicos, pedindo que estes se dedicassem à dressage, que ele considera pura arte (portanto o toureio, não o é?!), e deixassem "a tourada em paz". 

Uma frase que aqui criticámos, relembrando uma participação do músico enquanto aficionado, no Fórum Nacional da Cultura Taurina realizado em 2016 no Campo Pequeno (imagem acima).

Face às criticas que correram as redes sociais perante o comentário de João Gil, este veio agora esclarecer no seu Facebook, a polémica frase com a mensagem que abaixo transcrevemos na íntegra. Uma opinião que, não obstante ele subentender que é aficionado, não deixa de "satisfazer" os anti-taurinos ao considerar que o ideal seria o velcro (a sugestão mais anti-taurina que a Festa poderia viver). Mas como o próprio referiu num comentário do Facebook do Naturales: "Ainda sou (aficionado) mas tenho ideias acerca do assunto.".

JOÃO GIL:

"Boa Tarde a todos,

Ontem, tuitei que os cavaleiros da tauromaquia se deviam dedicar à disciplina de Dressage … e pronto, já se sabe. Acho que fui um pouco provocador , reconheço.

Participei há uns tempos num encontro no Campo Pequeno e voltaria a aceitar o convite com muito gosto.

Convém então deixar claro a minha opinião acerca da Tourada e seja o que Deus quiser.

Venho da Covilhã como é por muitos sabido e ao longo dos anos fui construindo uma opinião acerca da Tourada, opinião essa que evoluiu nalguns aspectos.

Assisti a muitas touradas tanto em Portugal como em Espanha e por muitas vezes fiquei galvanizado pela arte de tourear a pé e pela coragem de pegar um touro bravo.

Não é preciso recorrer à Literatura, Pintura ou Música para compreender ou defender o ritual .

Nunca apreciei a parte do toureio a cavalo e em muitos casos encontrei mais "circo" do que coragem apesar de reconhecer o mérito de lidar a cavalo.

Compreendo os argumentos dos defensores dos animais, e dos que condenam o espectáculo que envolve animais e acima de tudo compreendo a evolução da sociedade em todos os seus aspectos.

Como se pode ver, estou dividido num aparente turbilhão contraditório e é nesta confusão de estado de espírito que defendo a continuação da Tourada em moldes diferentes:

Eliminar o sangue da Praça através dos velcros no animal e na ponta dos ferros.

Assim, salvamos a Festa e toda a indústria que existe à sua volta.

Sei que tudo isto é polémico e para muitos absurdo mas é no debate que se pode encontrar a Luz. É no entanto inaceitável a intimidação dos que apenas vêem uma cor e recorrem ao insulto como prática comum.”




Fotografia: Frederico Henriques/GTSector1