Crónica: "Emotivo, molhado e curto o Festival Taurino em Vila Franca"

NATURALES
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Depois de nos últimos meses praticamente não ter chovido, com os campos a fazerem quase lembrar os meses de Verão, chegou-se ao último dia de Março e eis que chove quando menos devia, em pleno Festival Taurino de Vila Franca de Xira.

O que parecia uma bonita tarde primaveril, com casa cheia, surpreendeu a meio do festejo com uma trovoada monumental. Encheram-se as galerias de gente à procura do abrigo e após uma espera de 15 a 20 minutos, houve a decisão, e bem, de se suspender o Festival já que as condições para se continuar o mesmo eram nulas.

Antes disso, houve tempo para um espectáculo carregado de emoção...

O mesmo anunciava-se como a despedida das arenas do peão-de-brega David Antunes, pelo que nas cortesias teve duas presenças especiais: a de seu tio Dário Venâncio, e a de seu filho Tomás. E face ao motivo da despedida, foi prestada a David Antunes uma singela homenagem por parte da organização, bem como uma sucessiva "chuva" de brindes. Tocante o lhe dedicou Luís Rouxinol, com quem David saiu durante 13 anos na sua quadrilha, que foi partilhado com Marcos Tenório "Bastinhas", e que deixou o veterano cavaleiro de Pegões em lágrimas.

Também as lágrimas foram uma constante no rosto de Marcos Tenório "Bastinhas", ainda muito sensibilizado pelo falecimento do pai, que se emocionou por várias vezes, tendo o público sempre rompido em palmas de apoio.

De artístico desta tarde... ficou a solvência e experiência de Luís Rouxinol frente a um novilho do Eng. Luís Rocha; a efusividade e a determinação de Marcos Bastinhas perante um voluntarioso novilho de Prudêncio; um bom comprido em sorte gaiola de Luís Rouxinol Jr., que após esse ferro viu o novilho de Canas Vigouroux (o até então mais composto da tarde) ser devolvido por não estar em condições de lide, sendo-lhe concedido o sobrero, o que depois não se veio a verificar com a suspensão do festejo. A pé, e já sob a chuva, o maestro Vítor Mendes deixou no ar o que poderia ter sido uma faena de mais mérito por parte das bancadas, não fosse a desatenção com a chuva. Habilidoso, variado e artista, tanto no capote como na muleta, assim andou o maestro Mendes frente a um novilho de Falé Filipe.  

Nas pegas, os Amadores de Vila Franca puseram em trabalho os mais novos. Diogo Conde cumpriu bem e sem problemas à primeira; enquanto que Guilherme Dotti só a terceira consumou. 

Mais? Não houve... Uma pena. Faltou ver Manuel Escribano, Manuel Dias Gomes e o sobrero para Rouxinol Jr..

Mas foi assim: emotivo, molhado e curto!!