Temporada : Transmontanos rendidos á Festa Brava

NATURALES
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IZEDA / BRAGANÇA ( CRÓNICA e FOTOS de Vítor BESUGO, enviado especial de NATURALES, CORREIO DA TAUROMAQUIA IBERICA )
Paulo Pessoa de Carvalho e a empresa Toiros e Cultura estão de parabéns. Numa altura em que a crise assola os portugueses, e em que a tauromaquia sofre vários ataques anti-taurinos, com municípios que recebiam todos os anos corridas de toiros, agora a proibirem as mesmas, é necessário ter coragem empresarial para vir apostar em terras tão distantes, como acontece por terras de Trás-os-Montes. Mas, como nos disse Paulo Pessoa de Carvalho, era necessário lançar uma semente para conquistar novos aficionados e mais tarde vir a colher frutos. Na nossa opinião essa semente está lançada e a maneira como este público transmontano acarinha todos os toureiros e forcados, tratando-os a todos como verdadeiros artistas, demonstram que nutrem uma admiração pela Festa Brava.
Estas palavras ficam comprovadas com o que assistimos este domingo, dia 16, em Izeda (Bragança), onde a comissão de festas de Nossa Senhora da Assunção de Izeda, em conjunto com a empresa Toiros e Cultura incluiu pela primeira vez uma corrida de toiros aos seus festejos.
O público que preencheu cerca de ¾ da praça, mostrou-se bastante caloroso e entusiasta, apesar de na sua maioria, estarem pela primeira vez a que assistiam a uma corrida.
A banda de música, foi substituída por um conjunto de bombos e gaitas de foles, instrumentos tradicionais transmontanos, o que também foi curioso assistir.
Os novilhos-toiros da Herdade do Balancho, tinham 3 anos e pesavam cerca de 400 kg, demonstraram bravura e nobreza, e os toureiros souberam aproveitar as suas características.
Sónia Matias realizou duas lides a gosto, a desenhar bem as sortes frontais e a deixar a ferragem bem colocada.
Filipe Gonçalves esteve alegre e comunicativo com o público, como é seu timbre, e realizou duas lides variadas, com ferros para todos os gostos, desde sortes frontais, cambiadas, violinos e palmitos, recriando-se depois nos adornos, conquistando assim as bancadas.
Gonçalo Fernandes, um jovem cavaleiro de Seia, procura conquistar um lugar na arte marialva portuguesa, mostrou desembaraço, andou sempre de frente para os toiros, apesar da colocação dos ferros por vezes não ser a mais acertada, mas mostrou que merece outras oportunidades.
Nas pegas actuaram dois grupos de forcados radicados no Alentejo, os Amadores de Moura e Amadores de Cascais, que percorreram cerca de 1500 km, durante o fim-de-semana, pois haviam iniciado esta campanha em Castro Marim no Algarve na sexta-feira.
Ambos os grupos demonstraram que vinham a Trás-os-Montes, para dignificarem a jaqueta das ramagens e demonstrar como se pegam toiros.
Todas as pegas desta tarde foram consumadas à primeira tentativa, onde os cabos aproveitaram para confiar forcados e deram todas as vantagens aos novilhos.
Pelo Real Grupo de Moura foram solistas os forcados João Cabeças, Carlos Sota e Xavier Cortegano. Pelos Amadores de Cascais pegaram Hugo Bilro, Paulo Loução e Ventura Doroteia.
No final foram entregues os prémios para a melhor lide a cavalo a Filipe Gonçalves e melhor pega a Xavier Cortegano do Real Grupo de Moura.
Dirigiu a corrida com acerto o Sr. Nuno Nery, assessorado pelo médico veterinário Dr. Jorge Moreira