SANTAREM (O MIRANTE).-Presidente da Câmara de Santarém defende projecto para o antigo campo da feira que permita transformar alamedas e avenidas em mangas e proporcione o regresso à cidade de um dos seus ícones.
Os organizadores da Feira do Ribatejo cometeram “um erro assassino” ao deslocalizarem o evento do Campo Infante da Câmara, no centro da cidade, para a Quinta das Cegonhas, situada na periferia de Santarém. Um erro que o presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), quer ajudar a reparar promovendo condições para o regresso da feira ao local onde nasceu.
A opinião de Francisco Moita Flores está reproduzida no prefácio que escreveu para o livro “A Feira a Preto e Branco”, da autoria de Diniz Ferreira e José Niza. No texto, que o autarca considerou uma reflexão sobre um dos ícones de Santarém, refere-se que quando é inaugurado o Centro Nacional de Exposições a organização “assume a exposição, a tecnologia, a inovação, o conhecimento de vanguarda como o leitmotiv da Feira Nacional de Agricultura. A Feira que se propõe já não é nem pode ser a Feira do Ribatejo”.
Até porque, defende Moita Flores, “Não existe, nunca existiu um apelo afectivo forte (nem razão havia!) da população em relação à Quinta das Cegonhas, não existia memória, não existiam condições subjectivas nem objectivas para a territorialização daquele espaço”. A transferência “matou a Feira do Ribatejo e impôs um garrote ao desenvolvimento natural e próspero do CNEMA”.
O autarca imputa responsabilidades “à falta de lucidez política”. E considera que “agravou o divórcio o facto do CNEMA ter recebido o certame e, como não podia deixar de ser, recebeu-a como parceira menor dentro da estratégia que já apontava para outros objectivos diferentes”. Durante anos, escreve, funcionou uma razão astuciosa: “A autarquia fazia de conta que não lhe calhavam responsabilidades na organização da Feira do Ribatejo, descansando a consciência de dedo esticado para o CNEMA, e este, por sua vez, sendo complacente com a autarquia, e com a feira municipal, desde que as compensações financeiras suportassem o compromisso”.
Foi para proporcionar aos escalabitanos que se manifestassem em relação ao território onde durante décadas funcionou a Feira do Ribatejo que o executivo de Moita Flores organizou as Festas de São José, em Março, e o arraial e corridas de toiros, em Junho, no Campo Infante da Câmara. “De repente, como se tivesse rebentado um dique, multidões de escalabitanos e de visitantes ocuparam o seu território recuperando e vivendo o grande psicodrama do passado. Não organizáramos uma feira. Apenas criáramos condições para que a população se manifestassem em relação ao território. E Foi o que se viu”.
O futuro do antigo Campo da Feira
Essas experiências reforçaram a reflexão sobre o antigo campo da feira, hoje um espaço decadente e abandonado. “Reconheço que não tive coragem para mexer materialmente no Campo Infante da Câmara depois das experiências. Qualquer das propostas em que a autarquia se empenhou ao longo destes últimos vinte anos atraiçoam, e renegam, o encontro mais rico e apaixonado da comunidade escalabitana com a sua identidade (…). E Santarém, na actual situação política e histórica, vive um momento decisivo de afirmação. Precisa de todas as energias. Não pode deixar que morra mais nenhum bocado da sua força identitária”.
Para Moita Flores, “ainda não apareceu o arquitecto com o talento e, sobretudo, a sensibilidade para converter aquele espaço, requalificando-o, mas sem lhe atraiçoar a sua memória fundadora”. O autarca considera “completamente insensatas” algumas hipóteses aventadas que defendiam a urbanização daquele espaço com edifícios iminentemente públicos. “Os edifícios públicos carregam noites desertas, socialmente mortas”, considera.
Mas também critica os que viram ali um espaço de fortuna, “o lucro fácil, o investimento garantido, qual réplica do bairro vizinho do Sacapeito”. E admite que a praça de toiros Celestino Graça “tem sido objecto de várias voracidades e tentativas de destruição e, quase sempre, pelas piores razões”.
Perante todos esses cenários, Moita Flores avança com uma convicção: fazer renascer a Feira do Ribatejo é o único caminho que permite devolver a dignidade perdida e reparar a amputação sofrida por aquele espaço central da cidade. Só falta aparecer o arquitecto capaz de “desenhar o espaço público e privado que suporte uma nova Celestino Graça moderna, multiusos, desembaraçando a Santa Casa da Misericórdia do peso que hoje carrega”. Mas também “que desenhe alamedas a avenidas que rapidamente se convertam em mangas, que desenhe ruas e praças pensando nas largadas de touros e que também acolha cavalos e cavaleiros e campinos”
Os organizadores da Feira do Ribatejo cometeram “um erro assassino” ao deslocalizarem o evento do Campo Infante da Câmara, no centro da cidade, para a Quinta das Cegonhas, situada na periferia de Santarém. Um erro que o presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), quer ajudar a reparar promovendo condições para o regresso da feira ao local onde nasceu.
A opinião de Francisco Moita Flores está reproduzida no prefácio que escreveu para o livro “A Feira a Preto e Branco”, da autoria de Diniz Ferreira e José Niza. No texto, que o autarca considerou uma reflexão sobre um dos ícones de Santarém, refere-se que quando é inaugurado o Centro Nacional de Exposições a organização “assume a exposição, a tecnologia, a inovação, o conhecimento de vanguarda como o leitmotiv da Feira Nacional de Agricultura. A Feira que se propõe já não é nem pode ser a Feira do Ribatejo”.
Até porque, defende Moita Flores, “Não existe, nunca existiu um apelo afectivo forte (nem razão havia!) da população em relação à Quinta das Cegonhas, não existia memória, não existiam condições subjectivas nem objectivas para a territorialização daquele espaço”. A transferência “matou a Feira do Ribatejo e impôs um garrote ao desenvolvimento natural e próspero do CNEMA”.
O autarca imputa responsabilidades “à falta de lucidez política”. E considera que “agravou o divórcio o facto do CNEMA ter recebido o certame e, como não podia deixar de ser, recebeu-a como parceira menor dentro da estratégia que já apontava para outros objectivos diferentes”. Durante anos, escreve, funcionou uma razão astuciosa: “A autarquia fazia de conta que não lhe calhavam responsabilidades na organização da Feira do Ribatejo, descansando a consciência de dedo esticado para o CNEMA, e este, por sua vez, sendo complacente com a autarquia, e com a feira municipal, desde que as compensações financeiras suportassem o compromisso”.
Foi para proporcionar aos escalabitanos que se manifestassem em relação ao território onde durante décadas funcionou a Feira do Ribatejo que o executivo de Moita Flores organizou as Festas de São José, em Março, e o arraial e corridas de toiros, em Junho, no Campo Infante da Câmara. “De repente, como se tivesse rebentado um dique, multidões de escalabitanos e de visitantes ocuparam o seu território recuperando e vivendo o grande psicodrama do passado. Não organizáramos uma feira. Apenas criáramos condições para que a população se manifestassem em relação ao território. E Foi o que se viu”.
O futuro do antigo Campo da Feira
Essas experiências reforçaram a reflexão sobre o antigo campo da feira, hoje um espaço decadente e abandonado. “Reconheço que não tive coragem para mexer materialmente no Campo Infante da Câmara depois das experiências. Qualquer das propostas em que a autarquia se empenhou ao longo destes últimos vinte anos atraiçoam, e renegam, o encontro mais rico e apaixonado da comunidade escalabitana com a sua identidade (…). E Santarém, na actual situação política e histórica, vive um momento decisivo de afirmação. Precisa de todas as energias. Não pode deixar que morra mais nenhum bocado da sua força identitária”.
Para Moita Flores, “ainda não apareceu o arquitecto com o talento e, sobretudo, a sensibilidade para converter aquele espaço, requalificando-o, mas sem lhe atraiçoar a sua memória fundadora”. O autarca considera “completamente insensatas” algumas hipóteses aventadas que defendiam a urbanização daquele espaço com edifícios iminentemente públicos. “Os edifícios públicos carregam noites desertas, socialmente mortas”, considera.
Mas também critica os que viram ali um espaço de fortuna, “o lucro fácil, o investimento garantido, qual réplica do bairro vizinho do Sacapeito”. E admite que a praça de toiros Celestino Graça “tem sido objecto de várias voracidades e tentativas de destruição e, quase sempre, pelas piores razões”.
Perante todos esses cenários, Moita Flores avança com uma convicção: fazer renascer a Feira do Ribatejo é o único caminho que permite devolver a dignidade perdida e reparar a amputação sofrida por aquele espaço central da cidade. Só falta aparecer o arquitecto capaz de “desenhar o espaço público e privado que suporte uma nova Celestino Graça moderna, multiusos, desembaraçando a Santa Casa da Misericórdia do peso que hoje carrega”. Mas também “que desenhe alamedas a avenidas que rapidamente se convertam em mangas, que desenhe ruas e praças pensando nas largadas de touros e que também acolha cavalos e cavaleiros e campinos”