Vila Franca: "A seriedade do toiro-toiro num cartel de competição"

NATURALES
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A “Palha Blanco” celebra 125 anos de existência e a empresa em boa hora montou este cartel, com diversidade e muito interesse e nem a ameaça de mau tempo afastou o público das bem preenchidas bancadas da vetusta praça de toiros. Um cartel de competição e com toiros sérios que vieram a conferir maior importância ao que se passou na arena.

O toiro é elemento essencial para o bom decurso do espectáculo e das suas qualidades podem advir os triunfos ou fracassos. De Murteira Grave foram lidados 3 toiros, um deles o sobrero que substituiu o devolvido de Sommer saído emº lugar. O que abriu praça, sério, bem posto de cara e que teve um comportamento muito interessante e a crescer ao castigo; o que saiu em 5º lugar, um imponente castanho foi bravo, arrancando de largo para o cavalo e com a filha do ganadeiro, Joana Grave, a dar volta à arena e o que foi sobrero teve também as suas virtudes. O único Sommer d’Andrade lidado saiu em 2º lugar, com 720 kg anunciados, e serviu sem deslumbrar. Apesar do peso teve mobilidade. Quanto aos de Falé Filipe, para o toureio a pé, foi nobre o terceiro da tarde mas sem transmitir e o sexto, com 5 anos cumpridos e bem posto de cara, com trapio, obrigou o matador a sacar de todos os recursos para lhe sacar faena, o que fez com mérito.

Posto isto, analisemos as actuações dos artistas.

Miguel Moura recebeu bem o primeiro com um comprido em sorte de gaiola e outro à tira. Esteve primoroso na brega, nos ladeios de remate os dois primeiros curtos foram de muito boa nota. Uma lide de bons momentos e pormenores que não passaram despercebidos aos bons aficionados. Com o sobrero a lide foi de menos a mais depois de estar bem com os compridos. A série de curtos teve maior impacto na cravagem do 4º em sorte bem ajustada e bem rematada e depois um de palmo num palmo de terrenos.

Tristão Ribeiro Telles recebeu o seu primeiro com uma sorte de gaiola que não resultou como gostaria e deixaria ainda um segundo comprido bem cravado e rematado. Os primeiro e quarto curtos foram os melhores desta sua primeira lide em que cumpriu. Mas seria no seu segundo, o tal bravo de Murteira que conseguiria um dos momentos altos da tarde na forma como aguentou a investida de largo do toiro e cravou com rectidão, o que viria a repetir o terceiro curto. Precisa templar um pouco mais as viagens e aí, meus amigos, a coisa pode explodir a sério a seu favor.

Em terceiro lugar actuou Daniel Luque, um toureiro que está numa fase de grande maturidade, de capacidade lidadora e que sai a dar tudo em cada lide. Não veio a Vila Franca cumprir calendário, antes mostrar toda a sua tauromaquia, a sua versatilidade e o público entendeu e premiou esse gesto. Esteve francamente bem de capote em ambos os toiros, destacando-se nas verónicas e chicuelinas, No seu primeiro uma faena de muleta iniciada com muita classe pelos dois lados e conseguindo os seus melhores momentos ao tourear ao natural e depois num circular invertido rematado de forma superior. Mas seria no sexto da ordem, um bonito negro bragado, que mostraria ao grande público o porquê de ser um dos grandes triunfadores em Espanha e França, dando uma lição de toureio com a muleta e obrigando, com um domínio impressionante, o toiro a investir por onde e como quis. Foi uma faena com muito peso e onde se viu poderoso e lidador e o público premiou-o como deve ser.

Para as pegas saltaram à arena os Forcados Amadores de Montemor e de Vila Franca. Por Montemor, Joel Santos sofreu um violento derrote na primeira tentativa que o impossibilitou de se fechar, consumando com brilho à segunda e José Maria Cortes Pena Monteiro numa grande pega à barbela ao primeiro intento. Por Vila Franca foram caras Rodrigo Camilo numa grande intervenção à 1ª e Miguel Faria consumaria com a habitual galhardia à 3ª depois de derrotes laterais o terem tirado da cara nas outras tentativas.

A corrida foi dirigida por Lara Gregório de Oliveira assessorada pelo veterinário José Luís Cruz, com toques de cornetim a cargo de Tomás Napita e abrilhantada pela Banda do Atendeu Artístico Vilafranquense.

Incidências: nas cortesias guardou-se um minuto de silêncio em memória de Luís Campino e regista-se, ainda, a enorme demora para recolha do 4º da tarde, de 730 kg com ferro Sommer e devolvido por coxeira.



Texto e fotografia: António Lúcio
05/10/2026


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