Há 45 anos, a Monumental de Barcelona vestia-se de gala para uma tarde que ficaria para a história da Tauromaquia portuguesa.
O cartel reunia duas figuras de enorme dimensão: Palomo Linares, que apadrinhou a alternativa de Vítor Mendes, e José Mari Manzanares, que testemunhou a cerimónia. Pela frente estavam toiros da prestigiada ganadaria de Carlos Núñez, numa tarde que não poderia ter sido mais exigente para o jovem toureiro português.
O momento da alternativa aconteceu diante de “Chaqueto”, número 54, um negro mulato de 544 quilos. Vítor Mendes recebeu os trastos das mãos de Palomo Linares e entrou definitivamente no escalafón dos matadores de toiros.
Mas aquela tarde não se resumiu ao simbolismo da alternativa. Vítor Mendes triunfou. Cortou uma orelha ao toiro da alternativa e duas ao segundo do seu lote, num total de três orelhas, terminando a tarde em ombros pela Porta Grande da Monumental de Barcelona.
Foi uma consagração em toda a linha, acompanhada de perto por numerosos aficionados portugueses que fizeram questão de viajar até Barcelona para testemunhar o nascimento de uma nova figura do toureio português.
Quarenta e cinco anos depois, a efeméride ganha ainda maior significado: aquele jovem que naquela tarde de 13 de setembro de 1981 entrou na Monumental de Barcelona para tomar a alternativa acabaria por se tornar numa das maiores figuras do toureio a pé português.
Patrícia Sardinha
13/09/2026