O Grupo Municipal do CDS-PP em Lisboa, manifestou-se esta semana saudando a rejeição, por uma diferença de dois votos, do voto de protesto apresentado pelo PAN contra a realização das quatro corridas de toiros no Campo Pequeno.
Na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa de 15 de Setembro, o deputado Martim Borges de Freitas defendeu a tauromaquia como expressão da cultura popular portuguesa, a legitimidade dos apoios municipais e a liberdade dos cidadãos de assistir a espectáculos tauromáquicos. Na sua intervenção, o deputado do CDS-PP contestou a visão da tauromaquia apresentada pelo PAN, sublinhando a sua dimensão cultural e a representação que nela se faz da relação entre o homem e a natureza.
«Não tenho uma visão ternurenta da relação do homem com a natureza – acho, pura e simplesmente, que ela não existe! A natureza é hostil, agressiva. O homem sobreviveu-lhe. E tornou-se dominante…», afirmou Martim Borges de Freitas, descrevendo a corrida de toiros como um confronto entre a força e a inteligência, marcado pelo perigo real. O deputado distinguiu também o dever de respeito pelos animais da equiparação dos seus direitos aos direitos humanos: «Se aos animais aplicássemos os direitos humanos estaríamos a retirar aos humanos a ideia de civilização e a sua ideia de ética e de moral.».
Reconhecendo expressamente que os animais merecem respeito, sustentou que a sua humanização relativiza a própria noção de direitos humanos.
Quanto ao financiamento da actividade taurina, ainda que, como explicou, a Praça do Campo Pequeno beneficie de isenção de IMI por ser património da Casa Pia, Martim Borges de Freitas defendeu a legitimidade dos apoios municipais: «Estão enquadrados dentro da autonomia dos municípios, são legítimos e, maldade das maldades, são exigidos pelas populações!».
O deputado destacou o papel económico, cultural e social da tauromaquia em numerosas localidades, designadamente na criação de emprego e na fixação de população. Para o CDS-PP, a Assembleia Municipal deve respeitar a pluralidade cultural de Lisboa e a liberdade dos seus cidadãos, incluindo daqueles que apreciam a tauromaquia. Foi esse o princípio que Martim Borges de Freitas deixou ao PAN no encerramento da sua intervenção: «Pode-se ser contra – é, evidentemente, um direito de todos! Mas, ser-se a favor da Tourada é também um direito que assiste a qualquer um de nós. Espero que o PAN reconheça este direito!».
Fonte: CDS-PP Lisboa/DR
Patrícia Sardinha
17/09/2026