Se a Nazaré é famosa pela sua magnífica praia e pelas ondas gigantes, foi exactamente uma onda gigante que que se abateu sobre a sua praça de toiros do Sítio quando toureou Daniel Luque, autor de duas excelentes faenas e que teve grandes momentos de Francisco Palha e Guillermo Hermoso de Mendoza para além de duras pegas de caras e um excelente toiro de Passanha (em minha modesta opinião) lidado em quarto lugar. Foi uma corrida com o ambiente das grandes noites nazarenas e podemos afirmar que, no final, vínhamos «a tourear» pela rua.
Abriu praça Francisco Palha frente a um toiro de Passanha, rematado e que cumpriu. Dos dois compridos o segundo foi o melhor registando-se bons remates. A série de curtos, quatro, foi de bom nível, com destaque para o segundo e o terceiro que mereceram os aplausos fortes do público. Gostei depois, e bastante, da lide ao bravo quarto da noite, um toiro pronto a investir e ao qual deu boa lide. E quando um toiro investe de largo é preciso calcular bem a velocidade e a reunião, o que aconteceu com muito mérito no terceiro e no quinto, não tendo havido o necessário acople no quarto ferro mas que também seria bom após falha nessa mesma reunião. Grande actuação de Francisco Palha.
Guillermo Hermoso de Mendoza lidou o segundo, um toiro cumpridor e com nobreza. Andou bem nas preparações e deixou dois compridos, o segundo melhor, e recebeu bem o toiro a dobrar-se com ele e a deixá-lo bem colocado. Segundo e quarto curtos foram de nível, a que se deve juntar uma boa brega e de bonito efeito sempre do agrado do grande público, para rematar com um de palmo. No quinto da noite, mais reservado, cumpriu a papeleta com destaque para dois curtos com batidas ao pitón contrário.
Noite dura e difícil para os forcados de Santarém e do Aposento da Moita. Os toiros investiram com raça e alguma dureza nos derrotes mas a rapaziada da jaqueta das remagens consumou com brio as 4 pegas de caras. Pelos Amadores de Santarém Francisco Cabaço suportou derrotes fortes na 1ª tentativa e acabou por consumar com decisão à 3ª; João Faro consumou também à terceira com fortes derrotes. Pelo Aposento da Moita Salvador Coimbra efectuou rija pega de caras à 1ª tentativa, bem ajudado, e Rodrigo Aranha uma rija cara à 2ª.
Mas o efeito da onde gigante que assolou a praça do Sítio da Nazaré teve por epicentro o matador de toiros Daniel Luque, Uma qualidade inigualável, um poderio tremendo e duas lições de cátedra ante dois toiros de 4 anos de David Ribeiro Telles que não lhe facilitaram a vida. Uma postura de grande profissional, a tentar meter no capote o primeiro que não queria passar e que depois de um desconcertante tércio de bandarilhas, veio a sacar-lhe o máximo partido com a muleta, com uma calma e quietude impressionantes, muletazos desenhados com parcimónia e muito temple por ambos os pitóns. Muita qualidade e toreria do diestro de Gerena. No que encerrou praça pode-se estirar no toureio de capote com classe. E a faena de muleta foi de encantamento, de enfeitiçamento do toiro, enrolando-o na muleta como as ondas se enrola ao chegar à areia, e conseguindo belos derechazos e naturais. Ambas a faenas foram rematadas com as «luquesinas» que calaram fundo nos aficionados presentes. Um grande triunfo de um matador de classe mundial.
O ganadeiro Diogo Passanha deu volta no segundo e António Telles no último, numa noite de grande ambiente.
Dirigiu o espectáculo Ana Pimenta assessorado pelo veterinário Gonçalo Louro, com toque de cornetim assegurados por Álvaro Pequicho e com a Banda Filarmónica da Santa Casa da Misericórdia de Arruda dos Vinhos a abrilhantar este espectáculo.
Texto e foto: António Lúcio
03/08/2026