Naturales: Nasceu praticamente neste meio taurino... Em que momento deixou de ser apenas o sobrinho do cavaleiro Rui Fernandes para perceber que queria seguir-lhe as pisadas?
Duarte Fernandes: Desde muito pequeno que queria ser como ele. Sempre o vi como um ídolo e tudo aconteceu de forma muito natural. Sinceramente, não consigo dizer o momento exacto em que tomei essa decisão. Simplesmente senti que era isto que queria fazer para a minha vida.
Naturales: A sua família reagiu bem ou tentou demovê-lo dessa ideia?
Duarte Fernandes: Sempre tive muito apoio. Claro que, quando era criança, talvez não levassem essa vontade tão a sério, mas quando perceberam que era realmente o que queria, apoiaram-me em tudo. Acho que, independentemente do caminho que escolhesse, a minha família estaria sempre ao meu lado.
Naturales: Que características do cavaleiro Rui Fernandes mais admira e até que ponto influenciaram a forma como hoje entende o toureio a cavalo?
Duarte Fernandes: São muitas, tanto a nível profissional como pessoal. Admiro a dedicação, o trabalho, a constância e o enorme espírito de sacrifício que tem pela profissão e pelos cavalos. Como pessoa, transmitiu-me valores muito importantes. Na forma de entender o toureio, ensinou-me que tem de existir um equilíbrio entre o risco e a harmonia, e é precisamente isso que procuro sempre na praça.
Naturales: Recorda-se da primeira vez que entrou numa praça para tourear? Que emoções guarda desse dia e o que mudou desde então?
Duarte Fernandes: Lembro-me perfeitamente. Foi um dos dias mais felizes da minha vida e será sempre uma recordação especial. Tinha apenas 11 anos e, para mim, era um sonho. Desde esse dia passou muito tempo e hoje encaro tudo de forma muito mais profissional, mas a paixão continua a ser exactamente a mesma.
Naturales: Ao longo destes anos tem sido apontado como um dos maiores valores da nova geração do toureio a cavalo. Essa responsabilidade pesa-lhe ou funciona como uma motivação acrescida para continuar a evoluir?
Duarte Fernandes: Um pouco das duas coisas. Existe sempre alguma responsabilidade, mas acima de tudo isso motiva-me. Sinto que ainda tenho muito para aprender, muito para evoluir e muito para dar à Tauromaquia.
Naturales: No próximo dia 6 de agosto chegará finalmente a alternativa no Campo Pequeno, precisamente com Rui Fernandes como padrinho e Diego Ventura como testemunha. Que significado tem para si viver este momento ao lado de duas figuras tão marcantes do seu percurso?
Duarte Fernandes: Significa muito. É sempre especial partilhar cartel com eles, mas viver um momento destes ao lado de duas figuras que admiro tanto torna tudo ainda mais especial. É um sonho concretizado, tanto pelo cartel como pela praça.
Naturales: O Campo Pequeno é a praça de maior simbolismo da Tauromaquia portuguesa. Tirar ali a alternativa representa uma responsabilidade acrescida ou será, acima de tudo, um sonho de infância concretizado?
Duarte Fernandes: Acima de tudo, um sonho concretizado. O Campo Pequeno é uma praça diferente de todas as outras, tem uma aura muito especial. Poder tomar ali a alternativa é algo que sempre sonhei.
Naturales: Em 2021 recebeu uma "alternativa" em Arles, em França, também com Rui Fernandes e Diego Ventura. Em Portugal essa cerimónia não tem validade oficial. Afinal, o que representou para si e porque aconteceu nessa altura?
Duarte Fernandes: Também foi um dia muito especial. Poder viver esse momento numa praça como Arles marcou-me bastante, porque, até então, era a praça mais importante onde tinha atuado. Penso que foi um passo importante para continuar a desenvolver a minha carreira em Espanha e abriu-me portas para seguir esse caminho.
Naturales: O toureio a cavalo vive uma fase de renovação, com uma geração jovem a afirmar-se em Portugal e em Espanha. Que marca própria pretende deixar na Tauromaquia e de que forma gostaria que o público identificasse o seu conceito de toureio?
Duarte Fernandes: Gostava que o meu toureio fosse identificado pelo risco e pela imprevisibilidade. É isso que procuro transmitir sempre que entro em praça.
Naturales: Quem conhece o Duarte fora da praça fala de um enorme rigor no treino e na preparação dos cavalos. Como é um dia normal da sua vida quando não há corridas?
Duarte Fernandes: Resumidamente, desde que me levanto até ao fim do dia estou dedicado aos cavalos. Passo o tempo a montá-los, a treiná-los e a tentar evoluir, tanto eu como eles. Os cavalos são atletas e precisam de estar preparados física e mentalmente para chegarem à praça nas melhores condições. Quando tenho algum tempo livre, gosto de estar com a família e com os amigos.
Naturales: A alternativa representa um marco importante, mas também o início de uma nova etapa. Que Duarte Fernandes podem os aficionados esperar a partir daqui?
Duarte Fernandes: Podem esperar o mesmo Duarte Fernandes de sempre: alguém que vai continuar a dar o máximo em cada corrida e a trabalhar para evoluir de ano para ano.
Naturales: Se pudesse dirigir uma mensagem ao Duarte Fernandes que sonhava ser cavaleiro quando era criança, o que lhe diria na véspera da alternativa no Campo Pequeno?
Duarte Fernandes: Diria apenas para aproveitar cada segundo desse dia, desfrutar de tudo ao máximo e entregar-se por completo.
Patrícia Sardinha
05/08/2026

