Naturales | 25 anos - 25 entrevistas com Tomás Bastos: "Quero demonstrar que quero ser figura do toureio"

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Há momentos que definem uma carreira. Para Tomás Bastos, o mês de Julho de 2026 ficará para sempre gravado na memória. Amanhã, despede-se da categoria de novilheiro na primeira praça do país, o Campo Pequeno. Apenas nove dias depois, a 24 de Julho, em Santander, viverá o momento mais aguardado da vida de qualquer toureiro: a alternativa, tendo como padrinho Andrés Roca Rey. A atravessar uma das fases mais marcantes do seu percurso, o jovem toureiro português falou com o Naturales sobre os sentimentos que antecedem estas duas datas históricas, a influência da sua equipa de apoderamento, liderada por Cristina Sánchez e José Alexandre, o balanço da temporada e os sonhos que alimenta para o futuro.


Tomás Bastos numa volta à arena após mais um triunfo - Foto: Pedro Batalha


TOMÁS BASTOS: "Tenho um país inteiro a acompanhar-me e espero não o defraudar"



Naturales: O Campo Pequeno será o seu último festejo como novilheiro. Que sentimentos o invadem ao saber que encerra esta etapa da sua carreira precisamente na primeira praça de Portugal?

Tomás Bastos: Sempre tive o sonho de tourear no Campo Pequeno. É uma data muito especial na minha temporada e o culminar de uma etapa muito bonita, que terminará precisamente na principal praça portuguesa, integrado num cartel de máximas expectativas. É uma oportunidade única e um daqueles dias que marcam a carreira de um toureiro. Sonho com uma noite histórica no Campo Pequeno.


Naturales: Poucos dias depois, a 24 de Julho, tomará a alternativa em Santander, tendo Andrés Roca Rey como padrinho. O que representa para si viver um momento tão marcante ao lado de uma das maiores figuras do toureio mundial?

Tomás Bastos: A alternativa é sempre um dia sonhado por todos os toureiros. Sinto-me um privilegiado por ter como padrinho o maestro Roca Rey. É uma enorme responsabilidade, mas enfrento-a com muita ilusão. Sempre sonhei competir ao lado dos melhores.


Naturales: Nesta fase tão especial da sua vida, há alguma recordação do menino que sonhava ser toureiro que lhe venha frequentemente à memória?

Tomás Bastos: Nestes dias que antecedem duas datas tão especiais da minha vida, vêm-me muitas recordações da infância. Lembro-me de quando comecei, da ilusão, da motivação, do medo de falhar... São sentimentos que continuam muito presentes e que me fazem valorizar ainda mais tudo o que vivi até aqui.


Naturales: A alternativa representa uma mudança de estatuto, mas também uma responsabilidade acrescida. O que acredita que vai mudar mais na forma como encara e vive a profissão?

Tomás Bastos: Acredito que mudará um pouco de tudo: os companheiros de cartel, o tipo de toiro e também a exigência do público, que naturalmente admite menos erros. Será importante aproveitar todas as oportunidades para, pouco a pouco, conquistar o lugar onde quero estar.


Cristina Sanchéz, Tomás Bastos e José Alexandre - Foto: Pedro Batalha

Naturales: Tem por apoderados duas grandes referências, a matador de toiros Cristina Sánchez e o seu marido, o bandarilheiro José Alexandre. Como tem sido este percurso e esta relação de apoderamento?

Tomás Bastos: Desde o início do apoderamento, tanto a maestra Cristina como o José Alexandre me incutiram a importância de um toureio puro e de qualidade. Vivi duas temporadas em Madrid, em casa deles, preparando-me, e acolheram-me como mais um membro da família.


Naturales: O Tomás já actuou este ano por duas vezes em Madrid e uma em Sevilha. Em Madrid deixou boas impressões mas não tocou pêlo. Em Sevilha cortou uma orelha. Mas o acha que faltou para esses três importantes compromissos terem tido outro impacto?

Tomás Bastos: Tive a sorte de poder viver esses compromissos este ano. Em Sevilha, penso que, se o critério tivesse sido igual para todos os novilheiros, teria cortado uma orelha a cada novilho e saído em ombros. Em Madrid, na primeira tarde, creio que deixei uma grande imagem perante uma novilhada forte e complicada. Na segunda, não foi uma das minhas melhores atuações e também não tive a sorte de os novilhos investirem. Espero que, na próxima oportunidade, já como matador de toiros, se reúnam todas as condições para poder demonstrar o meu toureio e tudo aquilo que levo dentro.


Naturales: A partir de 24 de julho começará um novo capítulo como matador de toiros. Que objetivos traça para esta primeira etapa da sua carreira?

Tomás Bastos: Neste momento estou completamente focado na minha despedida de novilheiro, em Lisboa, e na alternativa. Sei que estão a ser preparadas algumas coisas para o futuro, mas serão divulgadas no momento certo.


Tomás Bastos momentos antes de se apresentar em mais uma praça de toiros - Foto: Pedro Batalha

Naturales: Que importância tem sentido no apoio dos aficionados portugueses neste momento tão decisivo?

Tomás Bastos: Sinto-me muito acarinhado pela afición portuguesa. É bom saber que tenho um país inteiro a acompanhar-me e a motivar-me. Espero não os defraudar.


Naturales: Para terminar, que Tomás Bastos veremos amanhã na arena do Campo Pequeno? O que pode prometer aos aficionados naquela que será a sua despedida como novilheiro?

Tomás Bastos: Prometo dar o melhor de mim e demonstrar que quero ser figura do toureio. Tenho tido pensamentos e sensações muito especiais e espero que seja uma noite que os aficionados recordem durante muito tempo.








Texto: Patrícia Sardinha
Fotografias: Pedro Batalha
15/07/2026


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