25 Anos | Opinião de Vítor Besugo

NATURALES
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Naturales: 25 anos de uma paixão que também é minha

Há projetos que informam. Há projetos que acompanham uma paixão. E há projetos que acabam por fazer parte da nossa própria vida. Para mim, o Naturales – Correio da Tauromaquia pertence claramente a esta última categoria.

Acompanho o Naturales desde o primeiro dia. Na verdade, a minha ligação começou ainda antes, quando seguia atentamente aquele que foi o primeiro espaço dedicado à Tauromaquia portuguesa na internet: o Tauromaquia Portuguesa On-line, criado por Fernando Dias, curiosamente também antigo aluno dos Pupilos do Exército, tal como eu. 

Quando esse projeto evoluiu e deu origem ao Naturales, continuei a acompanhar diariamente aquilo que rapidamente se tornou uma referência da informação taurina.

Nunca imaginei que, poucos anos depois, passaria a fazer parte desta casa.

Corria o ano de 2003. Depois de uma corrida realizada na Póvoa de Varzim e transmitida pela RTP, a TV Norte, escrevi uma crónica no blogue do Grupo de Forcados Amadores de Cascais, que então geria. Para ilustrar o texto utilizei uma fotografia que um amigo forcado me tinha enviado.

Dias depois, fui surpreendido por uma publicação de Eugénio Eiroa, escrita a partir de Pontevedra, onde referia que aquela fotografia era da sua autoria e que eu a tinha "roubado".

Como qualquer pessoa séria faria, entrei imediatamente em contacto com ele para esclarecer a situação e apresentar as minhas desculpas. O que parecia ser um momento menos agradável acabou por transformar-se num dos episódios mais importantes do meu percurso na comunicação taurina. No final da conversa, Eugénio convidou-me para integrar a equipa do Naturales como correspondente na região de Beja. Aceitei sem hesitar.

Desde então passaram mais de duas décadas. Houve anos em que estive mais presente e outros em que as responsabilidades profissionais, familiares e pessoais obrigaram a abrandar. A vida é feita de prioridades. Mas nunca deixei verdadeiramente o Naturales. Continuei a colaborar sempre que pude, escrevendo crónicas, artigos de opinião, realizando reportagens, fotografando corridas, editando notícias e publicando conteúdos.

Fiz um pouco de tudo, sempre com enorme gosto e com o sentimento de estar a contribuir para um projeto em que acredito profundamente.

Tenho também um orgulho muito especial por ver que esta ligação já passou para a geração seguinte. O meu filho, João Tomás, realizou igualmente trabalhos fotográficos para o Naturales. É um motivo de enorme satisfação perceber que esta paixão também encontrou continuidade na nossa família.

Mas o Naturales nunca foi apenas um site. Sempre foi, acima de tudo, uma família.

Ao longo destes anos tive o privilégio de conhecer pessoas extraordinárias, com quem aprendi muito e construí amizades que perduram.

Ao Eugénio Eiroa devo uma palavra muito especial. Tive a honra de o visitar em Pontevedra e de conhecer ainda melhor a pessoa que está por detrás deste projeto. O Naturales será sempre também o seu "filho". Um projeto que idealizou, fez crescer e que alimentamos  durante um quarto de século com dedicação, exigência e paixão. Quero que saiba que todos nós continuaremos a cuidar dele, procurando honrar os valores que sempre nos transmitiu: frontalidade, independência, rigor e verdade na escrita.

Foi também através do Naturales que conheci a minha "prima" Patrícia Sardinha. A coincidência dos apelidos Sardinha e Besugo acabou por criar uma afinidade que rapidamente se transformou numa grande amizade. Trabalhar com ela é fácil, porque entre nós nunca existiram obrigações nem imposições. Fazemos isto apenas por paixão à Tauromaquia.

Recordo igualmente o agora diretor, o meu amigo Pedro Batalha, um fotógrafo extraordinário, com quem me fardei nos Juvenis de Vila Franca de Xira, em meados da década de noventa. A amizade manteve-se ao longo dos anos e o Naturales acabou também por fortalecer essa ligação.

E não posso esquecer Florindo Piteira, outro grande fotógrafo e amigo, cujo contributo muito engrandeceu este projeto.

Ao longo destes anos vivi momentos inesquecíveis, mas também alguns dos mais duros da minha vida enquanto fotógrafo.

Entre todos, há um que jamais esquecerei.

Foi no primeiro sábado de setembro de 2017, durante a tradicional corrida da Feira Anual de Cuba. Naquela tarde, assisti de perto a um dos momentos mais trágicos que alguma vez testemunhei numa praça de toiros. Eu era um dos poucos fotógrafos presentes e as imagens que captei retrataram um drama que marcou profundamente a Tauromaquia portuguesa.

Foram fotografias difíceis de fazer. Muito mais difíceis ainda de rever. Mas mostraram a realidade de um hobby e de uma paixão onde a coragem se mede muitas vezes com a própria vida.

Esse dia ensinou-me, mais uma vez, que a Tauromaquia não é feita de vaidades. É feita de homens que entram na cara de um toiro conscientes dos riscos que correm, movidos apenas pela coragem, pela entrega ao grupo e pelo amor à Festa.

É também por isso que o Naturales sempre teve uma missão importante. Não apenas informar, mas contar as histórias das pessoas, preservar memórias e mostrar a verdade da Tauromaquia, tanto nos momentos de glória como nos momentos de dor.

Quando olho para trás e vejo estes 25 anos, percebo que o Naturales me deu muito mais do que a possibilidade de escrever ou fotografar. Deu-me amizades, ensinamentos, experiências inesquecíveis e a oportunidade de viver a Tauromaquia de uma forma ainda mais intensa.

Parabéns ao Naturales pelos seus 25 anos.

Que continue a ser uma referência para todos os aficionados, mantendo intactos os princípios que lhe deram identidade desde o primeiro dia.

Porque os projetos passam a ser grandes quando resistem ao tempo. E o Naturales não resistiu apenas ao tempo. Cresceu com ele.

É uma honra poder dizer que, há mais de vinte anos, também faço parte desta história.

Parabéns a todos os que fizeram ou fazem parte desta equipa fantástica... Venham mais 25.



Vítor Morais Besugo
25/07/2026
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