Azambuja: “Como uma força que ninguém pode parar”

NATURALES
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Nelly Furtado entoava uma canção onde se podia ouvir esta frase ou estrofe que dá mote a essa nossa crónica: “Como uma força que ninguém pode parar”. E as tradições populares, as festas e romarias, com muitos motivos de interesse e entre eles as largadas de toiros pelas ruas e as sempre aguardadas corridas de toiros, mantém-se por força da exigência e presença popular ainda que tenham de responder aos anti-taurinos que os ameaçam e pretendem abolir todas estas manifestações. E, por isso, o cartel da tradicional corrida da Feira de Maio em Azambuja tinha aliciantes que fizeram com que as bancadas estivessem preenchidas em cerca de ¾ da sua capacidade em tarde de muito calor.



E quem foi a Azambuja decerto deu o seu tempo por bem empregue. Os toiros com ferro e divisa de Vale Sorraia, foram fiéis às suas origens e ao seu encaste. Bem apresentados tiveram, no geral mobilidade qb para o bom desenrolar do espectáculo e apenas o sexto, por pouca força, procurou o refúgio de tábuas. São toiros de comportamento bem diverso do que habitualmente vemos e que exigem uma leitura muito rápida das suas características e tendências comportamentais para lhes sacar partido. Mantiveram o interesse em tudo o que se passava e era feito na arena e proporcionaram uma boa tarde de toiros.

Gilberto Filipe cedo entendeu as características do que abriu praça, com boas preparações lidando o toiro como se impunha e deixando bons momentos de brega e bons ferros curtos com destaque para o terceiro antecedido de uma excelente preparação. Lidou, e bem, o primeiro da ordem. Com o quarto teve de novo uma prestação positiva na série de curtos com destaque para o quarto, seguindo-se dois de violino, o último dos quais tendo retirado a cabeçada à sua montada.

João Moura Caetano teve por diante um cinqueño “com teclas” como se diz na gíria. Um toiro que em nada facilitou o labor do cavaleiro de Monforte que teve de porfiar na brega, aturada e paciente, para lhe cravar 3 curtos numa lide curta, mas onde também não havia mais para tirar. No quinto da ordem, esteve francamente bem nas preparações, nos remates e alguns recortes na cara do toiro, numa lide bem medida e com dois curtos de muito boa nota.

Em terceiro lugar actuou Parreirira Cigano. E voltei a gostar da forma como procurou sacar partido dos seus toiros, com muito critério e sentido de lide. O seu segundo curto foi muito bom e rematou uma boa actuação com dois de palmo que foram aplaudidos. O sexto, por escassez de força, cedo buscou tábuas. E aí mérito maior para Parreirita que lhe cravou dos ferros curtos a sesgo, dois deles rematando a sorte passando entre toiro e trincheira com mérito.

No capítulo das pegas, estiveram frente a frente os Amadores de Azambuja e de Arruda dos Vinhos. Por Azambuja foram forcados de cara Ruben Mendes à 2ª, Pedro Lourenço à terceira e o cabo João Gonçalves muito bem à 1ª tentativa. Por Arruda dos Vinhos, foram caras: Hélder Silva à 1ª, Nuno Aniceto também á 1ª e Rodrigo Gonçalves à 2ª.

O espectáculo foi dirigido por Manuel Gama assessorado pelo veterinário José Luís Cruz, com os toques de cornetim a cargo de José Henriques. Abrilhantou o espectáculo a Banda do Centro Cultural Azambujense.


Texto e foto: António Lúcio
1/06/2026
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