Se tivéssemos mais corridas como a de ontem, domingo 3 de maio, em Vila Franca, seguramente que outro galo cantaria e as pessoas deslocar-se-iam a essas corridas com mais vontade. Foi, sem dúvida uma corrida muito séria, toiros muito bem apresentados, colocando à prova as capacidades lidadoras de cada cavaleiro, mantendo a emoção e o suspense no ar até às 6 grandes pegas a que assistimos. De parabéns a empresa liderada por Bernardo Alexandre pela seriedade desta corrida que marcou o arranque dos125 anos da emblemática praça ribeirinha.
E como se tratou de um concurso de ganadarias é por aí que começamos a nossa análise. Em primeiro lugar saiu à praça um bonito toiro de Cunhal Patrício, aberto de cara, com mobilidade, rematado e que foi codicioso. Tinha o nº 47 e pesou 520kg. Em segundo lugar saiu o toiro de Sommer d’Andrade, nº 20, de 505 kg, também aberto de cara, com menos força mas a corresponder durante a lide e que o júri (os 6 ganadeiros a concurso) decidiu premiar como o mais bravo, entre protestos do público. Em terceiro lugar, o toiro de Canas Vigoroux, nº 34 e 52okg, um toiro que não rompeu e foi mais complicado. Quarto da ordem, o de Oliveiras Irmãos, nº 12 e de 570kg, um “tio” pela sua envergadura e presença, mas que foi tardo. Em quinto lugar saiu o toiro de Fernando Palha (prémio apresentação), um bonito jabonero, que serviu e em último lugar o de Vale Sorraia, nº71, 525 kg, mansote a procurar tábuas mas que depois acabou a colaborar com o cavaleiro. Em suma, toiros sérios, com trapio inquestionável e a manterem a atenção de todos sobre o que se desenrolava na arena até ao final.
O grande triunfador da tarde foi António Prates. Se no seu primeiro, de Sommer d’Andrade, já havia aquecido os aficionados com uma lide bem medida, com 4 curtos com batidas ao pitón contrário e rematando bem, contudo seria no quinto da ordem, de Fernando Palha, que veio ao de cima a sua garra e uma excelente interpretação das condições de lide do toiro, havendo a registar a boa lide, com preparações adequadas e boa colocação do toiro para depois deixar a ferragem com batidas ao pitón contrário e a entusiasmar o público. Foi uma grande actuação frente a um toiro com qualidades, mostrando que merece mais oportunidades.
Manuel Ribeiro Telles lidou em primeiro lugar o bom toiro de Cunhal Patrício, cravando 3 compridos bem rematados e, na série de curtos, destaque para os bons 3º e 4º, em que se deixou ver no cite e cravou como mandam as regras. Foi uma actuação que me ficou na retina pela qualidade e sobriedade com que se enfrentou a um toiro codicioso. No quarto da tarde, o imponente Oliveiras Irmãos, não esteve tão feliz, numa lide onde o primeiro curto foi de boa nota mas, no geral, sem se ter transcendido.
Terceiro cavaleiro em praça, Tristão Ribeiro Telles, é daqueles artistas que nunca se dá por vencido, com um grande espírito competitivo e que esteve patente nas suas duas lides em Vila Franca. Com o seu primeiro, de Canas Vigouroux, esteve francamente bem no ferro em sorte de gaiola com que o recebeu, Não esteve acertado no primeiro curto mas emendou bem a mão nos seguintes, com destaque para o bom terceiro ferro curto. O último da tarde, de Vale Sorraia, saiu a procurar tábuas…Tristão colocou a garra que lhe é habitual e deu a volta por cima na ferragem curta com destaque para o bom 4º ferro. Uma tarde de competição e a mostrar uma vez mais o seu valor.
Valor e eficiência foi o que não faltou aos rapazes das jaquetas de Santarém e de Vila Franca, com seis grandes pegas de caras. Pelos Amadores de Santarém, todos ao primeiro intendo, foram caras João Faro, Joaquim Grave e Duarte Palha, enquanto pelos Amadores de Vila Franca foram forcados de cara Rodrigo Andrade (1ª), Rodrigo Camilo (2ª) e Vasco Carvalho (1ª). O Grupo de Santarém recebeu o prémio para melhor grupo.
Foi guardado um minuto de silêncio em memória do Conde de Murça, de Augusto Levesinho entre outros que nos deixaram no passado inverno.
A corrida foi dirigida por Lara Gregório de Oliveira, assessorada pelo veterinário José Luís Cruz e com os toques de cornetim a cargo de José Henriques.
Texto: António Lúcio
