O tradicional festival taurino de 25 de Abril em Sobral de Monte Agraço ficou marcado por momentos de muito bom toureio e por um novilho de bandeira da ganadaria de Varela Crujo, premiado com volta e que regressou ao campo por decisão dos ganadeiros. Uma tarde de sol em que o público correspondeu em menor número do que o habitual, mas a elevar bem alto a fasquia do bom toureio, numa cuidada organização de José Luís Gomes. A praça foi alvo de obras de beneficiação, com nova pintura das bancadas, nova numeração. Um bem-haja.
No capítulo do toureiro, João Moura Caetano, a comemorar 20 anos de alternativa, foi homenageado no final das cortesias pela Presidente da Câmara Municipal Raquel Soares Lourenço, pela Provedora da Santa Casa Madalena B. Cruz e pelo empresário José Luís Gomes, e presenteou os aficionados com uma lição de bem tourear a cavalo, sem tempos mortos nem passagens em falso, deixando o bom novilho com ferro de seu pai Paulo Caetano sempre bem colocado e cravou 4 curtos de muito boa nota, com pleno sentido de lide, rematando a dobrar-se em curto, numa das melhores actuações que lhe vi. O cavalo “Ouro Negro” é craque e isso viu-se na ferragem curta. Grandes momentos de Moura Caetano.
Em segundo lugar actuou David Gomes que teve por diante um novilho de Vinhas que não foi fácil. A lide de Gomes foi subindo de tom, tendo como melhor o 3º curto em que desenhou bem, a sorte e cravou como mandam as regras e depois um de violino e um de palmo sempre do agrado do público. Uma lide com interesse.
O terceiro de ordem era complicado, a adiantar-se por vezes, o que fez com que Paco Velásques não se sentisse tão à-vontade. Teve de porfiar para deixar a ferragem da ordem com destaque para terceiro e quarto curtos, os seus melhores. Não teve a sorte do seu lado mas impôs-se ao novilho.
Os Forcados de Lisboa tiveram na cara do 1º da tarde o jovem Duarte Fernandes que concretizou com facilidade à primeira. Por Alcochete foi cara o jovem Gabriel Rodrigues também à 1ª. O terceiro foi pegado por Tomé Batalha (Lisboa) à 1ª num misto dos dois grupos.
O toureio a pé voltou a brilhar em Sobral. Primeiro com a grande faena de muleta de Esau Fernández ao excelente novilho de Varela Crujo que havia recebido bem de capote. A faena de muleta foi iniciada de joelhos e em bom plano, prelúdio para o muito bom toureio que se seguiria, por ambas as mãos, muito templado, com a muleta a arrojar pelo chão e o novilho a investir com classe e bravura. Foram momentos muito intensos, artísticos, com classe e bom gosto do toureiro andaluz. Teve oportunidade para expressar todo o seu bom conceito de toureio e, no final, o público premiou-o com duas voltas à arena em conjunto com o representante da ganadaria.
Quem também esteve em grande plano foi Manuel Dias Gomes com um novilho que pelo lado direito tinha «as suas coisas». Manuel foi fiel ao seu conceito desde que o recebeu de capote, com classe e mando. E na faena de muleta lá foi conseguindo convencer o novilho a investir como queria, sacando-lhe o máximo partido e deleitando os aficionados. Mais uma tarde em Sobral para recordar pela sua capacidade lidadora e artística.
Encerrou praça o novilheiro João Fernandes (da ET José Falcão). Uma boa atuação. Com bom sentido de lide desde que de capote recebeu o novilho e com uma faena de muleta interessante, iniciada com 3 cambiados pelas costas e séries pela direita e ao natural que tiveram bastante interesse. É um jovem toureiro que dá gosto ver e que em Sobral somou pontos.
O espectáculo foi superiormente abrilhantado pela Banda Filarmónica de Arruda dos Vinhos e dirigido por Ricardo Dias com assessoria veterinária de José Luís Cruz e os toques de cornetim a cargo de José Henriques.
Texto e foto: António Lúcio
