A Associação "Reguengos Afición", composta por Luís Falcato, David Silva, David Feijão, Luís Rodrigues e Ricardo Massano, ganhou no ano passado o concurso de adjudicação por quatro anos da Praça de Toiros "José Mestre Batista" em Reguengos de Monsaraz. O ano de estreia correu de feição, pois a Associação conseguiu atrair novamente público à praça, melhorar o seu aspecto com obras de restauro, sendo considerada por muitos como a 'empresa revelação de 2025’, pela dedicação e resultados obtidos na centenária Praça de Toiros da sua terra. Em 2026 a expectativa depositada nesta Associação mantem-se e os apelativos cartéis que já deram a conhecer falam por si. Pretendem continuar a melhorar a ‘sua’ Praça e a cativar público com outros festejos e iniciativas 'extracorridas'.
Associação Reguengos Afición: “Não nos
movemos por prémios, o que nos move é a nossa cidade!”
NATURALES:
Depois de um ano cumprido na gestão da Praça de Toiros José Mestre Batista
preparam-se agora para o segundo ano nesse papel. Que balanço fazem da
temporada do ano passado em que se estrearam como ‘empresários’?
ASSOCIAÇÃO
REGUENGOS AFICIÓN: O
balanço da temporada passada não podia ser mais gratificante. Foi um ano de
esforço, de sacrifício pessoal, profissional e familiar para conseguir a revitalização
da ‘Mestre Batista’. Foram cerca de oito meses de trabalho literalmente diário,
como que a ‘viver’ exclusivamente para a praça. Contudo, o sentimento é de
gratidão, principalmente pelo município de Reguengos ao sentir o envolvimento
da comunidade no nosso projecto, e pelo culminar com a Praça esgotada na
tradicional corrida do 15 de Agosto, algo que não acontecia aproximadamente há
10 anos.
N: E
que aspectos vivenciaram pela positiva e pela negativa com essa experiência
empresarial neste meio em 2025 e que desconheciam até aqui?
ARA: Pela positiva, podemos sem
dúvida realçar a ajuda obtida por diversos agentes da festa, nomeadamente
ganaderos, apoderados, cavaleiros, grupos de forcados, entre outros que se
associaram à revitalização da ‘Mestre Batista’. Apesar da nossa tenra
experiência e associado desconhecimento, pela negativa apenas o celeuma
derivado da nossa candidatura à Praça José Mestre Batista em que, tal como já
transmitido anteriormente em local público, o site Naturales foi o único
que procurou saber quem era a Associação Reguengos Afición e qual o seu
propósito. Todavia, são águas passadas e a nossa visão para a Tauromaquia como
elemento cultural do nosso país é que apenas poderá continuar a prosperar
através da união entre os diversos agentes do sector.
“Os aficionados podem ter toda a
certeza de que Reguengos passou a ter uma visão estratégica atempada sobre a
construção das temporadas e todos os eventos passaram a ser preparados ao
pormenor de forma a não defraudar quem paga o seu bilhete.”
N:
Foram considerados por algumas entidades e/ou tertúlias, como a empresa taurina
mais destacada em 2025. Isso deu-vos certamente alento mas também mais
responsabilidade. Como fazem por manter os ‘pés assentes na terra’, sem
deslumbramentos e sem dar um passo maior que a perna e ainda assim corresponder
às expectativas que recaem sobre a Reguengos Afición?
ARA: Qualquer distinção ocorrida
foi sem dúvida um reconhecimento externo ao trabalho desenvolvido em nome da
nossa cultura, da nossa praça mas mais do que isso foi um reconhecimento a
todos os que de forma incansável nos ajudaram e continuam connosco até ao dia
de hoje nesta revitalização. Não nos movemos por prémios, o que nos move é a
nossa cidade, a nossa querida Praça mas acima de tudo esta paixão fervorosa
pela nossa cultura, que é o nosso oxigénio. Neste momento, concluiu-se no
primeiro ano a revitalização estética e funcional da Praça José Mestre Batista,
mas também conseguimos desenvolver espetáculos atrativos, sempre com causas ou
propósitos associados, tendo como base aquele que é o principal ingrediente da
nossa festa e na nossa opinião faltava já há alguns anos a Reguengos, o Toiro! Os
aficionados podem ter toda a certeza de que Reguengos passou a ter uma visão
estratégica atempada sobre a construção das temporadas e todos os eventos
passaram a ser preparados ao pormenor de forma a não defraudar quem paga o seu
bilhete.
N: O
vosso trabalho no ano passado foi não só ‘dentro da arena’ mas também a nível
estrutural e de renovação da praça de toiros de Reguengos, pois o tauródromo há
muito que ‘reclamava’ obra e pouco ou nada era feito na ‘José Mestre Batista.
Também a esse nível os objectivos foram cumpridos? Há ainda alguma obra de
melhoria por realizar prevista para este ano?
ARA: A revitalização da Praça
incidiu pela parte funcional e estética. Todas as benfeitorias propostas que
deram origem à nossa vitória no concurso de adjudicação foram integralmente
cumpridas em prazos bastante atempados face ao proposto. Inclusive, foram
realizadas benfeitorias extra, que consideramos terem sido necessárias ao bom
funcionamento da Praça, e que a Associação Reguengos Afición realizou de livre
e espontânea vontade, como por exemplo a nova bancada balcão do sector 1, a
construção da Capelinha e a inauguração da Tertúlia... Sim, também já propusemos
junto da proprietária um conjunto de novas benfeitorias para este ano de 2026,
extra contrato, e que consideramos serem de extrema importância entre as quais,
curros novos, sala de convívio, uma nova tertúlia, oficina da praça, impermeabilização
das bancadas, entre outros.
N: Para
2026, apresentaram no início do ano, uma Temporada composta por três corridas
de toiros e todas elas um acontecimento. Em que bases ou pressupostos se
basearam para montar os cartéis deste ano?
ARA: A tentativa passou por inovar
e tentar montar cartéis diferenciadores a nível nacional. Cartéis que
transmitam uma mensagem e que sejam verdadeiros acontecimentos e, se possível, nunca
anteriormente ocorridos.
N: A
primeira corrida, a 11 de Abril, será um ‘mano-a-mano’, penso que a acontecer
pela primeira vez, em que Rui Fernandes, um cavaleiro com grande carreira
internacional, medirá forças com João Moura Jr., que nas últimas temporadas tem
saído destacado. Foi fácil concretizar esse cartel? Houve exigências de alguma
parte para que se conseguisse levar a bom porto a corrida?
ARA: Este cartel é a tentativa
conseguida de juntar o que, pelos olhos de muitos, são os dois líderes de
escalafón do ponto de vista qualitativo. Sentimos desde a primeira aproximação,
uma facilidade de ambas as partes, para que o cartel fosse montado. A vontade
de ambos os cavaleiros, foi tremenda para que o mano-a-mano ocorra, e
existe o sentimento da data acontecer pela renovada fase em que a Praça se
encontra. Este é sem dúvida o momento certo para que esta corrida ocorra na
Mestre Batista. A respeito de exigências… não existiu uma única que possamos
apontar, tendo os cavaleiros e seus apoderados, até à data, se comportado de
forma super profissional em todos os nossos requisitos para que a corrida possa
prosperar. Podemos indicar que as exigências existentes, foram da nossa
parte como ponto de partida na tentativa de montar um cartel totalmente redondo
para que quem venha pagar o seu bilhete não seja defraudado, principalmente a
nível dos toiros, o que muitas das vezes acontece em corridas de figuras.
“A temporada 2026 marca sem dúvida uma tentativa de criarmos um terramoto na Tauromaquia em Reguengos”
N: Ainda
a propósito dessa primeira corrida, estão também a organizar para esse dia a
iniciativa “Um Abraço pela Tauromaquia” em parceria com a Prótoiro e com várias
iniciativas taurinas a decorrerem ao longo do dia. Como surgiu essa ideia?
ARA: Esta ideia surge da Associação Reguengos Afición. Em Dezembro passado estivemos presentes na Gala da Tauromaquia e um dos temas mais falados foi a falta de exposição televisiva da nossa Cultura. Prontamente, e face ao momento que a praça viveu tendo-se tornado um exemplo vivo de união em prol da Festa, entendemos promover um Movimento em que a temática fosse o Regresso das Corridas de Toiros TV. Pelos vistos, aos olhos dos meios de comunicação televisiva, não basta a maior manifestação que milhões de aficionados fazem anualmente através da compra do seu bilhete, para que a Tauromaquia seja tratada com a igualdade merecida. Posto isto, contactamos a Prótoiro, que prontamente reconheceu o valor da nossa iniciativa e em concertação desenvolvemos um conjunto de medidas para que esta iniciativa fosse para a frente.
N: E
uma das iniciativas que mais se destaca na programação desse dia é a realização
de um Cordão Humano, que pretendem que seja o ‘maior’ alguma vez formado em
redor de uma praça de toiros, como gesto simbólico de todos aqueles que
defendem o regresso das corridas de toiros transmitidas na televisão. Mas como
pretendem que depois esse gesto tenha eco junto dos que ‘mandam’ nas
transmissões televisivas? Vão estar canais de televisão presentes por exemplo?
ARA: Com naturalidade acreditamos e
estamos a trabalhar para que, o evento tenha exposição televisiva e exista uma
clara manifestação política e de celebridades manifestamente apoiantes da nossa
cultura para que possam vir a estar presentes neste dia. Todavia mais
importante do que a exposição externa que o evento possa vir a ter, é
importante que internamente os diferentes agentes do sector se unam em prol
desta causa e marquem presença neste dia.
N: A
segunda corrida, a acontecer no dia 13 de Junho pelas Festas de Sto António em
Reguengos, junta duas dinastias toureiras das mais acarinhadas pelos
aficionados portugueses, os Telles e os
Rouxinóis, e com o acréscimo de se apresentar pela primeira vez nas arenas,
Simão Rouxinol. Que expectativas para essa corrida?
ARA: Este é outro mano-a-mano,
entre famílias, por muitos desejado e uma vez mais um cartel nunca antes
realizado, sendo a cereja no topo do bolo a apresentação do Simão Rouxinol como
continuidade do legado incansável desta Dinastia na nossa Festa. A amizade, mas
também a rivalidade entre as famílias, é conhecida. E a data tem diversos
pontos de interesse além dos próprios cavaleiros, pois devemos realçar a
estreia absoluta dos toiros de Vale Sorraia em 100 anos de história da ‘Mestre
Batista’, a presença pela primeira vez também do Grupo do México e a realização
de um Cortejo Taurino pelas ruas da cidade que antecede a corrida, que já
aconteceu no ano passado pela primeira vez e foi um verdadeiro sucesso.
“A Praça José Mestre Batista tem de
se afirmar indubitavelmente como uma das principais Praças de Toiros do País”
N: Já
na tradicional corrida do 15 de Agosto, apenas ainda é conhecida a presença do
cavaleiro João Salgueiro, que regressa este ano às arenas, e da ganadaria Falé
Filipe. Já têm algo mais definido que possam avançar sobre essa corrida? Poderá
um festejo misto acontecer em Reguengos em 2026?
ARA: Aos nossos olhos esta
temporada marca sem dúvida uma tentativa de criar um terramoto na Tauromaquia
em Reguengos. Se o ano passado foi um ano de experiência e inovação face à
revitalização da Praça, este ano é uma tentativa clara de afirmar Reguengos de
Monsaraz como uma das principais Praças de Toiros do panorama taurino nacional
como o era antigamente. O regresso do maestro João Salgueiro 15 anos depois,
numa temporada muito singular também para o próprio cavaleiro, é algo que nos
orgulha bastante sabendo que será a primeira corrida que irá tourear no
Alentejo neste seu regresso. Acreditamos que com a sua vinda o mote está dado
para aquela que é a nossa principal data - o 15 de Agosto. Em relação ao
restante cartel ainda é cedo para adiantar pois verdadeiramente não está
fechado, contudo, podemos apenas adiantar que estamos a preparar algo para que
nesse dia Reguengos de Monsaraz possa vir completamente a parar! Veremos...
N: A
nível de grupos de Forcados, estarão este ano nas vossas corridas, além do
grupo da terra, Monsaraz, os Amadores de Évora, São Manços, dois grupos com
‘cartel’ em Reguengos, e este ano também o Grupo do México conforme já referiram.
Como se costumam organizar na escolha dos grupos de forcados que pegam na vossa
praça?
ARA: Na escolha dos grupos de
forcados tentamos em primeiro lugar respeitar o que é tradicional na nossa
praça, aliado ao desempenho em anos anteriores. Repetimos com naturalidade
Grupos este ano, mas tal como no ano passado, iremos também dar oportunidade
pela primeira vez de pisar a ‘Mestre Batista’, tal como aconteceu com outros
grupos o ano passado. Apesar do rigor e responsabilidade estar sempre presente
nas nossas escolhas, temos também presente o nosso passado enquanto antigos
forcados e sabemos as dificuldades que há para os Grupos conseguirem corridas e
nesse sentido nunca seremos uma associação elitista, mas claro está, iremos
sempre manter o critério e o rigor na escolha dos Grupos que venham a pisar a ‘Mestre
Batista’.
N: Em relação às ganadarias estarão este ano as de Santa Maria (11/04), Vale de Sorraia
(13/06) e de Falé Filipe (15/08). Costumam ir ver e escolher pessoalmente os
toiros ao campo? Que critérios na escolha das ganadarias?
ARA: A escolha e negociação dos
toiros a lidar nas nossas corridas passa exclusivamente pelos cinco elementos
da Direção. A base do nosso projecto sempre foi devolver a verdade do Toiro a
Reguengos. Este ano a escolha passou por não repetir as ganadarias do nosso
primeiro ano, bem como, manter a exigência pretendida apresentando encastes
diferentes. Este ano resolvemos avançar com a corrida de Abril que não é
tradicional na nossa Praça e a dificuldade face ao ano chuvoso que se
apresentou foi garantir um curro com trapio e com nome para esta data. Após
visita a diversas ganadarias, foi fácil a escolha pela Ganadaria Santa Maria
que pela primeira vez se apresenta também a lidar um curro completo na nossa
Praça. O curro está bastante bonito, com diversas pelagens e com toiros de
encaste Murube e Parladé o que irá permitir aos cavaleiros e ao público
presente experiências diferentes e variadas.
Para
a corrida de Junho, e num cartel de Famílias, fazia todo o sentido uma nova estreia
daquele que é o encaste mais antigo no ativo - a Ganadaria de Vale Sorraia. O
curro está lindíssimo e será apenas na Mestre Batista que será lidado um curro
completo este ano, pois os exemplares restantes serão lidados em concursos de
ganadarias, pelo que em ano de estreia após 100 anos de elevação da praça a
expectativa é tremenda.
A
respeito da Ganadaria Falé Filipe não lida em Reguengos de Monsaraz desde 2018,
e uma vez mais um encaste diferente das restantes, encaste puro Domecq. O curro
seleccionado é de diversas pelagens e de apresentação irrepreensível, tem todo
o tipo de dar uma tremenda noite de toiros. A expectativa é bastante
elevada.
N: Já
referiram que não pretenderam repetir ganadarias da temporada passada mas curiosamente,
e creio que há muito não acontecia, não será lidado nenhum toiro da ganadaria
local, do saudoso Eng. Luís Rocha. Foi opção vossa?
ARA: Com naturalidade é assumido
que a Ganadaria da Casa é a Ganadaria do Sr. Eng Luís Rocha. Contudo, e apesar
do ano passado na corrida de Homenagem ao Sr. Eng. Luís Rocha o curro ter saído
com bravura e de elevada nota em todos os aspectos, entendemos que apesar da
relação de proximidade, este ano apresentar como dito anteriormente Ganadarias
e encastes diferentes.
“Reguengos abre o apetite a que, se
fosse possível, todos os fins-de-semana montássemos uma corrida nova”
N: Acreditam
que, com o que fizeram na temporada passada, e com o que se prevê para a deste
ano, podem tornar a praça de Reguengos (novamente) numa praça com importância
em todo o panorama taurino nacional?
ARA: Esse é sem dúvida o nosso
maior objectivo. A ousadia na tentativa de montar carteis únicos após o ano da revitalização
vem no sentido daquele que é o nosso lema da temporada de 2026 - o
Renascimento! 100 anos volvidos da elevação da Praça José Mestre Batista,
Reguengos de Monsaraz tem de se afirmar indubitavelmente como uma das
principais Praças do País e aos nossos olhos e das nossas gentes, modéstia à
parte, sem dúvida a número 1!
N: E
que feedback têm sentido por parte dos que mais interessam, dos vossos
conterrâneos reguenguenses?
ARA: O feedback tem sido
extremamente positivo. Sentimos que o povo de Reguengos está connosco, que há
uma nova vida num dos principais monumentos da nossa cidade e que o melhor
ainda está para vir.
N: Reguengos
tem dado apetite a, quiçá no futuro, concorrerem a outras praças?
ARA: Reguengos abre o apetite a que,
se fosse possível, todos os fins-de-semana montássemos uma corrida nova. No
entanto, temos de ser fiéis e sérios com o nosso objetivo. A Associação
Reguengos Afición foi criada com o objetivo exclusivo de explorar a Mestre
Batista. Algum dia, caso possa existir algum convite, será muito complicado
aceitar pois teremos de nos manter fiéis aos nossos ideais e será difícil
recriar o que foi feito aqui, em cidades que não a nossa. Cremos sim que o nosso
trabalho possa inspirar outros a recuperar as suas Praças e a desenvolver
projectos como o nosso, pois não há dúvidas que existem algumas praças no país
que neste momento necessitam de ser acarinhadas.
N: Para
terminar, o que gostariam de dizer aos aficionados?
ARA: Em primeiro lugar, agradecer
por terem estado connosco desde o início do nosso projecto. Em segundo, e para
finalizar, convidar que venham à “Mestre Batista”! Venham já no dia 11 de Abril,
abraçar a nossa Praça, venham abraçar a Tauromaquia! É nestes momentos que
vemos a Força de um Povo e uma vez mais a Tauromaquia necessita de Todos!






