Fim-de-semana de barriga cheia
(ou gusanillo saciado) para quem teve a sorte de presenciar os dois
Festivais Taurinos que decorreram em Mourão. Se ontem foi bonito de ver o
empenho e a dedicação dos jovens valores que pisaram o ruedo da castiça
Praça de Toiros Dr. Libânio Esquível, hoje foi a vez de desfrutarmos com o
nível e a qualidade do segundo festejo da mini-feira taurina organizada por Joaquim Grave.
Uma praça cheia, e, por
conseguinte, muito ambiente que se iniciou ainda antes do festival, pois já se
tornou também tradição o ajuntamento em redor da praça logo pela manhã para
convívio em modo ‘piquenique’. Só é pena
que muitos não entendam é que esse “convívio” deve ficar depois fora de praça,
pois lá dentro, o barulho e a conversa, chegam a ser incomodativos a quem
realmente quer ver o espectáculo que, sendo público obviamente - e pago -, merece respeito
e, no toureio a meu ver, o silêncio é de ouro.
Mas no que toca à parte artística, a que mais importa, pudemos desfrutar de momentos de verdadeiro interesse.
A cavalo, João Moura Caetano teve uma passagem sóbria e cumpridora, perante um novilho da sua ganadaria que
levava o algarismo 3 na espádua, e que foi também ele colaborador para
concretização da lide. Para a pega, Pedro Graciosa dos Amadores de Santarém, efectuou uma pega rija à barbela, aguentando os derrotes da rês até o grupo
ajudar a consumar.
A pé, lidaram-se novilhos de
Murteira Grave, todos com o 4 na espádua, bem-apresentados, e que deram bom
jogo no geral sendo nobres, com destaque para o lidado em segundo do lote de
Galeana, que teve investida e recorrido de bravo. Mais limitados de força os
três últimos mas ainda assim com boas qualidades.
Ao maestro Diego Urdiales vimos muletazos sérios com a mão direita e o novilho a ter pouca classe pela esquerda. O francês Juan Leal andou a gosto com o bonito novilho que lhe tocou e que rompeu por ambos os pitóns, toureando em redondo e acoplado. Ruiz Muñoz evidenciou um corte artista, não fosse ele sobrinho-neto de Curro Romero, mas viu a faena condicionada pela escassa força do oponente que por várias vezes perdeu as mãos, não rompendo a actuação. Ismael Martin andou disposto e valente de capote, cravando o próprio três bons pares de bandarilhas que deliciaram as bancadas. Com a muleta sacou tandas de mão baixa com muito temple, e sempre arrimado, numa faena de muito boa nota. O novilheiro português Tomás Bastos voltou a Mourão para mais uma vez andar em plano toureiro, sendo com a mão 'zurda' que mais fez gosto ao temple.
Foi assim uma tarde com bons pormenores de toureio que serviram para abrir apetite ao que se seguirá da recém-inaugurada temporada. Ressalvo ainda, de entre os variados brindes na soma das duas tardes, os dedicados por duas vezes ao maestro Vitor Mendes, este ano a cumprir 45 de alternativa. Sinal de grandeza do que foi o percurso do toureiro português e do respeito que lhe é devido pela afición em geral.
E remato como iniciei, foi um fim-de-semana de barriga cheia para os que tiveram a sorte de estarem
presentes nos dois festivais taurinos em Mourão. Aos que não tiveram, valha-lhes depois ler e fazer fé do que se escrever por aí nas ‘internetes’, sendo que até esses, que ‘escrevem’ e não estiveram, nos tempos que correm têm sempre um “chatgpt” para dar uma ajudinha…
Patrícia Sardinha






























