O caso de Javier Moreno “Lagartijo”, em greve de fome desde o passado dia 17 de Fevereiro, à porta da Praça de Toiros de Córdoba, e que reclama um lugar nos cartéis para tourear na sua terra natal, não é uma situação inédita, mas é uma situação triste e angustiante, que nos faz pensar também nos nossos matadores portugueses...
'Lagartijo' triunfou naquela praça no passado, saíu em ombros com figuras como Talavante e Roca Rey, e agora não tem uma oportunidade na sua terra. Hoje, cumpridos 10 dias em greve de fome, e depois de ontem ter sido hospitalizado pela sua débil condição, decidiu pôr termo à greve de fome por considerar que um toureiro não se pode apresentar no estado em que ontem foi visto a ser levado para o hospital. Contrariado e muito fraco mas certo de que voltará a tourear na praça de Córdoba, sua terra, Lagartijo deu a sua manifestação por terminada.
Entristece-me pensar que esta situação pudesse ocorrer em Portugal mas era bem possível dada a quantidade de matadores de toiros portugueses que temos, com valor de sobra para ser considerado nalguns casos uma vergonha o estarem 'encostados às tábuas', sem presença em corridas.
Entre outros, António João Ferreira, Joaquim Ribeiro “Cuqui”, Nuno Casquinha, Manuel Dias Gomes, Diogo Peseiro... nem sempre repetem onde triunfaram, nem sempre lhes são dadas mais oportunidades.
E pego em dois deles como exemplos claros de injustiças que às vezes, e pode até nem ser por mal, mas são cometidas com os matadores de toiros em Portugal: António João Ferreira há quanto tempo não pisa a arena da praça onde se fez toureiro e sempre se entregou, Palha Blanco? Aliás, onde é que esse toureiro, de valor como há pouco, tem toureado?! Manuel Dias Gomes serviu para substituir a ‘figura’ Cayetano em Lisboa em 2023 e triunfou forte. Não mais lá voltou. Certamente que o Cuqui, Peseiro, Casquinha, e todos os outros, terão histórias iguais…
Aventarão uns que o toureio a pé não tem força no nosso país, que os nossos matadores não têm mérito, que (alguns) cavaleiros não querem mistas, que as ‘figuras’ da Espanha não os querem de alternantes, que o público não os quer ver…quiçá alguma destas justificações sejam verdade mas dêem-lhe não só a oportunidade como as condições (quantas vezes não vemos anunciar matadores portugueses com ganadarias duríssimas, reses intragáveis, e depois aos de fora dão os bois dóceis das bananinhas?!). Seguramente que se um festejo misto for montado com pés, cabeça e qualidade, haverá entrega dos toureiros e o público avaliará se os quer ou não.
Compadecemo-nos com a história de “Lagartijo” em Córdoba mas a verdade é que em Portugal também temos muitos “lagartijos” com fome de tourear e oxalá os nossos empresários se lembrem sempre da importância do festejo misto e do valor dos toureiros portugueses que merecem sempre, poder tourear no seu país!
Patrícia Sardinha
