No coração do Alentejo, a tradição taurina voltou a pulsar com força. Este domingo, dia 20 de julho, pelas 18h30, Vila Nova da Baronia recebeu uma corrida de toiros integrada na sua tradicional Feira Anual, trazendo de novo à memória os tempos em que as praças desmontáveis percorriam as vilas e aldeias, levando a magia da tauromaquia a todos os cantos do país.
A corrida de toiros dirigida pelo delegado técnico tauromáquico, António Santos, reuniu no mesmo cartel os cavaleiros Moura Caetano, Luís Rouxinol Jr., Parreirita Cigano e o praticante Manuel de Oliveira, que enfrentaram exemplares da ganadaria São Martinho, que cumpriram a sua função, com nota para alta para o quinto da tarde que proporcionou a lide da tarde a Luís Rouxinol Jr. e a melhor pega a Ricardo Silva dos Amadores de Cascais.
Em praça, os forcados amadores voltaram a mostrar a alma, que move nesta arte, com as pegas a cargo do já referido grupo de Cascais, e dos grupos da Tertúlia Tauromáquica do Montijo e Póvoa de São Miguel. A tarde ficou marcada por um momento de profunda emoção: a despedida do forcado Luís Pereira, natural e residente em Vila Nova da Baronia, que encerrou o seu percurso no grupo de Cascais na terra que o viu nascer. Um momento simbólico, que recorda a forte ligação desta freguesia ao grupo fundado por Francisco Cano – um verdadeiro viveiro de forcados para Cascais, pelo número de jovens que daqui saíram para honrar a jaqueta das ramagens.
Mas esta corrida valeu também como sinal revitalizante para a tauromaquia. Durante décadas, as praças desmontáveis foram a ponte que levou o toiro a localidades sem praças fixas, democratizando a festa brava. Porém, um regulamento mais exigente acabou por travar essa prática, deixando muitos lugares sem a sua tradicional corrida. Ontem, em Vila Nova da Baronia, percebeu-se que essa realidade está a renascer.
Curiosamente, duas localidades alentejanas que há muito não recebiam corridas – Vila Nova da Baronia e São Teotónio, no concelho de Odemira – voltaram a ver os toiros em praça no mesmo dia. E a agenda já anuncia mais: na próxima semana, Alcáçovas (Viana do Alentejo) terá a sua corrida e, logo depois, o Torrão (Alcácer do Sal) também voltará a viver este espetáculo, ausente há vários anos.
Este regresso traz mais do que emoção taurina. Dá notoriedade às festas locais, atrai público, gera entusiasmo e reforça o valor cultural da festa brava, provando que, com paixão e coragem, é possível manter viva esta tradição que é tão nossa.
Importa reconhecer e enaltecer quem se “aventure” a montar corridas em praças desmontáveis, enfrentando as burocracias e os desafios logísticos. Graças a esse esforço, vilas como Vila Nova da Baronia podem voltar a sentir a emoção de um bom ferro, o galope dos cavalos, a coragem dos forcados e a vibração do público.
Que este movimento seja o início de uma nova etapa, em que o Alentejo, e tantas outras regiões, recuperem o hábito de ver o toiro em praças que, ainda que temporárias, mantêm vivo o espírito eterno da tauromaquia.
Texto e Imagem: Vítor Besugo