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    Feira Taurina da Moita - última corrida: "Depois da tempestade não veio a bonança"



    A Praça de Toiros Daniel do Nascimento recebeu, no passado dia 17 de setembro, a segunda corrida da sua Feira Taurina, a tradicional Corrida do Município, celebrada ao sábado, fruto do mau tempo que se fez sentir no início da semana e que fez com que as corridas de toiros de 13 e 14 de setembro não se pudessem realizar.

    O cartel apresentado era composto por João Salgueiro, João Telles Jr, Joaquim Ribeiro “Cuqui” e João Silva “Juanito”. Apresentava-se também o Grupo de Forcados Amadores da Moita, em noite de despedida do cabo Pedro Raposo, com inúmeros elementos do grupo, antigos e actuais, a marcarem presença nesta importante data.

    Do ponto de vista ganadero lidaram-se toiros de Passanha, destinados às lides a cavalo, alguns no limiar de trapio para uma praça como a da Moita, e que a nível de comportamento tiveram mobilidade, mas que careceram de emoção e raça. Para as lides a pé lidaram-se toiros da ganadaria Murteira Grave, de trapio correto para o toureio a pé em Portugal, com destaque para o último da corrida, lidado por Juanito, que demonstrou qualidade, sobretudo pelo piton direito.

    Abriu praça o nº23, da ganadaria Passanha, com 465kgs. Toiro bem posto de cara, mas com uma apresentação no limiar para o que seria de esperar na Feira da Moita. Saiu com mobilidade e a querer percorrer as montadas com um tranco suave, faltando-lhe no entanto transmissão. Evidenciou também ter pouca força, perdendo as mãos em algumas ocasiões durante a lide. João Salgueiro destacou-se sobretudo na brega, aproveitando o tranco do seu oponente. No momento da cravagem a actuação não foi tão bem conseguida, com destaque para o ferro que fechou a actuação, onde conseguiu uma reunião mais ajustada. Actuação regular, mas que ficou abaixo do que poderia ter sido.

    Para a cara do primeiro da noite foi Pedro Raposo, cabo dos Amadores da Moita, que se despedia nesta noite. Esteve calmo a citar e a carregar a sorte, não esteve bem no momento da reunião, mas conseguiu fechar-se e a pega concretizou-se ao primeiro intento, com o grupo a ajudar de forma eficaz.

    Volta autorizada para ambos. Finalizada a volta à arena deu-se a cerimónia de mudança de cabo, com passagem de testemunho para o irmão, João Raposo, num bonito e emotivo momento.

    Em segundo lugar saiu à praça o nº3, também da ganadaria de Passanha e com um peso de 470kgs. Toiro mais alto que o anterior, bem posto de cara e com mais seriedade. Teve mobilidade e fijeza, mas faltaram-lhe emoção e transmissão no momento do ferro. Veio a menos com o decorrer da lide. João Ribeiro Telles foi buscar o toiro à porta dos curros, tendo bons momentos, sobretudo no remate das sortes, onde aproveitou a investida do toiro da melhor forma. Nos curtos destacou-se o terceiro ferro, a receber a investida do toiro com temple e a conseguir uma reunião mais ajustada. Acabou por ter uma lide regular, mas longe do triunfo.

    Para a cara do segundo Passanha foi o forcado João Raposo, novo cabo dos Amadores da Moita. Esteve bem a citar e a carregar a sorte, eficaz no momento da reunião e com o grupo a ajudar bem pega consumou-se ao primeiro intento. Volta à arena autorizada para ambos.

    Em terceiro lugar saiu o nº52, com 450kgs, de Murteira Grave. Toiro rematado de carnes e bem feito. Evidenciou alguma qualidade de investida pelo piton esquerdo, mas acabou por se rachar pronto, não havendo qualquer hipótese de triunfo. Cuqui apresentou-se com ganas na “sua” praça, recebendo o toiro com uma larga cambiada de joelhos, seguido de verónicas e chicuelinas, que não acabaram, no entanto, por não resultar em pleno. O tércio de bandarilhas acabou por não romper, com o matador a sofrer uma voltareta que felizmente não teve condições de maior. Na muleta andou disposto, mas com o Grave a ficar cada vez mais curto de investida as hipóteses esfumaram-se por completo.

    Volta à arena para o matador.

    Em quarto lugar saiu o nº23, de Murteira Grave, com um peso de 490kgs. Toiro castanho, de mirada séria, rematado de carnes e menos bem feito. Foi um toiro com motor, mas faltou-lhe qualidade na investida para que a lide rompesse. No tércio de bandarilhas voltou a estar em destaque João Ferreira, que deixou dois bons pares e foi chamado à arena para ser aplaudido. Durante a lide de muleta os melhores momentos foram obtidos toureando em redondo com a mão direita, ficando a faltar, no entanto, uma série de grande nota. Com o decorrer da lide, como é seu timbre, demonstrou valor, com vários desplantes na cara do toiro, ovacionados pelo público.

    Volta autorizada para o matador.

    Para abrir a segunda parte desta corrida saiu o nº22, com 535kgs. Toiro mais alto que os seus irmãos e bem posto de cara. Teve mobilidade, mas faltou-lhe fijeza e esperava no momento do ferro. João Salgueiro conseguiu entender as distâncias e terrenos do toiro, deixando dois ferros de nota superior, fechando a sua presença na Moita com uma actuação agradável. 

    Para a cara do Passanha foi o forcado Fábio Silva. Esteve calmo a citar, com o grupo a dar muitas vantagens ao toiro, carregou a sorte de forma algo descomposta, não conseguindo fechar-se da melhor forma e a pega não se concretizou. Na segunda tentativa voltou a repetir-se o sucedido, com o forcado a não conseguir fechar-se na cara do toiro. Na terceira tentativa, já com as ajudas mais carregadas, corrigiu esse momento da sorte e conseguiu receber da melhor forma a investida do toiro, consumando a pega, com destaque para a boa primeira ajuda que recebeu.

    Volta à arena autorizada para ambos.

    Foi na lide do sexto toiro da noite que o ambiente aqueceu. Dos currais saiu o toiro nº34, com 505kgs. O toiro saiu à arena claramente condicionado fisicamente, perdendo as mãos em diversas ocasiões, com o público a protestar cada vez mais a permanência do astado em praça. O director de corrida e o assessor veterinário quiseram esperar para observar durante mais tempo as condições físicas do toiro, e mesmo após o toiro voltar a perder as mãos, numa decisão no mínimo questionável, indicaram que seria para continuar a lide. João Telles limitou-se a deixar dois ferros compridos e dois curtos, saindo visivelmente irritado. Toda a lide decorreu debaixo de uma enorme bronca, com o público a protestar, e de que maneira a decisão de não devolver o toiro aos currais.

    Ainda nesse esse clima de confusão e protesto saltaram à arena os Amadores da Moita para cumprirem a sua função. O forcado escolhido foi David Solo, que esteve bem a aguentar a investida do toiro, a fechar-se de forma correta e com o grupo a ajudar bem, consumou-se a pega.

    Volta à arena autorizada apenas para o forcado, que se limitou a ir aos médios agradecer.

    Em sétimo lugar voltou-se ao toureio a pé, saindo o nº22, com um peso de 450kgs, da ganadaria Murteira Grave. Toiro baixo e bonito de hechuras. Saiu a investir com qualidade, permitindo a Cuqui ter bons momentos no capote, com um par de verónicas a ficarem na retina. Em bandarilhas o tércio acabou por não romper, sobretudo devido ao facto do toiro esperar uma barbaridade. Destaque negativo para o número de vezes que o toiro rematou nos burladeros e na teia, acabando por partir o corno direito já durante a lide de muleta, com o director de corrida e o assessor veterinário a não considerarem que tal lesão impedia a continuação da lide, numa nova decisão questionável. Apesar disso, o toiro evidenciou qualidade na investida, permitindo ao matador desenhar bonitos passes por ambos os pitons, não conseguindo rematar a faena da melhor maneira, porque o toiro acabou por vir a menos.

    Volta à arena para o matador.

    Para fechar a noite saiu à praça o nº20, de Murteira Grave, com 465kgs. Toiro rematado de carnes, bem feito e sério por diante. Juanito esteve bem de capote, sobretudo numa média verónica no remate da série. Após um tércio de bandarilhas sem qualquer qualidade por parte da quadrilha, seguiu-se para a faena de muleta. Destaque maior para uma série de derechazos, em redondo e aproveitando a vibrante investida do Grave. A partir daí a faena foi perdendo ligação, com alguns bons muletazos, é certo, como por exemplo num circular templadíssimo já a fechar a actuação, mas ficou a sensação de que a actuação poderia ter atingido patamares superiores. Voltou a procurar cercanias e a expor-se na cara do toiro, com o público a aplaudir fortemente.

    Volta à arena para o matador.

    Dirigiu a corrida Ricardo Dias, assessorado por Carlos Santos, numa noite em que ambos acabaram por se tornar também protagonistas da corrida, sobretudo devido ao facto de não terem mandado recolher o segundo toiro de João Ribeiro Telles, resultando, tal como já referido, numa enorme bronca por parte do público.


    Diogo Felício