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Campo Pequeno: uma Feira Taurina para poucos


A empresa “Ovação & Palmas” levou a efeito na passada quinta e sexta-feira, duas noites seguidas de toiros em Lisboa, denominando-a de Feira Taurina. Uma fórmula já tentada noutros reinados e de sucesso semelhante, ou seja, pouca adesão da afición lusa. Portanto dizer-vos que o mal é de agora ou até da pouca força dos cartéis, não o é. Recorde-se Maio de 2007: Ponce, José Luís Gonçalves, Juli...e não meteu ninguém, por assim dizer. Como não o meteram outras corridas totalmente a pé realizadas nos últimos anos no Campo Pequeno e outras quantas a cavalo... assim, muito me espanta, o espanto de agora.


Mendes merecia mais e Garrido deu-nos muito

Mais do que lamentar uma praça vazia, pena tenho mesmo que na homenagem de Lisboa aos 40 anos de alternativa do Maestro Vítor Mendes, os aficionados não tenham correspondido para aplaudir a obra deste grande toureiro. O percurso do matador de toiros português, aquilo que fez, que ganhou e deu à Tauromaquia, merecia sem dúvida muito mais presença de público, bem como até mais grandeza no cartel, sem desprimor para qualquer um dos intervenientes. Mas fomos poucos e, caso para dizer, poucos mas bons... Román Collado apareceu no festejo em substituição do lesionado Finito (que atestou baixa médica) e não veio apenas picar o ponto. Toureiro de muita entrega, destacou principalmente frente ao segundo toiro do seu lote; a José Garrido vimos grandes momentos com a flanela no primeiro mas foi no segundo que confirmámos como é detentor de um toureio poderoso proporcionando momentos de toureio com verdade e fazendo do menos, mais; Manuel Dias Gomes não teve matéria com o seu primeiro mas pôde desfrutar frente ao segundo do seu lote, recreando-se entre bons pormenores e desplantes; também Juanito pouco pôde fazer frente ao que foi quarto da corrida, animal sem investida, que inclusive se chegou a deitar. Mas no último da noite, Juanito evidenciou o bom momento que atravessa, o quão moralizado e placeado se encontra, e com cartel junto das bancadas. Os toiros de Voltalegre e Nuñez de Tarifa, muito similares em apresentação tiveram díspares comportamentos, mansos, com mais dificuldades os lidados em terceiro (Nuñez) e o quarto (Voltalegre). Salientar ainda o valor dos bandarilheiros portugueses, Cláudio Miguel, João Oliveira, Jorge Alergias, Filipe Gravito e João Ferreira, estes dois últimos com honras de saírem a saudar. Foi guardado um minuto de silêncio durante as cortesias pela memória dos senhores António Garçoa e João Aranha, falecidos nas vésperas. Relembrar também o brinde de Manuel Dias Gomes a José Trincheira, o “Leão do Alentejo”, antigo matador de toiros e porque do passado “reza a história”.


Faltou público mas não faltou “festa” e uma porta grande…

Mais uma noite de pouca afluência de público no Campo Pequeno em que nem meia casa se conseguiu. A corrida pôs lado a lado, Marcos Bastinhas e João Ribeiro Telles, e foi este último o que logrou melhor sorte. Apesar da pouca presença de gente nas bancadas, ambiente não faltou, cada qual a torcer pelo seu toureiro. Marcos Tenório foi quem mais acusou a pouca transmissão e mobilidade dos seus oponentes, destacando-se mais na sua terceira actuação. Já João Ribeiro Telles reuniu no conjunto das três lides, mais regularidade e segurança, e empolgou as bancadas com o habitual toureio assente nos câmbios. Houve ainda esta noite concurso de pegas, uma disputa ganha pelo forcado Francisco Rocha dos Amadores da Chamusca, tendo também por este grupo pegado Miguel Santos, à primeira. Pelos Amadores do Ribatejo pegaram os forcados Pedro Espinheira (cabo) ao primeiro intento e Dário Silva ao segundo. Pelos Amadores de Cascais pegou Ventura Doroteia e Carlos Dias, ambos ao primeiro intento. Lidou-se um curro da ganadaria António Raúl Brito Paes, rematados em apresentação mas paradotes e a transmitir pouco. No final João Ribeiro Telles foi sacado em ombros e tirado pela Porta Grande, o que então sim nos espanta, já que o Campo Pequeno possui (ou possuía) regulamento interno para abertura da Porta Grande, regrada pelo número de voltas à arena, as quais não estão de momento autorizadas pela DGS como medida de prevenção Covid-19. E é nestes pormenores que também precisamos cuidar a nossa festa, para que a Tauromaquia se garanta com critério, exigência  e claro,...praças cheias.