Realizou-se na tarde de domingo, a primeira das três corridas da Feira de Outubro de Vila Franca de Xira na castiça monumental Palha Blanco.
Apesar das actuais condicionantes, a Palha Blanco apresentou uma bonita moldura humana, com lotação esgotada dentro dos limites permitidos.
Em praça actuaram a pé os matadores El Fandi e Juanito e a cavalo, o maestro António Telles e seu filho, o cavaleiro praticante António Telles Filho.. Pegaram nessa tarde os Amadores de Vila Franca.
O primeiro toiro da tarde com 505 kg da ganadaria Vale Sorraia tocou a António Palha Ribeiro Telles, na sua praça de eleição brinda a sua lide ao público que hoje compôs a Palha Blanco e que prontamente retribuiu o carinho com uma forte e calorosa ovação. Da lide cumpre dar nota de algum excesso de capote, prontamente assobiado pelo exigente público da “Sevilha Portuguesa", a um toiro que se apresentou disposto, sem no entanto evidenciar grande transmissão e bravura.
António Telles levou por diante uma lide em que tirou o que de melhor o toiro poderia oferecer, destaque para o 2ºcomprido e os dois últimos curtos. Pegou este toiro o forcado Luís Valença, brindando ao público da Palha Blanco, e que concretizou à 2ª tentativa, mandando no toiro e recuando eximiamente, colmatando com uma belíssima 1ª ajuda.
O segundo da tarde, da ganadaria David Ribeiro Telles, com 460kg, tocou ao cavaleiro praticante António Ribeiro Telles Filho. Uma rês bem rematada mas de comportamento a não condizer com a apresentação. Um exemplar desligado, a adiantar-se nas reuniões e a obrigar o jovem cavaleiro a algumas passagens em falso e a tourear mais de curto, sem transmitir emoção a esta lide. Destaque para o 2º e 3º curtos em terrenos de compromisso e o 5º dedicado a seu pai, citando o mais de largo possível e rematando ao estribo. Para a pega desta rês, pegou o forcado Diogo Conde, que concretizou à 3ª com um toiro que mas duas primeiras tentativas se arrancou sempre de largo e a mandar não permitindo ao forcado a reunião desejada, mas bem a resolver.
O terceiro toiro da tarde, pertenceu à ganadaria Calejo Pires, com 475kg, e foi lidado pelo matador de toiros El Fandi. Toiro com pelagem bonita, de pouca cara e escorrido de carnes. O diestro espanhol recebeu bem o opoente mas foi o quite de Juanito que empolgou. Fandi executou eximiamente o tércio de bandarilhas levando ao rubro a Palha Blanco. De muleta, e com o toiro a vir a menos, tentou o sacar algo mais, conseguindo ainda duas sérias de naturales de muito boa nota mas pouco mais, andando muito pela ponta da muleta perante um exemplar que humilhava que procurava o matador no final de cada muletazo.
O quarto toiro, com 465kg, da ganadaria Calejo Pires tocou ao matador João Silva - “Juanito”. Em praça um toiro mais rematado e imponente mas também de pouca cara. Juanito andou com temple e poder no capote, para na muleta sacar sumo a uma rês complicada, e conseguiu. Destaque pelas tandas com a mão direita, entendendo os terrenos do toiro e empolgando a exigente Palha Blanco.
António Telles lidou o quinto, da ganadaria de Vale Sorraia com 520kg, um exemplar bem rematado e reservado de comportamento. O cavaleiro desenhou uma lide com perfume diferente da primeira, a cravar nos variados terrenos apesar da menor voluntariedade do toiro. Nota para uma excessiva tendência na entrada de bandarilheiros em praça. Para a pega deste 5º da noite pelos Amadores de Vila Franca, esteve o forcado João Matos que consumou à primeira tentativa, perante um toiro que veio “pelo seu caminho”.
O sexto do festejo, com 475kg da ganadaria Calejo Pires, manso escorrido de carnes, tocou a Fandi e pouco deixou para contar. Voltou a empolgar nas bandarilhas e finalizou a sua passagem por Vila Franca com uma bonita e templada sorte de muleta.
Encerrou a já longa tarde em Vila Franca, o matador de toiros Juanito, com um toiro da ganadaria Calejo Pires com 465kg, que saiu diminuído da mão direita, sendo má opção do veterinário da corrida não mandar recolher este toiro. Juanito andou sério de capote para com a muleta perante um toiro que investia sem nobreza, desenhar a faena possível, de onde se destaca um série pela direita de boa nota.
Francisco Potier Dias