Lisboa: "Duarte Pinto, o protagonista da noite"

NATURALES
Publicado por -

Por cortesia, publicamos com a devida autorização, o apontamento da crítica taurina Catarina Bexiga, publicado na página "Falar de Toiros", a propósito da corrida realizada na passada quinta-feira no Campo Pequeno:

De Toureio a Cavalo, do que por aí se vai vendo (e do que por aí se vai desejando impor, como a “nova verdade”…), cada vez é mais preocupante o caminho que leva… Para que sobreviva com esplendor e riqueza os seus interpretes terão de revelar outra atitude, sobretudo, os mais novos…. porque é deles o futuro! E foi isso que teve Duarte Pinto! Atitude. Boas intenções. Bom conceito. E disposição. Embora, também existam coisas para melhorar... De saída, andou discreto; mas depois para os curtos sacou o “Hábito” e chamou a si a atenção. Ao seu Veiga Teixeira faltou entrega (até foi trotón) e Pinto citou-o (inteligentemente) a favor da querença natural. Mostrou-se nos cites, abordou com rectidão, foi à cara do toiro … e finalmente viu-se “alguém” marcar a diferença! Levou um toque na preparação do quatro ferro, por excesso de confiança, mas que não roubou mérito à actuação. A serie de curtos foi em crescendo e Duarte Pinto foi, indiscutivelmente, o protagonista da noite!
O curro de Veiga Teixeira ficou aquém das expectativas. No entanto, o primeiro da ordem foi um toiro que reuniu várias virtudes. Investiu humilhado e com classe nos capotes e depois teve durabilidade e suavidade. Até me deu a sensação que queria mais e não podia… Apenas fez o senão de raspar no fim. Rui Salvador reconheceu a qualidade do seu toiro e lançou o tricórdio para o ganadero que estava sentado nas bancadas. Os restantes careceram de transmissão, uns procuraram as tábuas, outros não se empregaram, outros ainda rasparam… acima de tudo, faltou-lhe personalidade!
Abriu a noite Rui Salvador, que acabou melhor do que começou, especialmente, com a ajuda do “Hornazo”; de Gilberto Filipe foram melhores as intenções do que os resultados; Manuel Telles Bastos apontou duas convincentes tiras montado no “Império”, mas depois não terminou de romper; Ana Rita cravou os ferros à tira e procurou chegar ao público; e Parreirita Cigano andou em plano irregular (mas teve valor o tempo que aguentou na cara do toiro nos dois últimos curtos).
A noite foi de expectativa para ver dois dos melhores grupos do país. Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Vasco Ponce à primeira, Francisco Barreto também à primeira e Francisco Borges à quarta. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram Vitor Marques à segunda, Manuel Pinto também à segunda e João Belmonte à primeira. Levaram “melhor sabor de boca” os alcochetanos…

Texto e Fotografia: Catarina Bexiga / Falar de Toiros
Tags: