Empresa 'Nossa Praça' de Coruche: "Salva-nos Toiro Bravo, porque não temos mais quem nos salve"

A associação NOSSA PRAÇA, que gere desde este ano os destinos da Praça de Toiros de Coruche, divulgou um texto onde de alguma forma critica as medidas apresentadas para a realização de corridas, e que transcrevemos na íntegra:


"Salva-nos Toiro Bravo, porque não temos mais quem nos salve. Salve-nos a tua natureza indomável, a tua irracionalidade e coragem destemidas. Não temos mais a que apelar.

Dos ataques da Sr.ª Ministra da Cultura e do Sr. Primeiro-Ministro que, não resistindo à tentação de serem a Cúria das congregações pseudo cosmopolitas, estão no campo de batalha politico, embosqueirados como um Toiro difícil de lidar no campo, à espera de, sem o respeito por convenções de qualquer ordem e à primeira oportunidade, destituir a Tauromaquia do seu reconhecimento Cultural. Importantes responsáveis incultos, incapazes de realizar o tamanho da raiz que a árvore da Tauromaquia tem no solo da Cultura Portuguesa e verdadeiros guardiões de uma ideologia politica ditatorial que, por fé ou tacticismo, abraçam com fervor.

No caso da Sr.ª Ministra da Cultura que, segundo palavras da própria, resolveu tornar publica a sua orientação sexual (atitude pela qual temos todo o respeito e que, caso a Sr.ª necessitasse, defenderíamos o seu direito de o fazer onde fosse preciso, e certamente a maior parte dos aficionados também), “por considerar ser importante fazê-lo como afirmação política”, é chocante que, alguém que sente necessidade de se afirmar publicamente num aspeto tão pessoal, consiga ser, ao mesmo tempo, em relação à Tauromaquia, de um preconceito ideológico tão marcado e de uma prepotência que já não lhe permite esconder que quer a sua extinção.

Claramente, o mesmo princípio e direito que partilhamos e defendemos de “afirmação política”, no caso da publicitação que entendeu fazer de um aspeto estruturante da sua vida, tornasse num absoluto preconceito e numa deriva de tirania, quando aquilo que está em causa são os gostos e as convicções de quem sente diferente da Sr.ª Ministra. A Sr.ª Ministra não tinha o direito de aceitar ser ministra de uma tutela onde está incluída e tutelada uma atividade cultural que a Sr.ª Ministra não reconhece como devendo existir. Que considera que levar a cabo uma inconstitucionalidade tributária sobre essa atividade cultural é uma questão de civilização. Que, não tendo a frontalidade de, sequer, pronunciar o seu nome, de uma forma dissimulada, declara estar incluída no mesmo universo das outras atividades culturais, sabendo de antemão que utilizaria de seguida o expediente do concelho de ministros para a proibir e desirmanar das outras atividades culturais. Para completar o ramalhete, proibiu-a com a gracinha de a associar às grutas para, mais uma vez, relembrar a existência dos incivilizados e, pasme-se, no primeiro dia de abertura dos espetáculos culturais pós confinamento, na companhia do Sr. Primeiro-Ministro, faz questão de se deslocar à Praça de Toiros do Campo Pequeno, só a mais importante praça de toiros de toureio equestre do mundo, para assistir a um espetáculo cultural que serviu de forma inequívoca para demonstrar que a ocupação verificada é exatamente adequada à que poderia ser adotada numa corrida de toiros. No dia seguinte, ai se desloca também, para o mesmo efeito, o Sr. Presidente da Republica.

Quando pensávamos ter terminado o espezinhar, saem a 22 de Junho, as regras de abertura das praças de toiros e, mais uma vez, humilham-nos e vandalizam-nos com nova discriminação que obriga a que a mesma Praça de Toiros do Campo Pequeno, caso pretenda realizar uma corrida de toiros, só o possa fazer com metade da ocupação do espetáculo a que os nossos governantes aí assistiram no início do mês e que, inequivocamente, tornam financeiramente impossível a realização de qualquer corrida nesta ou em qualquer outra praça.

Salva-nos Toiro Bravo, já só te temos a ti. Por enquanto.

Mas, se pudermos, tentaremos salvar-te também.

NOSSA PRAÇA
Coruche, 22 de Junho, de 2020"