Crónica de Évora: "Amadores de Évora, Salgueiro e Rouxinol Jr destacam-se em Évora"


Pouco mais de meia praça para a 1ª Corrida de Toiros Sulregas em Évora. Em praça um interessante cartel de três jovens de dinastia, Manuel Telles Bastos, João Salgueiro da Costa e Luís Rouxinol Jr..

No capitulo das pegas em disputa o troféu para melhor grupo estavam os Amadores de Santarém que terminava a temporada e os Amadores de Évora.

Estavam ainda anunciados imponentes toiros de Veiga Teixeira, uma das ganadarias do momento. 

Abriu praça Manuel Telles Bastos, com toda a sua escola da Torrinha. Toureiro de uma linha clássica e muito correcta, que nem sempre tem o justo reconhecimento do público. Em Évora as coisas não lhe correram de feição, calhou-lhe em sorte os piores do lote e o cavaleiro teve pouca matéria para brilhar.

No seu primeiro toiro a lide teve bons apontamentos. Começou por colocar três compridos com correção. No primeiro curto, o toiro levantou a cara com o intuito de colher o cavaleiro. Telles Bastos teve de pisar terrenos para levar a lide por diante, a um toiro que não regia ao castigo mas que tinha investidas bruscas.

O seu segundo toiro foi um manso escasso de força e de mau tipo. Logo de inicio evidenciou pouca força de mãos e assim se manteve durante a lide. O cavaleiro andou esforçado mas nem direito a música teve, o que para mim foi um pouco exagerado, tendo em conta o critério adoptado pela directora de corrida.

João Salgueiro da Costa é daqueles cavaleiros que quanto mais se vê, mais apetece ver. É evidente a evolução que tem tido enquanto cavaleiro nos últimos anos e esta temporada tem tido actuações muito empolgantes como hoje em Évora, onde se apresentou apostado em triunfar.

Iniciou a sua função com dois ferros compridos muito correctos, numa montada com o ferro da “casa”. Nos curtos começou com sortes frontais mas abrindo o quarteio em demasia. Após o terceiro curto as sortes foram mais justas e de maior transmissão.

Na sua segunda lide. Salgueiro da Costa colocou a “carne no assador” e teve momentos de génio fazendo lembrar o pai, nomeadamente, nos dois últimos curtos empolgando as bancadas e justificando em muito a presença em Évora.

Luís Rouxinol Jr. que em declarações ao Rádio Olé na sexta-feira passada referiu que "esta era uma temporada de mudança e de afirmação". E isso viu-se pelas actuações de Évora.

No primeiro toiro teve que se “aguentar” com a bruteza do Veiga Teixeira. Um toiro com investidas bruscas a apertar a montada, mas que o cavaleiro soube estar com ele. Cravou três compridos muito bons e nos curtos preparou as sortes para a colocação de bons ferros.

No seu segundo toiro a sua actuação subiu ainda mais de tom. Certamente decidido a dar resposta à grande actuação de Salgueiro da Costa, Rouxinol Jr. iniciou a lide com uma excelente porta gaiola, pese embora a intervenção do bandarilheiro em não deixar o toiro perseguir montada após a cravagem do ferro. Nos curtos ,e diante de um toiro digno de indulto, o cavaleiro andou a gosto com ferros frontais e justos, colocando a bancada de pé.

Quanto à forcadagem a tarde foi de emoção com vantagem para os Amadores de Évora que arrecadaram o Trófeu Sulregas para o Melhor Grupo.

Por Santarém foram solistas os forcados Francisco Graciosa à primeira, Salvador Ribeiro de Almeida à segunda e António Goes à terceira.

Por Évora, pegaram Dinis Caeiro à primeira, Miguel Direito à segunda e António Torres à primeira sendo a pega da tarde e arrisco a dizer uma das melhores pegas do ano.





Texto: Luís Gamito 
Fotografia: Arquivo/P.Sardinha