Em Cuba, na tarde de 31 de Agosto, dispararam os termómetros como se de um penar anunciado se tratasse… para além de grande, é quente o Alentejo, e mesmo quando os cartéis até reúnem um ou outro motivo de interesse, já não são suficientes para cativar mais que a meia casa preenchida, com a sombra arrobada e o sol com pontos dispersos que revelam que ainda há corajosos.
Mas a corrida, propriamente dita, conta-se de forma breve e sucinta. Um bom curro de Veiga Teixeira, sério e com presença exequível para o tauródromo em questão, investindo praticamente todos, uns com mais raça e codícia que outros, mas regra geral, nobres e móveis, disponíveis e voluntariosos, aparte de matizes e características menos positivas que foram tapadas pelas qualidades supra citadas. Uma corrida completa.
Na parte que se conta depressa, deparei-me com um mano-a-mano involuntário mas que foi o que mais sentido e interessante se viu. Falo de Miguel Moura e Luís Rouxinol Jr, cada um no seu estilo e com os seus argumentos, foram os mais capacitados e esmerados a romper perante os colegas. Miguel Moura andou alegre e comunicativo, procurando efusividade nas passagens, na sua maioria até justas e bem medidas, e nota-se que é acarinhado em Cuba, acabando por vencer o prémio para a melhor lide.
Luís Rouxinol Jr teve o papel inglório de abrir a segunda metade do festejo, em que o público vem frio e ainda uma boa percentagem não retomou aos seus lugares, havendo um ambiente sempre hostil no ar. Quem viu e entendeu, certamente desfrutou… Maduro a lidar, a sacar tudo de um bom toiro de Veiga Teixeira, que era sério mas que não se entregou de bandeja, e o jovem toureiro de Pegões, fê-lo explanar o que de melhor levava. O último curto e o par de bandarilhas foram de nível, colmatando uma das melhores prestações que lhe assisti.
Os restantes pouco aproveitaram as boas intenções dos Teixeiras… João Moura pôs apenas erros; Tito Semedo passou um mau bocado com o mais encastado e andou sempre longe dos terrenos de mérito; António Prates desperdiçou um dos toiros da corrida, passando demasiadas vezes em falso e custando a encontrar sítio, salvando-se um ferro; Joaquim Brito Paes algo intermitente, andou voluntarioso e com vontade e ainda cravou um bom ferro, aguardando-se que lhe sejam dadas oportunidades para ganhar rodagem.
Tarde de bonita e saudável competição nas pegas entre três Grupos Alentejanos.
Por São Manços Hélder Passos esteve correcto com o primeiro, que não foi difícil, e o grupo ajudou bem; Pedro Galhardo teve de lutar mais de braços para ficar na cara do quarto, aguentando bem o toiro e com decisão ficando no primeiro intento.
Pelo Real de Moura foi escalado Gonçalo Caeiro para o segundo, mais difícil de ler e antever, mas que veio firme e com uma mangada algo descomposta e bruta na reunião. Na segunda tentativa o forcado partiu com tudo para o toiro e o grupo entrou a tempo e seguro. João Caeiro não se emendou com rapidez suficiente na primeira tentativa, sendo prontamente despejado. Nas restantes tentativas, esteve valente e decidido, implacável na cara do toiro, nem sempre havendo resposta igual dos ajudas para consumar. Ao quarto encontro, consumou.
Pelo Grupo a representar a cidade mais próxima, os Amadores de Beja, estiveram na linha da frente Guilherme Santos e Manuel Maria Vicente, ambos com desempenhos à segunda tentativa e ambos a mostrarem melhor desempenho nos respectivos intentos de consumação.
O toiro de Guilherme tinha pata e impetuosidade, e o último, pegado já de noite por Manuel Maria Vicente, tinha uma investida mais alta e por isso mais espectacular, com o grupo a ajudar regularmente e com decisão.
Dirigiu a corrida o Sr. Agostinho Borges, tendo sido abrilhantada com a habitual qualidade da Sociedade Filarmónica Cubense 1º de Dezembro.
Os prémios de Melhor Lide e Melhor Pega foram atribuídos a Miguel Moura e Guilherme Santos (GFA Beja).
Pedro Guerreiro