Opinião: "Vamos aos Toiros?"

NATURALES
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Tive a grande sorte de nascer e crescer no Ribatejo, de desde sempre ouvir casa a dentro a questão “Vamos aos toiros?”, que de seguida correspondia a um corrupio, falar dos cavaleiros, dos toiros, dos forcados, discussões até como ainda agora acontece. Afinal, em toda a casa portuguesa há um Mourista e um Telles certo?

Cresci e procurei “beber” junto de quem sabe mais sobre esta tão nobre arte portuguesa, posso dizer-vos que muito aprendi, mas pouco sei. A tauromaquia surpreende diariamente. Cada Toiro é um Toiro, cada ferro é um ferro. Enfim... Se soubéssemos tudo não haveria necessidade de crescer certo?

Aprendi por essas praças fora e principalmente nos últimos anos, que quem acaba com a festa são os próprios aficionados... Muitas vezes ouvi esta afirmação.

Concordei algumas vezes, discordei tantas outras, mas começo a render-me à positiva. De facto, somos “nós” que andamos dentro da festa que a minamos, e minamos sempre que aplaudimos um toiro manso, e minamos cada vez que vemos corridas serem pagas pelos intervenientes só para aparecer e nada dizemos, minamos cada vez que vemos a causa anti-taurina mais forte e refugiamos a nossa luta em vendas de pulseiras, t-shirts e outros artefactos que em termos práticos defendem poucochinho.

Mas, minamos essencialmente por ter medo de afirmar que a Tauromaquia é um Direito. Não há melhor argumento que este, não temos que pedir desculpa por ser aficionados. Ainda aqui há tempos fiz um artigo precisamente a expor alguns argumentos jurídicos para defender a tauromaquia. Que aproveitamento lhe foi dado?

Que saiba, para além das quase 700 partilhas, pouco.

É tempo de largar a tauromaquia-negócio, ou pelo menos não ser esse o principal foco, e trazer mais paixão, mais orgulho, mais carinho a cada corrida, falo sem problemas da empresa da minha terra, “De Caras Tauromaquia”, já ouviram falar certo? Mais que negócio, trouxe a uma praça caída, carinho, amor à causa, orgulho, empenho, e viram no que resultou? Praças cheias, aficionados ligados e a defender a empresa, autênticas manifestações de amor à festa.

Dizem por aí que os Forcados são os últimos românticos da festa. Não posso concordar mais, se todos defendessem a festa como os forcados... Seríamos invencíveis e reparem bem, são os que menos ganham e mais se arriscam. Na nossa realidade, sempre ouvi dizer que “quanto mais me bates mais eu gosto de ti”. Será que se aplica?

É tempo de nos juntarmos, mas a sério. Sair à rua, manifestar. Sim caríssimos, não são só os antis que se podem manifestar, o Direito é nosso, porque é que não o defendemos se nos é atacado? Que as associações, federações e outros -ões falem com quem devem e organizem uma manifestação como manda a sapatilha e vamos ao toiro, sem medos, na rua, todos juntos somos milhares, nada temos a temer.

Eu estou cá, presente, sem medos, sem amarras do politicamente correto (mesmo quando o deveria ter), pela Tauromaquia.

VIVA A TAUROMAQUIA.
VIVA PORTUGAL.
VIVA A LIBERDADE CULTURAL.

Francisco Potier Dias 

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