
Numa altura em que os movimentos anti-taurinos teimam em vincar cada vez mais a sua presença em Évora, no São Pedro a aficion eborense e não só!... deu uma resposta a altura com uma praça completamente lotada.
Em praça três jovens cavaleiros, João Moura Jr e Francisco Palha que estão num momento pleno de afirmação e certeza de futuro e António Prates, um jovem recém cavaleiro profissional que mostra qualidades, mas que ainda tem um bom caminho para percorrer.
Como manda a tradição do São Pedro em Évora, pegou a solo os moços das ramagens locais e lidaram-se toiros de Murteira Grave, que regressava 10 anos depois a Évora nesta mesma data.
Na sua primeira lide Moura Jr. Andou em plano discreto com pouca matéria prima para brilhar. Na sua segunda lide Moura Jr não só empolgou as bancadas com as suas Mourinas, como indultou um excelente exemplar da Galeana com 600 Kg.
Francisco Palha esteve em nível superior na sua primeira lide com uma actuação empolgante como é seu timbre montando o “Roncalito”, embora quanto a mim tenha abusado um pouco da velocidade. A sua segunda lide foi mais templada, menos emotiva, mas não menos correcta perante um toiro que transmitia pouco, mas que Francisco Palha soube dar a lide adequada.
António Prates que se apresentava pela primeira vez enquanto cavaleiro profissional arriscou e pagou por isso, mas prova que tem qualidades e garra para alcançar lugares cimeiros. Na sua primeira lide teve uma grande reacção das bancadas no final com ferros pisando terrenos de compromisso mas permitindo alguns toques. Na sua segunda lide passou por um momento de grande apuro com uma violenta colhida, que quase colocava o cavalo do lado de dentro da trincheira. No entanto o cavaleiro não virou cara à luta e tornou a sair com novo cavalo para terminar a lide em bom plano.
Quanto aos Amadores de Évora a noite foi de triunfo. O grupo comandado por João Pedro Oliveira está numa fase de renovação, notando-se um misto de jovialidade com veterania. Mostram uma grande consistência e isso vê-se em praça.
Destaco as pegas de Gonçalo Pires à primeira e do cabo João Pedro Oliveira que apesar de ser à quinta tentativa, não é qualquer forcados que pega um Grave que não se empregou no cavalo, com 635 kg e cinco anos e meio de idade. Embora o director de corrida Agostinho Borges não tenha consentido a volta, não mostrando o respectivo lenço, Guga Oliveira após extrema insistencia de Francisco Palha deu uma volta muito aplaudida, com o cavaleiro a deixar o forcado sozinho no centro da arena para gaudio das bancadas.... Olé Francisco Palha!
Os toiros Murteira Grave deram um jogo díspar de comportamento, mas isso não tem que ser necessariamente mau, porque como diz o ditado “quem tem unhas é que toque viola” e estes toiros não estavam ao alcance de todos os toureiros e forcados e isso tem um nome...Emoção! E é disto que a festa vive.
Os toiros regressam à Arena d´Évora dia 20 de Junho para uma Corridade de Toiros de Homenagem a Joaquim Bastinhas e apresentação nacional de Guilhermo Hermoso de Mendonza. Em praça vão estar Pablo Hermoso de Mendonza, Marcos Bastinhas e Guilhermo Hermoso de Mendonza. Pegas os Amadores de Évora e São Manços e lidam-se toiros do ferro Passanha.
Luís Gamito