
Um dos episódios bíblicos mais conhecidos e referenciados, foi quando o apóstolo Simão Pedro, três vezes, negou a Jesus.
Por cá, temos outro Pedro, um que frequentou por variadas vezes as nossas praças de toiros (veja-se o próprio na imagem, numa barreira do Campo Pequeno), que inclusive foi um dos autores do livro publicado em 2017 por ocasião dos 125 anos da Praça de Toiros do Campo Pequeno, onde assume o seu "grande gosto por corridas de toiros" e que agora, enquanto "dono" de um novo partido político, escreve uma carta aos seus "aliados", em que por duas vezes se insinua contra a Tauromaquia, dizendo ele que em nome do "principio da liberdade de escolha".
Uma liberdade castradora, portanto. Já que a promete e fomenta, mediante proibições.
Diz ele nessa carta, de forma disfarçada, sem referir o termo "tauromaquia" ou "touradas", mas ainda assim com muita clareza de entendimento para qualquer um que leia o escrito, que "defendemos que em cada comunidade municipal se decida, mesmo por referendo local", no que toca a "eventos ou festas que envolvem a utilização de animais" (1ª negação à Tauromaquia), frisando orgulhoso "somos liberais, não gostamos de proibições".
Um "liberal" que "mudou de casaca" e que defende que o poder local possa proibir as corridas de toiros - o que é ilegal pela lei portuguesa -, e mais, que está disposto a proibir corridas televisionadas na RTP, pois refere "admitimos que esses espectáculos não devam ser transmitidos por canais públicos de comunicação" (2ª negação à Tauromaquia). Sendo de recordar também, que nenhum partido pode limitar a liberdade de programação, pelo que proibir na RTP também é ilegal.
Diz ainda Santana aos seus partidários: "Gostamos da Inovação e da Modernidade mas respeitamos os costumes e as tradições dos Portugueses". Agora baralhei...
Respeita as tradições?! A sério? Não gostará antes mais do poder?
É que recordemos, entre tantas outras coisas - muitas capas de revista inclusive - Pedro Santana Lopes já foi presidente das câmaras da Figueira da Foz e de Lisboa, foi secretário de Estado da Cultura, presidiu ao Sporting e chegou a primeiro-ministro (durante 5 meses e sem ter ido a eleições), comandou a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa...e, não tendo (ou não lhe dando) nos últimos anos, qualquer papel activo no partido do qual era filiado, lembrou-se de criar um novo...
...Pelo que espera reconquistar Portugal, não sendo nem carne nem peixe, através de um partido novo de direita mas com intenções velhas à esquerda, e com um falso pregão de "defensor das liberdades".
E se Simão Pedro negou a Jesus, Pedro Santana Lopes está quase que disposto a "vender a alma" em troca dos votos e de um novo lugar nas legislativas de Outubro.
Mas saiba o Pedro, o das negas de agora, que em Outubro de 2019, poderá mais uma vez o "Sampaio", encarnado no "Povo", dar-lhe a resposta por votos...
E terminando como comecei, segundo as Escrituras, após a negação tríplice, "voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: "hoje, antes que o galo cante, negar-me-às três vezes". Saiu dali e chorou amargamente” (Lc 22, 61-62).
Texto: Patrícia Sardinha
Fotografia: Marques Valentim/Arquivo/DR