Tem a tauromaquia origem nos povos da Península Ibérica onde, em tempos ancestrais, os cavaleiros lanceavam toiros bravos, aproveitando a condição de acometer dessa raça de bovinos. Muito antes de surgirem os reinos que deram origem a Portugal e Espanha já os historiadores romanos se referiam aos povos da Lusitânia dizendo que estes costumavam “combater a cavalo os toiros que têm fúria”. Esses cavaleiros, nesses combates, faziam exercícios para adestrar os cavalos, treinar os seus reflexos e prepara-los para as batalhas na defesa do território e das populações.
Mais tarde desenvolveu-se o toureio a cavalo, como espectáculo em recinto fechado, tendo sempre por base as regras da cavalaria, de enfrentar os toiros de frente e dando-lhes a vantagem de permitir a investida de largo.
Passados alguns séculos, quando em Espanha um rei afrancesado se fez coroar como Filipe V, a tauromaquia teve uma paragem porque o toureio a cavalo desenvolvido pelos nobres não tinha o agrado daquele monarca. Mas o povo espanhol não se conformou com a proibição e desenvolveu-se o “toureio a pé”.
“Toureio a pé” e não toureio apeado, porque não foram os nobres que se apearam para tourear mas sim homens do povo que a pé e com a capa dominavam os toiros e lhes davam a morte com a espada.
Em Portugal a arte do toureio equestre continuou, foi-se aperfeiçoando e quando a rainha Maria II proibiu a morte dos toiros na arena, passou essa sorte a ser substituída pela pega executada pelos moços de forcado.
Têm portanto estas diferentes tauromaquias fortes tradições nos povos peninsulares e elas fazem parte das suas culturas. São hoje manifestações culturais das nações ibéricas, dos povos do sul de França e de alguns países americanos com destaque para o México.
Manifestações culturais essas que contém um conjunto de símbolos, conceitos e significados que foram sendo construídos ao longo da história. O toureiro, tal como o aficionado, tem pelo toiro admiração e respeito. E para todos, o toiro é o principal e indispensável elemento da Festa.
Mas na verdade a Festa Brava tem estado ultimamente muito perseguida em Espanha, França e Portugal. Bruxelas dá o mote e os nossos políticos obedientes aceitam, muito naturalmente as diabruras dos anti-taurinos.
Filósofos e pensadores à tauromaquia se têm referido e se, por exemplo, José Ortega y Gasset se expressou como “não ser possível entender a história de Espanha sem ter em conta a festa dos toiros”; o nosso Miguel Torga referiu-se ao campino-cavalo-toiro, como “as últimas forças viris da Criação, das eras selvagens e testiculares que a civilização castrou”.
E se a maioria dos media e a maioria dos mandantes deste país – que não sabem ver a diferença entre uma vaca barrosã e uma mertolenga - alinhados pelo “politicamente correcto” e ao gosto de Bruxelas são indiferentes ou contra a cultura taurina, miram a pátria como um suspeito e temível bairrismo e semi-cerram os olhos às ofensivas contra os toiros, contra os ganaderos, contra os campinos, contra os toureiros e contra forcados, têm as tertúlias tauromáquicas o dever de promover no seu seio a formação de jovens aficionados. Se essas tertúlias forem compostas – como quase sempre são – por aficionados com médias de idade superiores a meio-século, fica por fazer uma “escola” tauromáquica e a pouco e pouco perdem-se os “valores” que sustentam a cultura taurina.
Por: Manuel Peralta Godinho e Cunha