Crónica do Concurso de Pegas/Corrida do Emigrante: "Foi à meia dúzia mas não chegou"

NATURALES
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Juntaram-se seis grupos de Forcados, seis cavaleiros, uma ganadaria e duas temáticas numa corrida só, a do Emigrante e o Concurso de Pegas.

Tanta 'gente', e tão pouco 'sumo' se extraíu deste espectáculo, que contudo resultou agradável ainda que pouco consistente de triunfos, numa mistura de actuações e pegas que viram, mas não convenceram.

E em terra de Forcados, ganharam por unanimidade, os 'visitantes', os Amadores de Turlock (Califórnia), que pelos braços de Jorge Martins, consumou à primeira uma pega rija, correcta na sua concretização, e coadjuvada com eficácia pelos restantes elementos.

Antes disso, fizeram as honras da casa os Amadores do Ribatejo, sendo cara André Martins, com o toiro sem complicar, resultou numa pega fácil e consumada ao primeiro intento. Por S. Manços, o novo cabo, João Fortunato, também efectivou à primeira, com o toiro quase a parar-se no momento da reunião, havendo tempo para lhe deitar os braços, ainda sofrendo um violento derrote mas a aguentar-se e a consumar. Francisco Borges dos Amadores da Chamusca, viu o seu toiro arrancar-se alegre ao cite, para também no momento da reunião ter comportamento semelhante ao 'irmão' de camada. O jovem forcado ainda reuniu para depois ser levado a sair da cara do toiro. À segunda, consumou com mais ofício. Pelos Amadores de Monforte, Dinis Pacheco citou com mando, viu o toiro baixar-lhe a cara no momento da reunião e consumou sem problemas à primeira. António Machado, dos Académicos de Elvas, viu três intentos desfeitos, em reuniões pouco assertivas e com o toiro a ser violento nos derrotes. À quarta, com ajudas carregadas, despejou o toiro os elementos, aguentando-se bem o forcado da cara e assim consumando.

Na parte equestre, faltou alguma consistência e ambição.

Luís Rouxinol abriu cartel, perante o mais pesado da corrida, com 606 kg, animal grande e comprido, bem apresentado onde foi evidente a experiência do cavaleiro de Pegões, com um toureio de ligação, sendo cumpridor com a ferragem, destacando-se os dois bons compridos que cravou e não descurando os remates das sortes. Contrariou tendências do toiro para o sacar das querências mas transmitiu pouco o animal nas reuniões, numa actuação completa e regular de Rouxinol.

A garra e a valentia de Sónia Matias não fizeram nessa noite frente à carência de montadas, numa lide de pouca, ou nenhuma, história, perante um animal manso e de pouca força, com 558 kg de peso, mas que não impingiu dificuldades de maior. Pouco assertiva na ferragem, da jovem toureira ficam-nos os dois compridos de boa nota.

Gilberto Filipe andou desenvolto e correcto na ferragem, com uma lide bem conseguida, mas faltou-lhe alguma quietude principalmente no momento de partir para as sortes. O seu toiro, com 530 kg, imitou os anteriores na pouca raça e transmissão. Ainda assim, viu-se um cavaleiro voluntarioso, que soube entender a matéria que teve pela frente.

Francisco Palha, teve tudo para dar os melhores momentos da noite, inclusive o melhor toiro da corrida, com 550 kg, que apesar de berrar demasiado, por várias vezes se arrancou sozinho ao cite do cavaleiro. Contudo, o cavaleiro não soube primar pela regularidade. Deixou-se apanhar por duas vezes contra as tábuas, e consentiu demasiados ferros falhados e passagens em falso. Pelo meio, viu-se um toureiro de classe, com sortes bem desenhadas, mas que só se sentiu a gosto quando dispôs do floreado do violino.

Foi nos dois mais jovens que se sentiu maior ambição de demonstrar alguma coisa e também neles se sentiu uma grande segurança.

Miguel Moura lidou o quinto, com 510 kg, frente ao qual protagonizou um toureio mecanizado e insistente nos cites de praça a praça. Com uma desenvoltura na brega, ainda que por vezes resultasse aliviada a ferragem, chegou facilmente às bancadas a lide do jovem cavaleiro.

Mas foi no fim da noite, que chegou alguma frescura, com o praticante Parreirita Cigano. Apesar de ser o menos experiente, o cavaleiro apresentou-se calmo na arena do Campo Pequeno, frente ao seu toiro, com 558 kg. Demonstrou um toureio de boas intenções, sendo cumpridor com a ferragem, de onde destaco o segundo e terceiro curto, ainda que para as bancadas fossem mais meritórios os quiebros que se seguiram. Descurou por vezes a brega e os remates das sortes mas a vontade, essa está lá.

Os toiros da ganadaria do Eng. Luís Rocha, foram desiguais de tipo, alguns avacados, sendo de comportamento um curro de pouca força e transmissão, sem classe de investida no capote, mas que ainda assim foram 'irmãs de caridade', deixando-se sem complicar, sobressaindo o lidado em quarto lugar, um toiro com mobilidade e que se arrancou por várias vezes pronto ao cavaleiro.

Dirigiu com critério e exigência, não cedendo ao 'populismo' da concessão de música, o sr. Pedro Reinhardt, assessorado pelo veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.


Foi assim uma noite de variedade, e 'variedades', mas faltou muita coisa...







Por: Patrícia Sardinha