Da ATTP - Associação de Tertúlias Taurinas de Portugal recebemos um comunicado referente aos acontecimentos ocorridos na última sessão da Assembleia da República em que a tauromaquia foi tema geral.
Na íntegra, transcrevemos o comunicado:
Em Defesa da Festa de
Toiros, pela Liberdade e pela Democracia
A Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal (TTP),
representante de milhões de portugueses que gostam da Festa de Toiros nas suas
mais diversas manifestações (na rua em festejos populares, ou nas Praças de
Toiros), saúda os Deputados que, em esmagadora maioria na Assembleia da
República, votaram contra propostas de Lei apresentadas pelo PAN, pelo BE e
pelo PEV que muito lesariam a Festa de Toiros.
Foram “chumbados” no Parlamento Projetos de Lei que visavam,
no imediato, impedir os jovens de se iniciarem na aprendizagem da arte de
tourear; impor aos municípios com atividades taurinas uma proibição ilícita de
apoiar manifestações festivas com raízes profundas nas vivências das suas
populações; cercear a liberdade de imprensa e impedir a RTP de transmitir
espetáculos ou programas com conteúdos tauromáquicos. Esse era apenas um passo
tático dos anti-taurinos que visam mais longe, proibir todas as manifestações
taurinas no nosso país. De facto atacam agora a tauromaquia, devido à
visibilidade que a Festa lhes dá, mas os seus fins estão ainda mais além. Visam
impor a toda a sociedade mudanças de fundo, baseadas em ideais misantrópicos,
no sentido de perverter e desnaturalizar a relação das pessoas com os animais e
com a natureza, com todos os desequilíbrios morais, sociais, culturais e
ambientais que tal implicaria.
No nosso entendimento, com o seu voto a esmagadora maioria
dos Deputados da Nação não declararam adesão à Tauromaquia e aos seus valores.
Quanto a isso, seguirão como antes, uns a favor, outros contra e outros ainda
mais ou menos indiferentes. Mas agiram com responsabilidade, defendendo a
liberdade de imprensa, impedindo que as opções de programação da televisão
pública sejam determinadas politicamente. Defenderam a autonomia das famílias
(no respeito pelas leis) na educação dos seus filhos e destes na afirmação da
sua vocação. Deixam às comunidades locais, e aos órgãos que as representam
diretamente, as autarquias, o direito a organizarem as suas festas de acordo
com a sua identidade, com a sua tradição, com o seu gosto e os seus afetos.
Além disso, os Deputados agiram com a seriedade de quem tem
consciência de que o proibicionismo taurino geraria um gravíssimo potencial de
alteração da ordem pública nas centenas de localidades em que o Toiro de lide é
amado e convertido no centro de uma Festa com profundo significado para aqueles
que a fazem.
Manifestaram também sentido de justiça. Com que critérios, a
não ser o preconceito e a intolerância, se podem uns poucos arrogar o direito
de impor aos outros uma determinada e única maneira de pensar, de sentir e de
agir?
Os aficionados aos Toiros declaram-se fartos de
perseguições, insultos e vitupérios que atentam contra a sua dignidade e bom
nome. Não pretendem nem procuram obrigar ninguém a gostar do que eles gostam
nem a pensar como eles pensam. Respeitam quem os respeitar. Amam o toiro porque
amam a bravura, a força telúrica que transporta e a beleza que a natureza lhe
concedeu. Apreciam a coragem dos homens que o enfrentam num jogo de exaltação
da vida e de superação das fraquezas humanas. Celebram a solidariedade e a
inteligência que permite aos frágeis humanos tornar-se fortes. Exaltam a
criatividade artística do toureio produzida com o risco da própria morte. Celebram
a amizade e a alegria em comunhão festiva, por se sentirem parte de um todo que
os une aos seus semelhantes.
Vivemos tempos em que crescem a intolerância, a violência
contra as pessoas mais desprotegidas e o egoísmo. Pelo contrário, o sentido
humanista da vida recua perigosamente, ameaçando escaladas que colocam em risco
as bases da nossa sociedade. Deveríamos aprender com o passado, quando forças
tenebrosas promulgavam proibições baseadas sobre falsas ideias de proteção dos
animais, ao mesmo tempo que massacravam milhões de seres humanos. Não podemos
permitir que a palavra “proibir” se sobreponha às palavras “liberdade” e
“democracia”.
Os aficionados à Festa de Toiros são cidadãos iguais aos
outros. Em direitos e deveres. Incluindo os deveres para com a natureza, para
com os animais e, acima de tudo, para com os homens. Revêm-se na cultura
tauromáquica e identificam-se com os seus valores, sem com isso deixarem de se
sentir cidadãos do mundo e do seu país.
Têm consciência de que os ataques proibicionistas e as
campanhas de mentira, demagogia e mistificação acerca do que é a Festa de
Toiros vão continuar, se não mesmo crescer, à medida que crescem os apoios
monetários estrangeiros às atividades anti-taurinas. Os aficionados
prosseguirão por isso empenhados na defesa do direito à liberdade e à
democracia cultural, unindo-se e apoiando todos aqueles que, nos seus postos,
defendam os mesmos valores civilizacionais que são o cimento do nosso futuro.
Alagoa, 22 de julho de 2016
A Comissão Instaladora da TTP – Associação de Tertúlias
Tauromáquicas de Portugal