Efeméride: 8 de Abril - O dia em que Juan Belmonte decidiu morrer

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Cumprem-se hoje 53 anos, do dia em que o matador de toiros Juan Belmonte, decidiu por vontade própria, morrer.
Juan Belmonte nasceu em Sevilha, tendo crescido no famoso bairro de Triana. Frequentou a escola primária até aos oito anos e cedo ficou órfão de mãe. Foi com o pai que começou a frequentar cafés nas taurinas ruas sevilhanas.
Apesar de ter saído cedo da escola, aprendeu a ler com amigos, e gostou tanto da leitura, que chegava a ler 70 livros por temporada. Conta-se até que uma tarde, quando o moço de espadas o ía vestir para uma corrida, disse que não podia ir tourear porque tinha que terminar o capítulo do livro de Anatole France. E assim fez...
Aos 11 anos de idade, e com um grupo de amigos, começou a vida de 'maletilla', toureando às escondidas durante a noite em ganadarias próximas.
Quase um autodidacta, Belmonte foi desenvolvendo a arte de tourear e através de um bandarilheiro amigo do pai iniciou-se nos primeiros festejos.
Aos 17 anos vestiu pela primeira vez de luces, e fê-lo em Portugal, mais precisamente em Elvas.
A 21 de Julho de 1912 triunfou como novilheiro na Real Maestranza de Sevilha e a 7 de Outubro desse mesmo ano triunfou em Madrid, chamando assim a atenção dos aficionados que logo o apelidaram de "Pasmo de Triana".
Tirou a alternativa em Madrid a 16 de Setembro de 1913 tendo por padrinho a Machaquito, que nessa mesma corrida cortou a coleta, e de padrinho a Rafael 'El Gallo'.
Em 1914, deu início a uma das maiores rivalidades dentro de praça da História da Tauromaquia: Belmonte e Joselito.
Onde quer que os dois actuassem, os adeptos de cada um arranjavam briga e confusão, cada claque defendendo o seu toureiro, naquela que foi considerada a Idade de Ouro da Tauromaquia.
O ano de 1917 foi de excelência na carreira de Belmonte, tendo no final desse ano, apresentando-se pela primeira vez no Perú, onde ficou a viver um ano.
Em 1922 anuncia a sua primeira retirada dos ruedos, tendo reaparecido em 1924.
Converteu-se em ganadero e continuou a tourear até 1936.
Juan Belmonte fez o que se chama de 'revolução belmontina'. Tirou o toureio das pernas e levou-o aos braços, deixando quietos os pés, guiando-se o toiro apenas com os membros superiores. Não concebia a ideia de existirem terrenos do toiro, pois para ele todos os terrenos são do toureiro desde que seja capaz de se meter neles. Esta ideia, permitiu-lhe um toureio mais templado, de maior proximidade, com as mãos baixas, nascendo assim os três tempos da lide: parar, templar e mandar.
Belmonte foi o 'pai do toureio moderno', uma figura única, um génio... E como todos os génios era um ser inquieto.
Essa inquietude manifestava-se por não aceitar bem a decadência física, o envelhecimento e à perda dos amigos...
Existe inclusive uma história, em que Belmonte respondeu a uma carta do conhecido crítico Rogério Perez 'El Terrible Perez', onde o jornalista lhe perguntava quando regressaria Belmonte às arenas, e a resposta do toureiro foi clara do seu espírito inquieto: "Ainda não estou seguro se volto ao toureio, é muito o medo que tenho que vencer antes de me decidir".
No dia 8 de Abril de 1962, Belmonte visitou pela manhã aquela foi o seu último amor, Enriqueta. Deixou-lhe vários presentes, onde se incluíam fotografias duas com dedicatórias, dizendo-lhe "Quando eu morrer, vende-as que farás dinheiro". De tarde, saíu a cavalo pela sua herdade, diz-se que provavelmente procurando que algum toiro o matasse...Mas à noite, já a altas horas, fechou-se no escritório, e suicidou-se com um tiro.
Já dizia o próprio Belmonte "Se torea como se és" e Belmonte, que pôs mando no toureio, mandou também na sua vida, que o próprio decidiu pôr termo a poucos dias de completar 70 anos...
 
 
Fonte: abc.es / wikipédia / GTSector1