Festival Taurino de Serpa: Daniel Luque na arte de Montes e Joaquim Brito Paes na de Marialva foram as centelhas de luz que brilharam numa cálida tarde de primavera na Cidade Branca da margem Esquerda do Guadiana.
Integrado nas tradicionais festas em honra de Nossa Senhora de Guadalupe realizou-se no passado sábado dia 4 o também já habitual festival taurino a favor dos Bombeiros locais.
Um cartel misto composto por jovens de aquém e além fronteira. A cavalo estiveram Manuel Lupi, João Maria Branco, Salgueiro da Costa, o Rojoneador José Luís Pereda Jr, e Joaquim Brito Paes, estando a lide apeada a cargo dos matadores Espanhóis Juan Pedro Galan e Daniel Luque.
Iniciou a função Manuel Lupi que perante um Varela Crujo pouco colaborante esteve vulgar tanto nos compridos como nos curtos. Registamos de melhor nota o último curto. Rematou com um ferro de palmo.
A seguir saiu, pela porta dos sustos, um Pereda encastado que permitiu a Luque lançar no ar o suave perfume da sua arte toureira. Com o capote recebeu-o por verónicas rematadas com uma meia. A seguir mais um bonito quite rematado por duas gaoneras de classe. Com a muleta pregou os pés no terreno, toureou por derechazos e naturais cingidos e artísticos. Fez um desplante e simulou a estocada a volapié. Não é por acaso que se encontra entre os melhores do país vizinho.
Para João Maria Branco veio um Ascensão Vaz feio de córnea e a quem o ginete apontou dois compridos entrando de frente. Nos curtos esteve irregular terminando com um último de boa nota.
O Cavaleiro de Valada do Ribatejo, Salgueiro da Costa, também teve pela frente outro Ascensão Vaz. Bregou melhor do que cravou embora tenha terminado a sua atuação com um bom curto.
Juan Pedro Galan esteve perante o mais bem apresentado novilho de quantos saíram à arena nesta tarde de Serpa. Com o capote toureou pelas já habituais verónicas baixando a mão e rematando o quite com uma meia. Com muleta usou as duas mãos numa faena que resultou agradável. Simulou a estocada a volapié em sorte contrária.
Galan e Luque vieram a Serpa dizer que em Portugal também se pode tourear bem a pé. Assim os empresários o queiram e o público compreenda.
Pereda Jr. que no início da sua faena escutou uma cantata Sevilhana por parte de um espetador correu muito mas toureou pouco. Esperemos por melhores dias.
Finalmente saiu à arena o mais jovem elemento da dinastia Brito Paes para defrontar um novilho de seu pai. Castanho, baixel que saiu solto e a tender para as tábuas. Brito Paes meteu-lhe dois compridos de boa nota. Mudou para os curtos e aproveitando a tendência do hastado deixou-lhe um bom sesgo. O novilho cresceu e então tivemos toureio a sério, com arte valentia e sentido de lide. Terminou com o público na mão.
Tarde fácil para os homens da jaqueta de ramagens com todas as intervenções executadas à primeira tentativa. Por Cascais foram solistas António Grade, Luís Barbosa e João Sepúlveda que foi acompanhado na volta à arena pelo primeiro ajuda.
Por Beja estiveram na frente Miguel Sampaio e Diogo Morgado.
A meia casa registada leva-nos a pensar que alguma coisa terá que ser revista neste Portugal das touradas. Que meditem ganadeiros, empresários e artistas.
Dirigiu o festival o senhor Agostinho Borges.