As Praças de Touros e os Cabelos Brancos

NATURALES
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Artigo de Opinião do Prof. Sebastião Valente


Quando, numa corrida, nos momentos que decorrem entre a recolha de um touro e a saída do seguinte passamos uma vista de olhos pelas bancadas das nossas praças constatamos com alguma apreensão que predominam em larga escala os Cabelos Brancos, embora, aqui ou acolá, salpicados por uma franja de juventude.
Dizemos que vemos isto com alguma apreensão porque tal como a nossa população está a envelhecer os espectadores da Festa não estão a fugir à regra. E se aparecem ainda alguns jovens é porque a força de trinta ou trinta e tantos elementos dos Grupos de Forcados que se fardam em cada corrida acabam por os arrastar. São as namoradas, os amigos e amigas, as irmãs e os irmãos e alguns, poucos, em que já vai dentro de si germinando alguma aficion .
Por tudo isto parece-nos ter chegado a hora de se começar a fazer alguma coisa para inverter o rumo dos acontecimentos.
Há que semear para mais tarde se poder vir a colher os frutos desse labor, ainda mesmo que não sejam aqueles que o fizeram que sejam os directamente beneficiados.
Criar sectores com preços reduzidos destinados aos jovens, exercer uma pequena acção pedagógica durante os espectáculos utilizando as aparelhagens sonoras instaladas nas praças. E essa acção pedagógica não precisa de ser nenhuma descrição exaustiva do que se está a passar mas basta, tão somente, indicar o nome do Cavaleiro ou Matador em praça, da montada utilizada no momento pelo ginete, o Grupo de Forcados que acaba de saltar à arena e o seu Forcado da cara.
São pequenos pormenores que nada custam, mas que poderão ir, ao longo de uma e outra temporada, formando espectadores cada vez mais conhecedores e, consequentemente, mais aficionados e capazes de transmitir a outros esse prazer de assistir a um bom espectáculo taurino.
Além disso incluir nos cartéis cada vez mais elementos jovens que, com sua força, a alegria da sua mocidade, atrairão consequentemente novos espectadores.
Procurar eliminar, dentro do possível, os tempos mortos de cada corrida e tentar adequar, a cada circunstância, o melhor horário para a sua realização.
Finalmente procurar inovar em termos publicitários, com cartazes mais atraentes e chamativos à atenção da juventude.
Pensamos que, de momento, se este papel poderá caber essencialmente às empresa nenhum dos outros elementos intervenientes na Festa de Touros se deverá alhear fazendo dele uma bandeira e uma luta constante.
Só assim se poderá afirmar, sem grandes receios, que a Festa está viva e se recomenda.
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