MATEUS PRIETO PROMETE
Arena d’Évora, 31 de Outubro, 2009
A praça de toiros Arena d’Évora deu este sábado por encerrada a sua temporada com um Festival de Beneficência a favor da Cáritas. Um cartel de gente jovem encabeçado pelo veterano Francisco Núncio, uma selecção de Forcados Eborenses e reses de várias ganadarias, foram atractivo suficiente para que os aficionados se solidarizassem com a causa e preenchessem cerca de meia casa. O espectáculo decorreu num ambiente de festa e surpreendentemente foram os menos experientes os que sobressaíram.
O cavaleiro Francisco Núncio abriu a tarde frente a um novilho de Pégoras com 490 kg e prestou-se a uma actuação limpa, com alguma irregularidade na ferragem comprida, estando posteriormente melhor nos curtos. Mas para quem pouco ou nada toureia ao longo de uma temporada, foi notório que os ‘deveres de casa’ continuam a ser feitos e agradou com a sua actuação.
O cavaleiro praticante Tomás Pinto teve pela frente o novilho de Assunção Coimbra com 470 kg e teve uma actuação com pouco para contar. A sorte não lhe sorriu, acusou nervosismo, andou sempre muito acelerado, sem entender o oponente e consentiu demasiados toques. No final não deu volta, humildade que os mais velhos e de alternativa por vezes não têm.
A Francisco Zenkl calhou em sorte o novilho de Rio Frio com 470 kg. Na ferragem comprida andou desastrado frente a uma rês com muita pata. Nos curtos a actuação melhorou, apesar dos primeiros ferros serem deixados de forma aliviada, agradou com o terceiro e quarto ferro. Sofreu ainda um aperto nas tábuas antes de cravar mais um ferro a pedido do público.
João Soller Garcia teve pela frente um toiro Murteira Grave com 4 anos cumpridos e 505 kg e que, apanágio dos graves, não facilitou, sendo a rês mais séria da tarde. Soller Garcia andou correctíssimo nos compridos, mas nos curtos foi a menos. Embora a ferragem até resultasse certeira, sofreu fortes toques na montada que acabaram por retirar brilho à actuação.
Manuel Vacas de Carvalho, cavaleiro amador, lidou um novilho de Passanha com 420 kg que não complicou. A actuação foi em crescendo, com uma ferragem comprida irregular, melhorou nos curtos, aproveitando-se da facilidade da rês e chegando facilmente às bancadas. Deixou uma passagem positiva por Évora.
Mateus Prieto teve outro exemplar de Pégoras (em substituição do anunciado Canas Vigouroux) com 460 kg e surpreendeu pela positiva. Teve a actuação mais correcta e foi aquele que demonstrou mais garra. Partiu de frente para o novilho e por vezes abriu ligeiramente a sorte, o que não sendo desculpa é compreensível para quem começa, mas deixou a ferragem toda no sitio. Esteve bem na brega, apresentou boas montadas e mostrou que sabia o que estava a fazer. É um miúdo que promete, assim ele tenha cabeça e vontade de continuar pelo bom caminho. Rematou a actuação com três ferros violinos (o que já me parece um exagero, mas compreende-se o entusiasmo) e um de palmo.
No que toca às pegas e à selecção de Forcados Eborenses, pegaram: Vasco Fernandes (do grupo de Évora) à 2ª tentativa a aguentar bem os derrotes depois de na primeira faltar ajuda e não ter aguentado; Francisco Borges (do grupo de Montemor) sem ajuda caiu mal e acabou dobrado por Manuel Ramalho que concretizou; Gonçalo Guerreiro (do grupo de Évora) esteve bem à segunda com um bom primeiro ajuda; Ricardo Casasnovas (do grupo de Évora) não aguentou o “avião” Grave no primeiro intento e à segunda consumou com ajudas; Manuel Murteira (do grupo de Santarém) fez parecer fácil a quinta pega da tarde que concretizou ao primeiro intento; e por último, Duarte Almeida (do grupo de Évora) não se fechou bem à primeira tentativa, consumando à segunda.
O Festival decorreu com ritmo e creio que nestas iniciativas, independentemente do resultado e para além do carácter social de ser um espectáculo de beneficência, resta acrescentar que, e excluindo Francisco Núncio, estávamos a assistir a actuações de jovens em inicio de carreira. É natural que errem, sejam profissionais ou amadores, todos têm um dia actuações menos bem conseguidas. A diferença é que estes, os novos, ainda vão a tempo de se corrigir, ainda têm muito para aprender e apesar de os ‘criticarmos’, toleram-se os erros. O pior é quando os ‘males’ tocam aos ‘veteranos’, para esses já não há remédio e são os que menos admitem as ‘criticas’.