Patrícia Sardinha en la tradicional corrida de Aldeia da Luz (Mourao) y sus verdades como templos

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À vontade do Povo…

Luz (Mourão), 5 de Setembro, 2009

Já diz o povo que “se queres um trabalho bem feito, fá-lo tu próprio” e com razão. Na aldeia da Luz (Mourão) depois de ‘encomendado’ um cartel a uma empresa, resolveu a Comissão de Festas declinar a proposta (mesmo já com a publicidade na rua) e montarem eles próprios uma corrida a seu gosto, que mais ou menos bem conseguido, foi o cartel que os luzenses quiseram para as suas Festas em honra da Nª Sra. da Luz e que acontece sempre a cada primeiro fim-de-semana de Setembro.

No entanto faltou um ingrediente, o toureio a pé, vertente única aquando das festas na antiga aldeia, naquela pracita rectangular e feita de pedra, hoje submersa e que na nova aldeia, nos primeiros anos, ainda se manteve presente com a realização de corridas mistas. Pena que este ano assim não o fosse também, dado que na aldeia da Luz sempre se recebeu muito bem o toureio a pé.

Saudosismos à parte, a corrida do passado sábado contou com cerca de ¾ de casa, muito calor e teve inicio com um minuto de silêncio em memória do cavaleiro José João Zoio. Rui Salvador, Filipe Gonçalves e o praticante Marcelo Mendes disputavam o troféu para a melhor lide, e os grupos de Moura, Póvoa de São Miguel e Monsaraz o troféu para a melhor pega. Os toiros pertencentes à ganadaria de São Marcos excepto o lidado em primeiro lugar que era de Santa Maria, tiveram desigual apresentação mas não defraudaram as minhas expectativas saindo escassos de forças como já vem sendo habitual nesta ganadaria, chegando mesmo a deitarem-se na arena, ainda assim tinham alguma mobilidade e deixaram-se lidar.

Filipe Gonçalves lidou o primeiro e terceiro da ordem por ter que abandonar a Luz a tempo de tourear de noite na Nazaré, e talvez tenha sido essa a razão pela qual o algarvio impingiu celeridade nas actuações. Principalmente na primeira, frente a um toiro de Santa Maria com alguma dificuldade motora, que perseguia a passo e a quem o cavaleiro efectuou uma lide cingida aos ladeios, acrobacias equinas, ferragem irregular, sem que a actuação tivesse chegado muito às bancadas. Na sua segunda lide voltou a apostar nas qualidades equinas e teve mais sorte. Começou por deixar a ferragem inicial denunciando a viagem, depois agradou nas bancadas por aguentar a curta distância, e após um quiebro cravar um ferro curto. Depois de tentar repetir a dose e de sofrer um toque, remedeia com dois ferros violinos e um de palmo já passado. Atrevo-me a dizer que o ‘furacão do Algarve’ apenas deixou ligeira brisa pela aldeia da Luz.

Rui Salvador que viu ao intervalo ser-lhe feita uma singela homenagem pelos 25 anos de alternativa, marcou a diferença entre a experiência e a vivacidade de quem agora começa. No primeiro toiro do seu lote, de menor andamento e que se fechava em tábuas, demonstrou que a garra e o respeito se têm tanto nas praças de aldeia como nas principais praças do país. Toureou de frente, cravou certeiro, com poder, com o labor de quem sabe o que está a fazer, sem pressas e sem enganos. Um exemplo. No seu segundo, uma rês que custava a fixar-se, voltou a andar por cima, com ferros de boa nota e sempre muito comunicativo com o público.

Marcelo Mendes é um jovem cavaleiro que tem determinação, mas que por vezes deveria ser menos precipitado. No primeiro toiro do seu lote e depois dos ferros compridos regulares, sofreu aperto nas tábuas ao cravar o primeiro curto. A restante ferragem resultou aliviada, com sortes demasiado abertas e terminou com um par de bandarilhas ligeiramente descaído. O burraco que fechou a tarde saiu com muita força e deu provas disso a um peão de brega que ainda se viu aflito com ele. Marcelo cumpriu na ferragem comprida e nos curtos voltou a exibir-se com um toureio que por vezes escasseia em preparação, o que se reflectiu em ferros passados e uma passagem em falso, no entanto chegou facilmente às bancadas com um ferro violino e outro par de bandarilhas. O jovem praticante viu esta sua actuação ser premiada com o troféu de melhor lide, o que na minha opinião não foi muito meritório porque não foi a lide mais regular da tarde. Mas que lhe sirva de incentivo para melhorar e continuar.

No que toca às pegas a tarde não foi complicada, pelo grupo de Moura pegou Rui Aleixo à primeira sem dificuldades e também com pouca preparação; e João Cabeça também à primeira sem problemas. Pelo grupo da Póvoa foram à cara dos toiros, Rui Rodrigues que pegou à terceira com as ajudas carregadíssimas depois de duas tentativas em que o jovem forcado não reunia bem; e Sebastião Caeiro à primeira fechando-se bem. Pelo grupo de Monsaraz pegaram Luís Rodrigues sem dificuldade ao primeiro intento; e David Rodrigues também à primeira. Sebastião Caeiro foi o vencedor do troféu em disputa.

Dirigiu a corrida o Sr. Agostinho Borges assessorado pelo veterinário Matias Guilherme numa tarde da qual ainda me questiono da volta ao ruedo pelo ganadeiro. Seria pela habilidade que estes toiros tinham de se deitar na arena?!

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