O regresso da Pedritomania?
Campo Pequeno, 14 de Maio, 2009
A segunda corrida desta temporada na praça de toiros do Campo Pequeno resultou num espectáculo misto, com honras de transmissão televisiva. Casa cheia, público heterogéneo, com muitas caras famosas da imprensa rosa nas bancadas. Afinal, para além da corrida ser atribuída a uma revista/jornal deste tipo de reportagem leve, toureava também Pedrito de Portugal, e Pedrito sempre teve no seu círculo de amigos e seguidores o dito “jet-7”.
Fofoquices à parte, a corrida acabou por resultar bem como espectáculo de entretenimento. Antes da corrida ter inicio, a empresa do Campo Pequeno entregou os Galardões a El Cid e a El Boni, como melhor matador de toiros e bandarilheiro respectivamente, no Campo Pequeno a temporada passada. Paulo Caetano, vice-presidente do Sindicato dos Toureiros, entregou ainda uma lembrança a José Eduardo Moniz, director-geral da TVI pelo apoio à tauromaquia.
Um cartel misto com duas das maiores promessas do toureio a cavalo, Manuel Telles Bastos e Manuel Lupi. E dois matadores de renome, o português Pedrito de Portugal que tem andado afastado das lides e uma das máximas figuras actuais de Espanha, Manuel de Jesus “El Cid”. Os toiros foram da ganadaria de Santa Maria para as lides a cavalo, e estiveram bem apresentados, colaboraram no geral não obstante de serem querenciados e os de Brito Paes, para as lides a pé, mostraram-se justos de forças, cumpriram com a apresentação, destacando-se pela positiva o lidado em sexto lugar que tinha muito para dar. Pegou o grupo de forcados do Aposento da Moita.
A lide a duo que abriu praça frente a um toiro de Santa Maria com 497 kg funcionou com os dois jovens ginetes a entenderem-se, e a superarem ao longo da actuação as dificuldades iniciais.
Manuel Telles Bastos lidou o quarto toiro da noite, com 552 kg que esperou à porta dos curros levando-o depois em brega. Andou algo precipitado e talvez por isso a ferragem nem sempre lhe tenha saído de feição inicialmente. No entanto evidenciou o seu toureio clássico, partindo sempre de frente, subindo a lide de tom, frente a uma rês que se adiantava. Terminou a actuação com um bom ferro de palmo.
A Manuel Lupi saiu-lhe um toiro com 586 kg, que serviu para um triunfo do jovem cavaleiro que se revelou com um toureio apurado, muito mais maduro e com boas montadas. Brilhante na brega, sacando o toiro das querências, teve muito labor o jovem cavaleiro frente à rês de pouca transmissão na reunião, que conseguiu cravar com acerto e chegou facilmente às bancadas.
Pedrito de Portugal deu pouco nas vistas de capote frente a uma rês com 510 kg que não transmitiu e que Pedrito também não entendeu, levando sempre o toiro muito por fora, passes sem ligação, e muito pouco para lembrar. No final deu volta um pouco injustificada. Melhor sorte no segundo toiro do seu lote, com 470 kg onde se destacam os passes cambiados com que iniciou de flanela, passando a rês pela frente e por trás, com os pés fixos. Depois embalado que estava da reacção do público, julgou-se melhor do com que realmente o foi. Estava verdadeiramente disposto, e evidenciou isso nalguns bons muletazos, frente a uma rês com pouca força. Chegou facilmente às bancadas com esta sua actuação pela entrega e adornos com que estendeu a sua faena como passes invertidos de costas, e que foram bem recebidos nas bancadas, denotando que a “Pedritomania” ainda persiste. No entanto considero demasiadas as duas voltas que deu o matador à arena.
Manuel de Jesus “E Cid” teve em sorte um toiro com 520 kg, que recebeu elegantemente de capote. Na muleta pôs mão baixa e impôs mando, toureou essencialmente com a esquerda, ajustando-lhe a velocidade nas investidas para que o toureio fluísse templado. A rês acusou falta de forças e perigo ao procurar algumas vezes o toureiro. No segundo toiro do seu lote, com 522 kg, último da corrida, pôde evidenciar-se mais, voltando a apostar na mão esquerda, dando distância, templando e cingindo-se a um toureio mais puro, desfrutando o matador de uma rês que acabou por ir menos.
Pelo grupo do Aposento da Moita pegaram José Broega bem à primeira, Netin Wen à terceira com as ajudas já carregadas e Bernardo Cardoso e o cabo Tiago Ribeiro de cernelha muito bem, depois de Gustavo Martins ter sentido dificuldades em pegar o toiro assim como os bandarilheiros em colocarem o toiro no terreno certo.
Dirigiu acertadamente o Sr. Manuel Jacinto, assessorado pelo Dr. José Manuel Lourenço, numa corrida que decorreu a bom ritmo.