Crónica : corrida de Tradição na Luz

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LUZ / MOURAO ( NATURALES / enviada especial ).- Luz, 6 de Setembro, 2008 : Corrida de toiros em Honra da Nª Srª da Luz.
É impossível para mim pensar em Setembro e não pensar nas festas da Luz (Mourão). Assim como também é impensável ir actualmente aquela aldeia e não recordar a antiga. Aquela que se sacrificou em nome do progresso, em nome da Barragem do Alqueva. E pessoalmente ainda hoje mantenho as minhas dúvidas em relação a se esse sacrifício valeu a pena. Restam-me hoje as memórias daquela aldeia cheia de tradição, de histórias, da pracinha de toiros quadrada feita de pedra. A Luz conserva a história da minha família paterna, e a qual não revejo na aldeia actual. Contudo há tradições e sentimentos que se preservam, não nas casas e nas ruas que ainda nem seis anos têm, mas nas gentes que as habitam, nos mais velhos que carregam ainda dentro de si vestígios da sua aldeia, a antiga aldeia da Luz. É assim por altura das festas tradicionais, sempre no primeiro fim-de-semana de Setembro, e que honram a padroeira da aldeia, a Nª Srª da Luz.
Ao contrário do que se passava na praça antiga, em que os luzenzes estavam cingidos a novilhadas e garraiadas pelas dimensões da praça de toiros, actualmente podem assistir a corridas a cavalo. Contudo, e habituados que sempre foram ao toureio apeado, acabam por organizar e muito bem, festejos mistos. No entanto estão agora verdadeiramente condenados a não cumprir a tradição que mantinham há anos na velha aldeia, de se matar um toiro na praça.
Este ano, viram o dia da sua corrida, ser ‘invadido’ por muitas outras corridas, umas mais perto, outras mais longe, umas à mesma hora, outras mais tarde. Mas ainda assim, a praça quase encheu. O cartel foi composto pelos cavaleiros Rui Salvador, Gilberto Filipe e o matador Luís Vital ‘ Procuna’. Os toiros pertenceram à ganadaria de Santa Maria, e foram pegados pelo grupo de forcados Amadores da Póvoa de São Miguel.
O primeiro toiro que tocou em sorte a Rui Salvador, não primou pela apresentação, de córnea fechada, cara alta, escasso de peso, saiu bastante distraído com às tábuas. E só depois de sentir o primeiro comprido se fixou mais no cavaleiro. No entanto cedo se enquerenciou nas tábuas e Salvador sentiu dificuldade maior para lhe cravar o segundo comprido, pois a rês não se fazia arrancar. Sacando da apuradíssima experiência de quase 25 anos de alternativa, a comemorar na próxima temporada, Rui Salvador descomplicou o toiro, sacou-o para os terrenos certos e cravou-lhe quatro ferros curtos, sem contudo a rês romper para a investida. No segundo toiro do seu lote, mais bonito, com tipo, Salvador teve uma rês mais colaboradora. Brindou a sua actuação ao presidente da Junta de Freguesia da Luz, Francisco Oliveira. Cumpriu na ferragem comprida e a actuação foi subindo de tom nos curtos, cravando sempre no sitio, chegando facilmente às bancadas, com um toureio correcto e de muito labor.
O jovem cavaleiro Gilberto Filipe veio à Luz cheio de ganas. O seu primeiro toiro era grande, burraco, e revelou pouco andamento. Brindou a sua lide a Jacinto Fernandes, ex-bandarilheiro da terra. Cravou bem o primeiro comprido e ligeiramente descaído o segundo. Efectua uma passagem em falso antes de cravar o primeiro curto, com a rês a adiantar-se à reunião, consuma depois bem o ferro. Cravou o segundo um pouco aliviado, e depois fazendo uso da brega para o sacar das querências, colocando o toiro no sítio, deixou mais quatro curtos. O segundo toiro do seu lote saiu com muita pata. Esteve regular nos compridos, e nos curtos voltou a assinalar algumas passagens em falso frente a um toiro que não se arrancava. O primeiro curto foi traseiro, resultando melhor o segundo. Pôs ganas e vontade de dar o seu melhor no terceiro ferro. E empolgou com um violino. Remata a lide com um de palmo. Esteve com entrega o cavaleiro do Montijo, não teve foi muita matéria para se exprimir.
Do grupo de forcados Amadores da Póvoa de S. Miguel pegaram Rui Rodrigues bem à primeira, Sebastião Caeiro à segunda a valer-lhe o primeiro ajuda, Fábio Madeira também à segunda e sem dificuldades e Arménio Reis à primeira numa boa pega.
Procuna andou bem no seu primeiro toiro, um animal com bom tipo. Andou vistoso de capote, espectacular nas bandarilhas, e na muleta toureou essencialmente com a direita, aproveitando alguma colaboração da rês, levando-a sempre muito para fora, mas chegando facilmente às bancadas e pondo empenho no que fez. Já com o último toiro da noite pouco ou nada pôde fazer a uma rês que não investia e que evidenciou pouca força. Ainda sacou alguns passes, mas com pouca transmissão.
Os toiros de Santa Maria foram díspares de apresentação, reservados, tendo colaborado no geral o suficiente de modo a dar algum andamento ao espectáculo. Lamenta-se os tempos de espera para que se alisasse a arena sempre que se iria ter toureio apeado. Francisco Farinha dirigiu bem o espectáculo .- PATRICIA SARDINHA
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