1 de Dezembro: 100 anos da Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense

A centenária Banda do Samouco na Praça de Toiros em Abiúl

A Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense e a sua Banda de Música comemoram neste 1 de Dezembro de 2019 o seu 100º Aniversário.

Consta dos seus registos uma homenagem a Sacadura Cabral e Gago Coutinho, que chegavam então da sua Viagem Transatlântica em 1922; participa desde 1978 nas Festas da Cidade Espanhola de Ayamonte, em 1998, participou na Expo 98; abrilhantou as Festas Gualterianas por mais de 10 anos consecutivos e marcou presença já por quatro vezes na Ilha Terceira, Açores.

Reconhecida de utilidade pública desde 1989, nos últimos anos temos sido presença constante em praças de toiros por todo o País, sendo a banda residente do Campo Pequeno, em Lisboa. O nosso “salero” a interpretar pasodobles é conhecido e reconhecido aquém e além-fronteiras.

Com base em factos devidamente documentados, o presidente da Direcção da Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense na pessoa de Dário Moura refere que "a fundação desta colectividade em 1919 vem na sequência da inexistência de uma componente cultural à época. Nasceu e cresceu na vila de Samouco, concelho de Alcochete, vila pequena em tamanho mas grande em aspirações, que fez com que esta instituição fosse crescendo e ganhando dimensão até ser aquilo que hoje é. A sua envolvência com as mais profundas tradições da população onde se insere representa uma parte significa da projecção que hoje se reconhece à sua banda de música, que naturalmente também associa a vila do Samouco e a sua banda de música às tradições taurinas". 

Participação da Banda do Samouco numa corrida em Ayamonte (Espanha)
O trabalho desenvolvido por por cerca de 50 elementos é, praticamente todos formados na nossa escola de música, que labora desde antes da fundação da própria sociedade, há bem mais de 100 anos!

Para o maestro Fernando Ramos, a filarmónica representa uma escola de valores "como que de uma família se tratasse, onde se ensina a respeitar uma farda, a saber ouvir uma crítica construtiva, a cuidar dum instrumento musical, a absorver o conhecimento dos mais velhos e acima de tudo. Só a filarmónica consegue pôr pessoas dos 8 aos 80 anos, de diversos estratos sociais, religiões e etnias a produzir algo em conjunto: Música!"

Banda do Samouco em acção na Praça de Toiros do Campo Pequeno
A Escola de Música tem o elemento mais novo ligado à estrutura da Banda e ainda não completou 7 anos. O mais velho, em idade - porque em espírito é um jovem - tem um bonitos 80 anos e toca com a sua Banda do Samouco há 65, mais precisamente desde 1954.

A SFPLS conta hoje com a sua conceituada Banda do Samouco, com o seu irreverente Coral Samouco, com as dinâmicas classes desportivas de Hip-Hop e Zumba e com as mais de 200 pessoas que todas as semanas marcam presença em bailes populares e outras actividades, sendo esta uma casa sempre de portas abertas à comunidade promovendo uma verdadeira integração social.

No que ao pasodoble diz respeito, temos compositores dentro da estrutura da banda. Para além do Maestro Fernando Ramos, compositor de pasodobles como "Rui Fernandes" ou "Joaquim Bastinhas", destaque natural para o músico da Banda, monitor na escola de música e compositor António Labreca: actualmente com 25 pasodobles compostos, é autor de temas tão distintos como "A Catedral do Toureio a Cavalo" dedicado ao Campo Pequeno por ocasião dos 120 anos após inauguração da praça lisboeta; "Maestro Juan José Padilla", pasodoble dedicado ao matador de touros em 2017 na primeira praça do país, interpretado em primeira audição pela Banda do Samouco, também pelo reconhecimento do matador de toiros à importância da componente musical no espectáculo taurino;"Maria Leopoldina Guia", ilustre fadista infelizmente desaparecida com reconhecida ligação às tradições taurinas, "Virgen de las Angustias" em homenagem à santíssima padroeira das festas em Ayamonte em que a formação samouquense participa há mais de 40 anos na cidade andaluza de Ayamonte e o próprio "Banda do Samouco", imponente pasodoble estreado em 2007, constituindo um verdadeiro marco para este músico enquanto compositor.

Entrega da partitura do pasodoble "Maestro Juan José Padilla" ao toureiro em 2017 no Campo Pequeno, das mãos do seu autor, António Labreca e na presença de Dário Moura
"Escrever pasodobles está-me no sangue há bastantes anos porque é algo que gosto muito de estudar e aprofundar... é como se a escrita musical aliada à festa dos toiros fosse necessária para eu próprio me sentir vivo e com a veia criativa em funcionamento" remata o compositor, músico na Banda do Samouco no instrumento de bombardino.

De realçar que a último pasodoble deste compositor intitulada "Centenário" será interpretado em primeira audição hoje, 1 de Dezembro de 2019, precisamente no dia em que a Banda do Samouco completa 100 anos de existência. O concerto de gala terá diversos motivos de interesse e terá lugar a partir das 16h30m na sede da Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense, com morada na Rua Francisco Domingos Taneco na vila do Samouco.


Texto: Pedro Rodelo para Naturales
Testemunhos: Dário Moura (Pres. Direcção); Fernando Ramos (Maestro) e António Labreca (músico e compositor)
Fotografias: gentilmente cedidas por SFPLS/DR


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