ANÁLISE TEMPORADA 2019 - Ganadarias


Falar do Toiro é emancipar a grandeza da Festa. 

Falar do toiro, é, involuntariamente, uma maneira de mostrar-lhe devoção e respeito, e é, também sem que nos demos conta, forma de agradecer-lhe por revitalizar nossas paixões a cada temporada que passa.

Para além de justo, parece-me imperativo, uma palavra de apelo a quem ousa todos os dias sonhar com a bravura e convertê-la numa realidade que nos cativa e entra pela alma. Aos obreiros da bravura, mas também da história, que a capacidade de sonhar não lhes permita atemorizar-se perante investidas do lado de lá, que teimam em contrariar e questionar a criação e fim desse animal único e que nos faz viver a intensidade mais pura deste mundo.

E a temporada 2019 voltou a comprovar que temos uma cabana brava nacional que nos assegura aspirações fortes a voos altos e de extrema importância. Prova disso, está o facto de há vários anos consecutivos, a Associação Toro de Madrid, solicitar nas suas listas, divisas lusas, garantia de variedade e qualidade.

Porque a bravura será sempre um enigma, umas vezes revelado, outras tão difícil de entender, houve, como sempre, várias oscilações em comparação com restantes temporadas, sendo poucas as ganadarias que mantiveram o nível alto e uma regularidade mais acima da média.

Dentro das que têm camadas relativamente extensas para o que é a realidade do nosso quotidiano taurino, Veiga Teixeira (destacando-se por uma personalidade encastada cada vez mais vincada e uma seriedade prestigiante para os toiros do Pedrógão), mas também Murteira Grave (ganadaria carismática e com forte dinâmica criada com os aficionados pela promoção feita nas redes sociais, e que este ano viu os seus maiores sucessos além fronteiras), ocupam o pelotão da frente, sendo ferros que servem como mostra de garantia em vários factores distintos quando vemos os seus nomes anunciados nos cartéis, sendo que são ganadarias que atraem o aficionado mais exigente à praça.

Canas Vigouroux, em conversão para uma investida mais enclasada que o torista a que nos havia habituado, também apontou boas notas, a par de António Silva, Sommer D’ Andrade e São Torcato, corridas das ditas exigentes e que por norma entram para o escalão do torismo português. Mais aquém que no último ano, Passanha (com êxitos mais notórios no exterior) e Pinto Barreiros não lograram a regularidade de 2018, sendo ainda assim ganadarias de prestígio e das que todos os anos temos em conta.

Com história mais ou menos recente, há vários ferros que reclamam pisar palcos mais importantes e de maior prestígio na temporada que se aproxima, e todos os eles bem diferenciados em todo o tipo de características: Palha (que deve voltar à órbita de grandes praças, não só em Portugal mas também além fronteiras onde mantém o estatuto de ganadaria portuguesa com mais cartel), Jorge Carvalho (um curro sério e exigente em Lisboa), Sobral (vários sucessos em Espanha), São Martinho, António R. Brito Paes (depois de uma corrida interessante em Lisboa merece ser mais vezes vista, embora nos pareçam exagerados os elogios a essa noite no CP), Calejo Pires, Condessa de Sobral, Vale Sorraia e Fernandes de Castro.



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