A Corrida de Toiros que prometia uma Homenagem Nacional ao Eng. Luís Rocha, merecidíssima, quase que foi antes ‘homenagem de freguesia’, não pela cerimónia em si mas pela pouca presença de público. Uma Figura com a importância do ganadero, bem como até da expectativa que o cartel nos criou, merecia que a Praça de Toiros “José Mestre Batista” tivesse casa cheia. Mas não teve. Uma meia casa foi o que se conseguiu, com a sombra composta e o sol a meio gás.
Talvez Reguengos se tenha “desaficionado”, já que a sua praça continua também descuidada, a carecer de intervenção, pelo menos que os números dos lugares e filas fossem repintados…
Ainda assim, o Eng. Luís Rocha recebeu uma homenagem sentida e emocionada, com família e amigos presentes. E pela mesma, valeu a presença, até porque me remeto para uma das frases do discurso do Presidente da Câmara local: “Quando honramos os Grandes, ficamos Maiores”. Tudo dito.
Da corrida em si, diria que foi um ‘engano’. E um ‘engano’ em duplicado... Primeiro, para aqueles que como eu consideraram este, um dos melhores cartéis montados esta temporada, a criar interesse, com três cavaleiros que se iam picar de certeza e portanto algo se ía passar…mas pouco passou e ninguém se comprometeu a ir à cara dos toiros. Segundo, porque foi uma corrida que viveu basicamente disso, do “engano”, e quando se engana o toiro, raramente se pode ter obra bem feita.
Os toiros pertencentes à ganadaria do homenageado, saíram bem apresentados e em comportamento serviram para prestar a melhor das homenagens ao seu ganadero, sendo nobres, enraçados, a transmitirem, excepção feita ao primeiro, e honra maior ao quinto da ordem, tendo este sido aliás, um toiro pronto, alegre e repetidor, capaz de dar o triunfo.
João Moura Jr. logrou uma primeira actuação discreta, também condicionada pela pouca mobilidade e transmissão do oponente, o único que destoou do curro. Frente ao quarto da corrida, um toiro fixo nas montadas, que baixava cara até a perseguir o cavalo, a actuação só subiu de tom quando ao quinto curto executou a “mourina”. Bisou na sorte para um sexto ferro e empolgou verdadeiramente as bancadas.
João Ribeiro Telles teve uma tarde fixada nos quiebros. Frente ao primeiro do seu lote, animal sério, a transmitir, o cavaleiro criou impacto com cites de largo que encurtava com velocidade, para depois cravar a ferragem, destacando o segundo e terceiro curtos, os mais ajustados da sua prestação, com uma lide que fez eco entre os presentes. No que foi quinto da ordem, que saiu a adiantar-se mas que se revelou animal codicioso e pronto de investida, João Telles assentou actuação nas batidas pronunciadas, que levam o toiro para fora da sorte, pelo que pese embora a comoção nas bancadas, ajustado mesmo foi o primeiro curto.
O mais novo da terna, Luís Rouxinol Jr., teve uma tarde de muitas intenções, faltando por vezes as concretizações. Destacou dos alternantes por ter sido aquele que mais cuidado deu na lide aos toiros bem como no remate das sortes, com um entendimento dos terrenos incomum da maioria e uma preocupação de lidar escassa nos demais. No primeiro do seu lote, animal de meias investidas, usou e abusou das qualidades ímpares do Douro, que cá para mim se fosse preciso, era cavalo para tourear sozinho, com algumas reuniões a carecerem de ajuste. Frente ao último parou corações com uma emotiva sorte gaiola, ainda que o ferro comprido não tenha resultado perfeito, com o toiro a apertar no remate e numa brega ajustadíssima. Nos curtos, teve abordagens bem tencionadas mas faltou arriscar mais e pisar terrenos no momento dos ferros, perante um toiro que também se revelou tardo ao cite. Resultou melhor o quarto curto da ordem.
Nas pegas estiveram em praça os Amadores de Montemor e Monsaraz. Pelos primeiros, abriu a tarde José Maria Vacas de Carvalho que consumou bem à primeira; António Calça Pina efectivou à segunda, depois de uma tentativa em que toiro simplesmente lhe passou ao lado; e Bernardo Dentinho numa pega rija à primeira. Pelos de Monsaraz, Luís Rodrigues consentiu uma reunião quase nos joelhos, recompondo-se e efectivando à primeira; a Gabriel Oliveira só faltou fazer o pino na cara do toiro, com uma pega pouco ortodoxa em que reuniu com um piton no meio das pernas, indo ao ar com um derrote, ficando depois, literalmente, deitado sobre os pitons do toiro, que com um novo derrote, o “arranjou” e colocou na cara, tendo sido a mesma dada como efectivada; terminou a tarde o cabo, Ricardo Cardoso, que à segunda resolveu sem problemas.
Palavra aos campinos que recolheram os toiros a cavalo, Carlos Fernandes e Álvaro Gonçalves, com muita paciência algumas vezes já que um ou outro toiro não se quis ‘encabrestar’, resolvendo-se com um capote, destacando-se ainda assim, o labor do campino mais novo.
Dirigiu a corrida o sr. Agostinho Borges, assessorado pelo veterinário Matias Guilherme, numa tarde em que faltou o toureio frontal e os ferros ao estribo mas isso, para os demais e inclusive para os toureiros, é o que menos importa. Fiquemos com a homenagem ao Grande Eng. Luís Rocha, que nos deixou a todos Maiores nesta tarde.
