Crónica da Corrida em Évora: "Praça Cheia até às Bandeiras..."


Praça Cheia até às Bandeiras!... Tal como o Néné gostava... Este foi o ambiente vivido na Corrida de São Pedro em Évora no passado dia 29 de Junho. 

Em praça estiveram os cavaleiros Rui Fernandes a comemorar os 20 anos de alternativa, Diego Ventura que se apresentava em Portugal após o êxito alcançado em Las Ventas e António Prates o jovem cavaleiro praticante que vinha disposto a mostrar o quanto está preparado para grandes compromissos. 

Como manda a tradição da Corrida de São Pedro, pegaram a solo os Amadores de Évora na comemoração dos 55 anos do grupo. Foram lidados toiros de Canas Vigouroux.

O ambiente em praça era excelente, o cartel bem montado e as expectativas eram enormes. Sem ser um “corridão” na minha perspectiva, a noite foi bastante entretida com os artistas a mostrarem empenho em praça, pena tenha faltado alguma emoção ao curro de toiros.

Antes da corrida, foram homenageados pelo grupo, alguns dos forcados fundadores que há 55 anos atrás sob a batuta de João Patinhas, se estrearam nas arenas com a jaqueta de ramagens de Évora.

Abriu praça Rui Fernandes perante um toiro a pedir que se pisassem os terrenos de compromisso e com arrancadas bruscas, aliás, essa foi uma característica comum a quase todos os exemplares de Canas Vigouroux. Dadas as contingências Rui Fernandes começou por cravar com cites em curto, que acrescem emoção à lide, no entanto, é de destacar o terceiro ferro com cite de praça a praça com o cavaleiro a carregar a sorte e cravando no centro do ruedo com uma ligeira batida ao piton contrário.

No seu segundo toiro Rui Fernandes deparou-se com dificuldades acrescidas perante um oponente com de meias investidas e com arrancadas bruscas, alcançando a montada no primeiro comprido. A lide resultou discreta com alguns toques na montada a desluzir até então a actuação, que subiu de tom nos dois últimos ferros, já com nova montada e citando com mudanças de mãos do cavalo durante a viagem, como é seu apanágio, cravou correctamente e teve o justo reconhecimento do público.

Diego Ventura que certamente a par da comemoração dos 55 anos dos Amadores de Évora, foi um dos motivos para a lotação da praça. Diego vinha motivado e disposto a triunfar e isso ficou patente!

No seu primeiro toiro esteve irrepreensível na ferragem comprida. Para os curtos sacou do Nazari uma das estrelas maiores da sua quadra, mas a lide foi resultando morna, até que ao terceiro ferro curto Diego fez aquilo que todos aguardavam, uma grande ferro com batida ao piton contrário muito justo a levantar as bancadas. Podendo sair em “glória” a pedido do publico o luso-espanhol optou por cravar mais um ferro curto, mas o efeito não foi de todo o desejado, com a montada a ser alcançada pelo toiro resfriando as hostes.

Na sua segunda actuação Diego Ventura teve por diante um dos melhores toiros da corrida, ou não fosse ele o quinto da ordem. Cravou dois bons ferros compridos a dar vantagens ao toiro e aguentar a sua investida encostado à trincheira. A série dos curtos começou em muito bom plano com sortes ao piton contrário muito justas, chegando facilmente ás bancadas. Entretanto mudou de montada e a lide veio a menos. Ciente disso Ventura sacou do Remate para “rematar” a lide e cravou em sorte de violino três ferros de palmo seguidos uns dos outros colocando a bancadas num alvoroço, com a montada fazendo levantadas ficando inerte na vertical.

Fechava a terna de cavaleiros o jovem cavaleiro praticante de dinastia António Prates. Em entrevista comigo no Rádio Olé da Rádio Diana de Évora, António referiu que a sua ambição era pelo menos estar ao nível dos colegas de cartel, porque isso já significaria estar num plano superior. E António Prates em nada que ficou atrás dos “monstros” Fernandes e Ventura, especialmente na sua primeira lide onde colocou a bancada de pé.

Recebeu o seu primeiro toiro sem recurso a bandarilheiros, estando muito bem nos compridos aguentando as investidas do toiro que saiu com “muita pata”. Nos curtos o jovem cavaleiro fez uma lide de gente grande. Começou a serie dos curtos de forma tímida, mas depressa se “soltou” e rubricou uma excelente lide com ferros frontais cravados ao estribo, preparando e rematando muito bem as sortes, aguentando as investidas do toiro com ladeios justos.

A sua segunda lide esteve uns furos abaixo da primeira, mas não por falta de empenho, mas por ter falta de investida do único toiro branco a sair à praça dos três anunciados. O toiro cedo “estacionou” no centro da arena, investido com arreões e desistindo da montada após a cravagem do ferro. No entanto o jovem mostrou que está preparado para voos mais altos, tendo como objectivo a tão ambicionada alternativa que certamente não acontecerá ainda este ano.

Quanto à forcadagem os “moços” de Évora não só estão de parabéns pelo 55º aniversário, como estão de parabéns pelo excelente desempenho em praça, destacando-se uma maior e evidente coesão do grupo, fruto de um trabalho notável do cabo João Pedro Oliveira, que ao longo da temporada tem feito questão de rodar vários forcados jovens, estando o resultado à vista. Os amadores de Évora pegaram quatro toiros à primeira, um à segunda e outro à terceira tentativa.

Quanto ao curro de toiros da ganadaria Canas Vigouroux, não sendo maus, também não foram estupendos, mas serviram o espetáculo. Dispares de apresentação, foi pena que dos três toiros jaboneros anunciados, só um fosse corrido, sendo um dos grandes aliciantes do cartel.

Para terminar dar uma nota de destaque aos campinos que recolheram os toiros a cavalo com grande eficácia, numa corrida dirigida pelo Director de Corrida Agostinho Borges, que quanto a mim teve um critério largo a conceder música.

Dia 29 de Setembro os toiros regressam à Arena d´Évora.

Por: Luís Gamito
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