Partidos Parlamentares criticam director "anti-touradas" da RTP


Na sequência de um artigo publicado pelo Diário de Notícias no passado dia 29 de julho intitulado “Tourada dá audiências mas RTP exclui mais corridas”, a Prótoiro – Federação Portuguesa de Tauromaquia lamenta as declarações do Diretor de Programas da RTP, Daniel Deusdado, que após a publicação da referida notícia escreveu na sua página pessoal de Facebook o seguinte “Disse ao DN que estava fora de questão apostar em mais transmissões (aumentar). E que tendencialmente iríamos diminuir porque creio não ser boa prática do serviço público transmitir espectáculos com maus tratos a animais. Não é ainda o fim, mas caminhamos para tal. Lamento sempre que se confunda a transmissão televisiva de touradas com a liberdade para existirem touradas. Se não houver televisão, continua a haver a possibilidade de se ir ver tourada onde ela exista, enquanto o Parlamento autorizar. Por razões de equilíbrio e bom senso, faço-o de forma gradual face a tudo o que esta questão envolve. Ano passado foram 4, este ano 3. E o ponto claro na noticia é este: não crescerão - diminuirão.”

A Prótoiro considera que o Diretor de Programas da RTP confunde a sua posição pessoal com a da instituição que atualmente representa mas da qual não é detentor. Está a utilizar o cargo que ocupa para cumprir uma agenda pessoal, algo que é deontologicamente inaceitável.

Daniel Deusdado ignora que a programação da RTP está obrigada a um contrato de serviço público. Como dispõe o artigo 9.º, n.º 1, da Lei da Televisão, esta tem por missão promover a cidadania e a participação democrática e respeitar o pluralismo social e cultural, bem como difundir e promover a cultura portuguesa e os valores que exprimem a identidade nacional.

Ignora que a tauromaquia é uma das manifestações culturais mais identitárias da cultura portuguesa, tutelada pelo Ministério da Cultura, e classificada como "parte integrante do património da cultura popular portuguesa" como o Decreto-Lei n.º 89/2014 de 11 de Junho estabelece. 

Ignora ainda os pareceres da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que afirmam sem margem para dúvidas que a tauromaquia é uma das maiores expressões do carácter e cultura portuguesas, com justificada presença num canal de serviço público, e cujo Estado tem a incumbência de promover e proteger.

Com as transmissões televisivas de corridas de toiros as audiências sobem a média do canal, como reconhece Daniel Deusdado, mostrando que os portugueses aderem massivamente a esta expressão cultural na RTP, num exemplo do que deve ser o serviço público. Chegam a ser atingidos picos de audiência até aos 700 mil telespectadores e em diversos segmentos horários as audiências da RTP lideram.

Utilizar a Direção de Programas do canal público para impor um gosto pessoal à população portuguesa não é aceitável em democracia, pois o serviço público destina-se a todos os cidadãos na sua natural diversidade. 

A Prótoiro considera que esta postura não é compatível com um servidor público, que deve respeitar a legislação e a pluralidade de opiniões. Solicita assim que, no futuro, o Diretor de Programas da RTP tenha uma atitude menos parcial e mais moderada e construtiva, à semelhança do que tem sido a prática dos defensores da cultura tauromáquica.
O assunto não é novo. O parlamento já discutiu a proibição de corridas na RTP e restrições ao financiamento público, mas todos os diplomas do PAN, Bloco de Esquerda e PEV nesse sentido foram chumbados pelos socialistas, PCP, PSD e CDS. A direção da RTP, que entrou em 2015, decidiu, porém, cortar no número de espetáculos. “Não é ainda o fim, mas caminhamos para tal”, admitiu Daniel Deusdado.

A ideia de que podem acabar as touradas na RTP não agrada a vários socialistas que fizeram questão de assumir publicamente o desagrado com a decisão da direção da televisão do Estado. “A televisão pública sucumbiu, portanto, às imprecações de uma minoria especialmente exaltada. Mais um golpe na sociedade aberta, onde costumávamos caber todos. Um dia proibirão as touradas de vez. Um dia teremos os gostos e as vidas formatadas pelas prescrições de tribos agressivas de imbecis semi-educados e fanatizados pelas suas particulares fixações morais, e determinados a reeducar o seu semelhante”, escreveu Sério Sousa Pinto, deputado socialista, nas redes sociais.

Uma vergonha” António Gameiro, deputado e presidente do PS/Santarém, classificou como “uma vergonha esta situação da RTP. A cedência é um sinal preocupante, porque demonstra que o serviço público serve só o gosto e interesses de alguns”. O ex-deputado socialista Ricardo Gonçalves também considera que “a RTP devia ser um serviço público para todos. Por este andar as touradas vão passar a ser quase clandestinas. A pressão dos fanáticos é enorme”.

A maioria dos deputados do PS é favorável à transmissão de corridas na televisão pública. Uma dezena de deputados, entre os quais estão, por exemplo, o ex-líder da JS Pedro Alves e a constitucionalista Isabel Moreira, apoia a decisão de limitar os apoios à tauromaquia. Tiago Barbosa Ribeiro, líder do PS/Porto e deputado, considera “uma grande notícia” a decisão da RTP de transmitir menos touradas.

À direita, PSD e CDS estão unidos na defesa das corridas de toiros. Nuno Serra, deputado social-democrata, defende, em declarações ao i, que “a televisão pública não pode deixar de transmitir os espetáculos que correspondem à vontade dos portugueses. As audiências aumentam quando são transmitidas corridas de toiros”. Serra argumenta que os gostos do diretor de programas não podem condicionar uma televisão que é paga por todos. “A televisão tem de abranger algumas coisas de que ele não gosta. Portugal é muito maior do que o diretor de programas da RTP. Não percebo como é que a RTP pode cortar laços com os portugueses que gostam de corridas de toiros”.


Fonte: Prótoiro/Sol/Jornal i
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