Rouxinol Jr.: "Aprendi com os triunfos mas aprendi muito mais com os erros"


Esta conversa ficou agendada há 3 anos. Cumprimos o acordado e em vésperas de se tornar cavaleiro de alternativa, Luís André da Silva Vicente - Luís Rouxinol Jr. - falou-nos do seu passado, do presente e até do futuro, mas principalmente, da importância que a noite de 20 de Julho tem para si.

Em três anos, notamos que cresceu, que amadureceu e ganhou maiores certezas do que pretende. Numa coisa não mudou, na admiração e na forma como fala do pai, Luís Rouxinol, que continua a padecer da mesma grandeza. 

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Luís Rouxinol Jr.:
"Tenho o objectivo de chegar o mais longe possível" 


NATURALES: A 12 de Junho de 2014, quando nos encontrámos para falar da corrida em que tirarias a Prova de Praticante, ficou desde logo combinada esta entrevista, a realizar em vésperas da tua Alternativa. Tardou a chegar este dia ou vem na altura certa?
Luís Rouxinol Jr.: E o prometido é devido! Acho que este dia vem exactamente na altura certa. É o passo mais importante na carreira de um cavaleiro e deve ser dado de maneira muito firme. Ainda para mais quando se comemoram esta temporada os 30 anos de alternativa do meu pai. Iniciei este percurso em 2011 e agora, em 2017, chega finalmente o concretizar de um sonho. 

NATURALES: Lembro-me que quando conversámos dessa vez, estavas ansioso pela chegada do dia 19 de Junho de 2014 e pelo compromisso de dares mais um passo na tua ainda curta carreira. Agora, vem a alternativa… A ansiedade e os nervos são maiores?
LRJr.: Sim, é verdade! Eu estava bastante ansioso em vésperas da prova de praticante mas graças a Deus, depois correu bastante bem. Agora a responsabilidade é maior! Estou um pouco nervoso e ansioso mas também tenho confiança em mim, e se Deus ajudar, será uma noite para a história. É o meu dia, vou ter imensa gente a apoiar-me, estou moralizado e vai ser uma grande noite, não tenho dúvidas! Tenho é que me abstrair de tudo, respirar fundo e tudo irá sair com naturalidade.

NATURALES: Tal como era teu desejo, e também referiste nessa entrevista, vais tirar a alternativa na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Era impensável para ti ser noutra praça que não a de Lisboa?
LRJr.: O Campo Pequeno é sempre o Campo Pequeno! É a Praça mais importante do nosso País, é a Catedral do Toureio a Cavalo... E quando lá toureio, sinto-me de uma maneira que não me sinto em mais nenhuma praça, não sei se pela responsabilidade mas é um sentimento único. Cada vez que se entra na arena da Praça de Toiros do Campo Pequeno, ganha-se uma inspiração especial, não sei descrever. E se a minha alternativa não fosse no Campo Pequeno, seria certamente na praça da minha terra, Montijo.

NATURALES: A composição do cartel também não fugiu muito ao que sempre conversámos, e na verdade ficou um cartel muito interessante e quase que familiar, pois estarás tu e o teu pai, e o António Telles e o Manuel Telles Bastos, tio e sobrinho. Sei que este cartel foi sugestão que partiu da tua vontade e de teu pai…
LRJr.: Foi um cartel inteiramente escolhido por mim. Desde já tenho que agradecer à empresa do Campo Pequeno, em especial ao Rui Bento, por me ter proporcionado a escolha deste cartel. Sempre foi o que idealizei, embora houvessem outras hipóteses. O António Telles é um dos toureiros que mais admiro, é das maiores Figuras que temos no nosso País, com posição cimeira há vários anos. Gosto muito de o ver tourear! O meu pai vai ser o meu padrinho de alternativa e era impensável que não o fosse!! Além disso, é o meu ídolo, é o meu espelho, o meu mestre... Faltam-me palavras para descrever a grandiosidade do meu pai enquanto toureiro e pessoa...É único! O Manuel é um toureiro com quem tenho tido a sorte de actuar lado a lado, muitas vezes em praça, e admiro-o bastante. É um grande cartel, sem dúvida nenhuma, e só espero ver o Campo Pequeno cheio!

NATURALES: Contudo assim ficas limitado a “toiro e meio” na corrida da tua alternativa, já que o segundo será lidado a duo com o teu pai. Isso não te incomoda?
LRJr.: Não me incomoda muito, pois é sempre um prazer lidar a duo com o meu pai e para mais neste dia tão importante. Só espero que saia um bom toiro e que nós os dois possamos triunfar!


NATURALES: Vendo bem as coisas, repetes o que se passou com a alternativa do teu pai há 30 anos em Santarém, onde também actuaram quatro cavaleiros e para além do toiro da alternativa, ele lidou a duo com o padrinho, João Moura. Será que também irás “imitá-lo” e ser o triunfador máximo da corrida da tua alternativa como ele o foi da dele?
LRJr.: É verdade, isso também aconteceu na alternativa do meu pai. E se se repetisse tal e qual comigo, isso era concretizar dois sonhos num só! E é o meu objectivo triunfar nessa noite tão importante para mim. Vou dar tudo o que tenho e o que não tenho, vou esforçar-me mais que nunca! Oxalá que Deus ajude e que consiga a proeza que o meu pai conseguiu há 30 anos atrás. 

NATURALES: Serão lidados toiros da ganadaria Murteira Grave, a mesma da tua prova de praticante. Já existe aqui um laço entre a tua carreira e esta ganadaria alentejana?
LRJr.: Sim existe, sem dúvida! É uma ganadaria séria que transmite emoção às bancadas, com o tipo de toiro que gosto de lidar. É uma das minhas ganadarias de eleição e que está num momento excepcional, graças ao grande trabalho desenvolvido pelo Dr. Joaquim Grave. Foi com um toiro Grave que tirei a minha prova de praticante, e agora será com um toiro Grave que irei tirar a minha alternativa. Só peço que, se não for melhor, que seja igual ao que lidei a 19 de Junho de 2014.

NATURALES: E já pensaste que cavalos vais usar, como e o que vais fazer ou, pelo contrário, és apologista de que o toureio é para ser pensado na hora e não levado de casa?
LRJr.: Vou levar os melhores cavalos que tenho como é óbvio, mas o único que já vai destinado é o cavalo de saída, o Aquiles. Agora os outros...é consoante as características do toiro. O toureio tem que ser trabalhado em casa. É lá que se procura atingir a perfeição, nas vacas, na tourinha, para que os cavalos possam também estar preparados para qualquer tipo de toiro. E cada cavalo tem um certo tipo de características e essas temos que saber bem quais são. O toureio é improviso e o saber resolver os problemas consoante o toiro que nos saia. Não se pode planear as coisas, se serão feitas de maneira X ou Y... Tem que sair tudo com naturalidade e tens que saber no momento, que cavalo é o mais indicado para o tipo de toiro que tens. 

NATURALES: Como é óbvio, o brinde da tua alternativa será ao teu Mestre, o teu pai. Já está ensaiado?
LRJr.: O brinde só podia ser para o meu pai, sem dúvida! Porque é a pessoa que me ensinou tudo o que sei, que trabalha diariamente comigo, que me transmite tudo o que sabe... Se não fosse ele, ainda mal sabia andar a cavalo. É sem dúvida a pessoa que mais tem feito por mim! E a única maneira de lhe agradecer é triunfar em praça. As palavras que lhe vou dizer?! Acho que vão sair no dia, na hora e no momento... Vou-lhe dizer o que me irá na alma naquele momento. Mas não poderia ter melhor mestre se não o meu pai!

 

NATURALES: E a casaca de alternativa...? 
LRJr.: A casaca de alternativa é nova, foi mandada fazer para a ocasião. Terá o bordado igual ao que o meu pai teve na sua casaca de alternativa há 30 anos! A cor prefiro não revelar, vão ter que esperar por quinta-feira...

NATURALES: Voltando agora um bocadinho mais atrás… Apresentaste-te em público com 14 anos, a 28 de Maio de 2011, num Festival em Serpa, onde o maestro Vítor Mendes te disse: "Não sejas mais um!". Sentes que tens cumprido com esse pedido que te foi feito?
LRJr.: Sim, penso que sim! E lembro-me muito bem dessas palavras, foram inesquecíveis. Tenho tentado não ser mais um... Na minha categoria de praticante tenho sido o mais premiado desde 2014 e penso que isso quer dizer alguma coisa! Acho que estou no caminho certo e aprendemos todos os dias.

NATURALES: Seis anos passados desde então, muitas corridas, muitos triunfos, alguns dissabores… O que sentes que mudou na tua forma de estar e praticar o toureio?
LRJr.: Acho que o Luís Rouxinol Jr. em 2017 face ao de 2011, evoluiu, foi ganhando experiência, ganhando traquejo... Aprendi com os triunfos mas aprendi muito mais com os erros, pois são os nossos próprios erros que dão experiência. Mas o que acho mais importante, é o conhecimento pelo toiro e pelo cavalo. Primeiro temos de estar em sintonia com os nossos cavalos, para que depois possamos explorar o toiro. E o conhecimento do toiro é meio caminho andado para o triunfo.

NATURALES: E que actuações destacarias até aqui?
LRJr.: Graças a Deus tenho guardadas várias na memória. Mas por exemplo, a minha estreia foi marcante e correu muito melhor do que estava à espera. A da prova de praticante também foi muito importante. Uma das que me deu uma grande projecção foi a de Gala no Campo Pequeno em 2015, uma corrida transmitida pela RTP, e tive um importante triunfo nessa corrida. O ano passado numa corrida em Évora, onde fui substituir o meu pai e alternei com duas figuras do toureio, tive uma das melhores actuações da minha carreira. Já este ano em São Manços tive também um grande triunfo e consegui ganhar o troféu para a melhor lide. No Montijo, praça da minha terra, tenho obtido também actuações muito boas...


NATURALES: Pelo contrário, quais sentes que têm sido as maiores dificuldades encontradas ao longo da tua carreira?
LRJr.: Penso que as maiores dificuldades é quando me saem os toiros difíceis! Mas esses são também os que nos dão mais experiência e traquejo. Se um toureiro conseguir triunfar com o toiro difícil, mais facilmente triunfa com os outros toiros. Mas eu até nem gosto nada do que seja fácil, pois quando conseguimos estar por cima desses toiros complicados, o sabor é outro.

NATURALES: E exige-te mais o público ou a imprensa por seres filho de quem és?
LRJr.: Sim, sem dúvida. Ser filho do Luís Rouxinol tem vantagens e desvantagens. Uma das vantagens, é ter os seus ensinamentos e ter os seus cavalos também, isso é uma mais valia, sem dúvida! Agora a exigência por ser filho de quem sou, é outra. Mas eu até gosto que as pessoas exijam de mim, isso motiva-me, faz-me traçar metas mais altas e desafio-me a mim mesmo. A imprensa também me exige mais. Eu quando leio as crónicas das corridas, dão a entender que exigem-me igual que a um cavaleiro já com 30 anos de toureio! Não me põem como cavaleiro praticante. Mas isso até acaba por ser bom, é sinal que me metem numa fasquia mais elevada.

NATURALES: E por falar em teres os cavalos dele... Tu e o teu pai, têm uma quadra ampla e acabam por partilhar muitas vezes os mesmo cavalos. Pensas que isso não implica também um desgaste maior nas montadas, face até ao volume de corridas que o teu pai tem por temporada?
LRJr.: Sim claro, existe esse desgaste mas nós procuramos sempre encontrar a melhor solução para esse problema. Os cavalos são preparados como atletas de futebol. Serem preparados fisicamente para o número de corridas que fazemos é bastante importante e neste momento temos 15 cavalos prontos a tourear! Desses, há sempre aqueles dois ou três que marcam a diferença e são esses que acabam por ser mais partilhados pelos dois, como é caso do Douro ou do Ulisses, por exemplo. Mas também há cavalos que só toureiam comigo e outros que só toureiam com o meu pai. Nós trabalhamos os dois para o mesmo, com o mesmo objectivo, as bases são as mesmas... Claro que o meu pai tem outra experiência que eu não tenho mas eu tento sempre aprender ao máximo com ele. E graças a Deus, penso que temos uma quadra bem preparada para lidar com esse tipo de problema, como a grande quantidade de festejos.

NATURALES: E que cavalos começas a ter mesmo como teus e apostas de futuro?
LRJr.: Este ano já saí com um cavalo, o Gabirú, ferro Paim, que teve alguns ensinamentos meus. E tenho mais 2 ou 3 que estou a pô-los à minha maneira, porque embora eu e o meu pai tenhamos características semelhantes no toureio e a montar, existem sempre diferenças na maneira como levamos os cavalos. Ninguém é igual a ninguém.... As pessoas não imaginam o quão difícil é meter um cavalo a tourear. Mas no final, quando temos um cavalo bom posto por nós, isso dá bastante orgulho e alegria. E tenho a certeza que os anos me vão dar muita experiência. Mas futuramente aposto em duas montadas que levam o ferro da casa, o Hidalgo, filho do Ulisses, tenho muita fé nesse cavalo, e no Herói, que certamente também será um cavalo que me irá ajudar muito.


NATURALES: Na temporada passada, aquilo que podia ter sido uma corrida bonita, por actuares lado a lado com o teu pai no Campo Pequeno, acabou por ser uma prova de fogo para ti. O teu pai não conseguiu dar continuidade à sua prestação após o primeiro toiro que lidaram a duo, e tu acabaste por ter que tourear sozinho o teu e o dele. Como foi para ti assumires essa responsabilidade e inesperada, e sabendo que o teu pai estava na enfermaria?
LRJr.: Não foi nada fácil! Eu nunca tinha visto o meu pai assim e sei que não existe ninguém mais rijo que ele! Foi uma coisa inesperada... Não estava à espera de ter que lidar os três toiros em Lisboa, houve cavalos com os quais não tinha treinado para tourear, e tive de lidar com eles. Graças a Deus penso que superei essa prova de fogo com distinção. Foi um desafio difícil, não o tinha a aconselhar-me nesta corrida tão importante...mas foi um desafio superado! No entanto, penso que a imprensa nessa corrida não me deu o valor que deveria ter dado.

NATURALES: Nos dias seguintes, e pela mesma razão, acabaste por o substituir também em São Cristóvão e em Évora. E principalmente nesta última, como já referiste, obtiveste um grande triunfo, levando a melhor sobre os teus alternantes, o António Telles e o Rui Fernandes. Sentes que essa corrida, de algum modo, acabou por mudar também a opinião que se podia ter de ti? Ou seja, deixaste de ser o filho do Rouxinol para ser o Luís Rouxinol Jr., que triunfa em grande mesmo quando o pai não está na trincheira a dar conselhos...
LRJr.:  Essas duas corridas tiveram um peso muito grande em mim enquanto toureiro. Fui substituir o meu pai, uma Figura do toureio e tinha que dar o meu melhor para estar próximo do nível dele. Na corrida em Évora, que foi uma corrida de muito peso, actuei ao lado de dois "gigantes" do toureio. E tive de ser eu próprio a tomar todas as decisões. Aquela noite de 15 de Julho em Évora, acabou por ser uma das mais bonitas da minha carreira mas teve um sabor um pouco "agridoce"! Tive uma das melhores actuações da minha carreira, e ter o Mestre António Telles a atirar-me o seu tricórnio quando dava a volta à arena, e depois receber os seus parabéns e do Rui Fernandes também, foi bastante motivador e encheu-me de orgulho. Por outro lado, foi um pouco "amargo" pois não tinha o meu pai a meu lado para festejar esse triunfo. Mas ter triunfado nessas corridas em nome do meu pai deu-me um ânimo muito grande para o resto dessa temporada. 

NATURALES: Como também já disseste, desde que te tornaste cavaleiro praticante, foste sempre considerado o triunfador de temporada nessa categoria. Isso foi certamente motivador para ti?
LRJr.: Sim, e é um orgulho muito grande. Olhar para aqueles prémios que fui conquistando ao longo destes anos, isso dá-me muita força para continuar a trabalhar todos os dias, para aprender, melhorar e para evoluir cada vez mais.


NATURALES: E já pensaste que agora, ao te tornares profissional, o campeonato é outro, com muitos mais cavaleiros dessa categoria, dominado pelos consagrados e que terás praticamente que começar novamente a subir degrau a degrau para chegares ao topo?
LRJr.: Bem... agora é estar mesmo, e como a Patrícia disse, noutro campeonato! Vai ser como entrar na "Liga dos Campeões". O nível vai passar a ser muito mais exigente, se não mesmo de exigência máxima. Tem que se trabalhar muito em casa para em praça se conseguir triunfar e subir degrau a degrau, passo a passo, para que um dia consiga chegar a Figura do Toureio. Esse será o meu grande objectivo.

NATURALES: O que mais te assusta no Futuro em relação a esta profissão?
LRJr.: O que mais me poderia assustar era se eu não visse jovens nas nossas praças mas, felizmente, existem muitos e isso deixa-me muito feliz.

NATURALES: A par de tirares a alternativa este ano, 2017 é também especial pelo facto do teu pai cumprir esta temporada, três décadas como cavaleiro profissional. Como analisarias tu a carreira dele até aqui?
LRJr.: O meu pai tem uma carreira muito meritória, uma carreira de glória. É um guerreiro! Começou do nada e tornou-se num dos melhores cavaleiros de sempre. Contra tudo e contra todos, conseguiu vencer. É umas das nossas maiores Figuras do Toureio! Dá-me enorme orgulho ser filho de quem sou. Ele triunfa com todos os toiros, de todas as ganadarias, e não é à toa que é o cavaleiro com mais troféus. Eu cada vez que entro naquela sala de troféus, fico até arrepiado, faltam-me mesmo palavras para descrever o que sinto. Ele é único e só peço a Deus para um dia ser como ele. É sem dúvida, o meu ídolo.


NATURALES: Quando conversámos da outra vez, confidenciaste que o teu pai exigia muito de ti, não só em Praça como nos treinos. Mantém-se esse “mau feitio”?
LRJr.: Claro que se mantém e cada vez é mais exigente!! Mas só se pode ser assim... Para se conseguir ser alguém tem que haver exigência! E ele é muito duro para comigo mas faz parte da maneira de ser dele. A exigência é que faz os toureiros!

NATURALES: E o que mais admiras no teu pai?
LRJr.: Existem 1001 adjectivos para caracterizar o meu pai e para dizer o que mais admiro nele! Mas a única palavra que pode traduzir o que mais admiro no meu pai, é "tudo"! Como pessoa, como amigo, como toureiro, como pai.... É um grande ser humano e não poderia pedir um melhor pai para mim!

NATURALES: Outro elemento importante na tua carreira tem sido o teu apoderado Francisco Penedo, que tem procurado manter qualidade nos cartéis onde te tens apresentado, principalmente esta temporada. É o homem certo no lugar certo?
LRJr.: O Francisco juntamente com o meu pai, é das pessoas que mais me ajuda e um dos melhores amigos que tenho! Trata-me como se fosse um filho. Também é muito exigente comigo, dá-me muitos conselhos, ajuda-me sempre no que for preciso... Tem feito um grande trabalho na nossa carreira e é sem dúvida o homem certo no lugar certo! Não poderia pedir melhor amigo, nem melhor apoderado. Aproveito para lhe agradecer do fundo do coração tudo que tem feito por mim.


NATURALES: Falemos agora do panorama taurino em geral. Como é que um jovem como tu, às portas da alternativa, justifica que não haja um jovem a impor-se, e continuam a ser os cavaleiros consagrados, com 30 ou mais anos de alternativa, os que lideram e os únicos que muitas vezes convencem os aficionados?
LRJr.: Uma pergunta difícil... Na minha opinião, é porque as grandes figuras são esses toureiros com muitos anos de alternativa, e parece que quantos mais anos passam melhores eles estão! Temos jovens com imenso valor e que até triunfam, embora que depois com menos regularidade. E é isso que acaba por fazer a diferença e que se destaca, a grande regularidade dos cavaleiros consagrados e a sua experiência. Claro que todos os cavaleiros atravessam momentos bons e menos bons, e a quadra de cada um também é a base de tudo. Quando se têm cavalos que marcam a diferença, consegue-se triunfar e no nosso país temos dos melhores cavaleiros, tanto dos consagrados como de jovens, e com imenso valor.

NATURALES: Sentes que os nossos empresários dão as oportunidades devidas e merecidas aos jovens cavaleiros?
LRJr.:  Nem sempre. Existem certas empresas que têm esse lema de dar oportunidades a quem anda bem, a quem triunfa, a quem se arrima e só pode ser assim! Quem triunfa e quem arrisca merece oportunidades pois só assim consegue crescer. Agora, quando triunfas e não te dão corridas e até quando existem outras empresas que entram no "jogo" das trocas, isso prejudica principalmente os mais jovens! Todos merecem oportunidades, mas também há que ter sorte e saber aproveitá-las.

NATURALES: Temos cada vez mais os rejoneadores a marcarem presença na Temporada portuguesa. E tu nunca pensaste por exemplo participar também em festejos em Espanha?
LRJr.: Neste momento quero afirmar-me no nosso País mas a curto prazo quero ir tourear além fronteiras. Já tive a oportunidade de actuar em França e nos EUA e adorei! É um público fantástico e consegui triunfar em ambos os países. E eu tenho o objectivo de chegar o mais longe possível e ir às principais praças de todo o Mundo. Sei que vou conseguir!

NATURALES: Quem vai ser o Luís Rouxinol Jr. depois da noite de 20 de Julho?
LRJr.: O Luís Rouxinol Jr. depois da noite de 20 de Julho vai-se entregar mais ainda, vai dar tudo em todas as praças como sempre, seja onde for, e vai trabalhar muito para poder estar ao nível dos profissionais. Será o começo de um novo sonho, de novos objectivos, de novas metas. Agora é subir degrau a degrau, dando um passo de cada vez, para que consiga um dia chegar ao topo e chegar a Figura... Vou dar tudo de mim, todos os dias!!

NATURALES: Em 2014 combinámos entrevista para véspera da alternativa, e agora Luís, deixamos já combinada entrevista para quando?
LRJr.: Sempre que o NATURALES entender que seja merecedor de outra entrevista, com muito gosto cá estarei disponível para a dar!


✌ Sorte!


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Sobre NATURALES

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