Crónica de Lisboa: "Deus nos perdoe..."



Deus nos perdoe aqueles que como eu gostamos do toiro bravo, do toiro que transmite, da emoção em Praça mas acima de tudo, de verdade no toureio.

Poderá ser pedir demais ter tudo isso reunido numa corrida só, quiçá quase de probabilidades tão reduzidas quanto sair-nos o euromilhões mas na verdade, até esse é possível.

E tenho em crer que nem seremos assim tão poucos os que têm muito em conta a importância de uma corrida pela ganadaria apresentada. Em Lisboa nem as ‘figuras’ do cartel conquistaram a presença de muitos aficionados e desta vez nem se pode culpar o futebol... Pouco mais de ¼ de casa ou uma meia casa muito fraca, depende dos entendidos, preencheram as bancadas do Campo Pequeno. O que por um lado tem um aspecto positivo, assim foram poucos os que vieram de lá desiludidos com o resultado artístico do festejo...

Faltou trapio mas careceu acima de tudo de transmissão, o curro de Irmãos Moura Caetano, que “debutava” em Lisboa ao apresentar-se com o novo nome de ganadaria, já que a matéria essa é costumeira e bem conhecida de outras lides. Aliás, os animais ostentavam, e como se esperava dado que a “partilha” foi recente, o ferro da ganadaria Cortes Moura. Acusaram peso na balança, sendo animais de pouca cara, em tipo do encaste, que saíram mansos, variando na mobilidade mas bastante limitada, escassos de força, sem raça, por demais cómodos, perseguindo a passo cadenciado sem transmitirem emoção.

A história da corrida resume-me muito facilmente a quase nada mas teremos aqui que tirar o chapéu aos Amadores de Turkock, que se na temporada passada ganharam o prémio na corrida concurso de ganadarias do Campo Pequeno, este ano vieram novamente de longe para serem os triunfadores de uma arte...portuguesa!

Das lides equestres a história conta-se sobre um Rui Fernandes que não teve matéria para luzir no primeiro do seu lote. Manso de livro, reservado, com tendência nas tábuas, e que passou discreto no que foi o seu segundo, sendo que neste cavaleiro se sentiu intenção de lidar e mexer os toiros nos terrenos. João Moura Caetano andou com muita disposição e foi insistente em ambas as lides nos cites de largo, quer fosse para ferragem comprida ou para a curta, aguentando as investidas a trote dos 'murubes'. O rejoneador Leonardo Hernandez andou vulgar e pouco consistente frente ao primeiro, e no que encerrou corrida salvou a honra do convento com o par de bandarilhas que cravou e do agrado das bancadas. Tudo o resto, não passou de fogo de artifício.

Nas pegas os mansos foram ásperos e foi dura a noite para os Amadores de Alcochete, com pegas intentadas por Pedro Viegas à quarta a sesgo e com ajudas carregadas depois de intentos anteriores em que o manso foi violento; Diogo Timóteo à segunda; e o cabo Nuno Santana bem à primeira.

Pelos Amadores de Turlock, o cabo Jorge Martins efectivou à primeira com decisão uma pega rija; Steven Cambaio à barbela consumou ao primeiro intento uma grande pegas; e David Sanchez à segunda tentativa também numa pega valente.

Dirigiu acertadamente e com critério o director de corridas Tiago Tavares, assessorado pelo veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.

Para terminar uma sugestão, em Madrid, todos os anos no defeso, o grupo de abonados sugere à empresa uma lista de ganadarias a manter, a excluir e a apresentar em Las Ventas na temporada seguinte. Pensai nisso... e Deus nos perdoe se nos soube a muito pouco esta corrida mas também se não nos perdoar...castigados já fomos!



Por: Patrícia Sardinha
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