Crónica: Sobral voltou a ser Leal


Sobral de Monte Agraço foi leal um ano mais à realização do seu Festival Taurino a 25 de Abril e leal também nas oportunidades concedidas aos jovens mas principalmente ao toureio a pé.

Lealdade essa que foi sobejamente valorizada na justíssima homenagem prestada ao antigo matador de toiros Ricardo Chibanga e na entrega e arte da actuação do francês Juan Leal, repetindo-se assim como triunfador, depois de acto igual no ano passado.

Lidaram-se reses da ganadaria Calejo Pires, desiguais de apresentação e comportamento, tendo melhores condições os lidados em terceiro e quinto lugar.

Abriu praça o mais novo do cartaz, Luís Rouxinol Jr., que viu antecipada a actuação pelo facto do novilho de Telles Bastos ter saído desembolado. Motivado que vinha do triunfo gordo de S. Manços, Rouxinol Jr. foi exímio na colocação de três bons ferros compridos, mantendo ligação com a rês nos remates. Nos curtos, fiou-se nas qualidades do Douro para brilhar mas a actuação veio a menos. Depois de dois ferros de boa execução, rematados com o ladeio ajustado a que a montada se permite, o jovem de Pegões acabou por acusar alguma precipitação, sem medir bem as distâncias, frente a um oponente que não permitia deslizes, nem a brega a duas pistas, consentindo assim alguns toques nas montadas. A rês veio a fechar-se em tábuas, terminando Rouxinol Jr. a sua lide com um ferro a sesgo.

Manuel Telles Bastos sente-se moralizado esta temporada e isso notou-se no Sobral. Pela frente um manso reservado, que após dois bons compridos, lhe cortou caminho e ainda o apertou contra as tábuas. Nos curtos, cumpriu de forma regular com a ferragem, com abordagens rectas e o novilho por vezes a meter alta a cara nas reuniões, pecando depois o animal em não perseguir após o ferro e o cavaleiro em descurar os remates. 

Nas pegas estiveram em solitário os Amadores de Coruche. Abriu turno Miguel Lucas que consumou bem uma pega rija à terceira tentativa, depois de duas reuniões mal conseguidas. Vasco Gonzaga também não foi eficiente nos dois primeiros intentos, com reuniões defeituosas, vindo a consumar à terceira e com ajudas. 

Manuel Jesus “El Cid” evidenciou classe de capote frente a um novilho nobre, a quem o matador espanhol colocou suavidade nas tandas com que iniciou de flanela. Houve ligação, principalmente pela esquerda, sendo a rês cómoda e repetidora, valendo a El Cid uma faena larga e bem conseguida.

António João Ferreira não teve pela frente oponente capaz de se confiar, descompondo por vezes a cada passe. Ainda assim, o matador português evidenciou disposição, sendo de registo as boas maneiras de que é detentor, com algumas tandas de boa nota.

Juan Leal foi autor da faena mais completa e de maior transmissão da tarde. Para isso também contribuiu o bom novilho que teve pela frente, sempre fixo na muleta e a investir. O francês primou pela segurança do seu toureio, pelos pés sempre quietos e por um valor desmedido. Muitas vezes, cruzado e encostado que estava ao novilho, levava-o depois embebido na muleta, desviando-lhe a investida pelo caminho que impunha. Duas voltas lhe valeram, numa delas acompanhado pelo ganadero.

Manuel Dias Gomes andou com gosto frente ao inválido sexto. O jovem matador português esteve voluntarioso, deixando bons detalhes mas pouca ligação haveria a manter, com o novilho a protestar algumas vezes e noutras, a revelar investida curta, até porque não lhe era possível mais. 

Registou-se meia casa forte numa tarde ventosa e fria, iniciada com um minuto de silêncio em memória do matador de toiros Palomo Linares, recentemente falecido.






Por: Patrícia Sardinha
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