Crónica Festival em Vila Franca: "Palha Blanco encheu: foi pelos Forcados, por Adrián e por Vila Franca"


A 9 de Abril, horas depois de um menino espanhol de 8 anos ter sucumbido à doença, e cujo sonho e desejo era ser toureiro, tendo por isso sido bastante criticado por anti-taurinos, Vila Franca de Xira acordou vandalizada. 

Uma falta de respeito para com os Amadores locais, que nessa tarde festejavam os seus 85 anos de existência com a realização de um Festival Taurino. Uma falta de respeito para com o património (praça de toiros, estátua do forcado), mas principalmente uma falta de respeito para com a Liberdade dos aficionados.

Mas por mais que eles tentem, por mais que se contorçam todos em impropérios, vandalismos e outras patranhas, a força e a verdade da Festa abafa-os sempre.

Tudo se proporcionou para que à hora do festejo os sinais desse vandalismo fossem mínimos ou mesmo nulos e a melhor resposta, deu-se com uma Palha Blanco cheia! E porque as gentes da Festa são respeitadoras, Vila Franca prestou ainda um minuto de silêncio em memória de quem, apenas com 8 anos, tinha um sonho de ser toureiro, apenas isso…

Artisticamente resultou agradável o festejo onde a participação dos Amadores de Vila Franca proporcionaram momentos de saudosismo e emoção, com a participação de muitos forcados consagrados e alguns já retirados. 

Abriu praça o cabo Ricardo Castelo, secundado por elementos de várias gerações, que consumou uma grande pega à primeira, reunindo com decisão; seguiu-se Carlos Teles "Caló2, que sem problemas efectivou a pega ao segundo intento, depois de na primeira tentativa a rês ter ensarilhado ligeiramente; Bruno Casquinha muito bem à primeira que citou seguro, fechou-se à córnea, com o grupo coeso a efectivar; Ricardo Patusco à quarta e com ajudas carregadas, depois de anteriores intentos com reuniões defeituosas; e Diogo Pereira à primeira numa pega rija a aguentar a investida do gnovilho.

O sorteio ditou a António Telles um novilho avacado, pertencente à ganadaria de Casa da Avó, que foi reservado, distraído e frente ao qual o cavaleiro teve passagem cumpridora por Vila Franca mas sem romper. Luís Rouxinol protagonizou uma lide de muita ligação ao oponente, uma rês também de Casa da Avó, mais composta de apresentação, um pouco custoso de se fixar mas que foi colaborador o suficiente para permitir actuação destacada ao cavaleiro de Pegões. Ana Batista regressou às arenas após temporada curta no ano passado e fê-lo com raça e a mesma classe que lhe é conhecida frente ao terceiro novilho de Casa da Avó, sendo mais eficiente na brega e na colocação do novilho nos terrenos do que na ferragem; ao cavaleiro Paulo Jorge Santos tocou um novilho de António Silva, numa actuação desembaraçada mas inconstante, onde o par de bandarilhas com que encerrou função resultou de maior eficácia; o praticante António Prates teve pela frente um novilho de António Charrua, ao qual foi excessivo em velocidade, sem se parar mas denotando intenções e margem para crescer. 

A Vítor Mendes tocou um novilho de Falé Filipe, brusco, bronco, ao qual não perdeu muito tempo a querer vê-lo, abreviando função. Ficam-nos desta actuação, os dois grandes pares de bandarilhas deixados por João Ferreira.

O espanhol Curro Diaz teve o melhor Falé Filipe da tarde, animal nobre, que baixou a cara na flanela, sendo repetidor, e ao qual impingiu uma actuação de grande toureio, temple e muita arte. Momentos de toureio puro. Deu duas voltas.

João d’Alva prestou provas para novilheiro praticante e fê-lo com muita disposição frente a um novilho de Falé Filipe que no final das tandas punha alta a cara e rebrincava descompondo um pouco o toureio. Ainda assim, concedeu o director volta ao ganadero. De João, recordamos as boas maneiras que apresentou, a postura toureira que carrega, que aliadas a um bom conceito, proporcionaram aos presentes a certeza de que tem futuro e dos bons.

Uma tarde de Festa, de casa cheia e de bom toureio...

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