Artigo Opinião - 'Muito come o tolo, mas mais tolo é quem lhe dá...'


Tenho deixado passar em claro toda a magnitude de situações, sejam elas de cariz positivo ou não, que marcam mais um início de temporada. 

Presentemente, continuamos embebidos nos ciclos costumeiros que quando são rompidos são imediatamente copiados, porque ser diferente e aliciante tem muito trabalho metódico e racional, e a maior parte dos 'cérebros' que julgam coordenar este leme têm tanto de tolos como de formatados. Seja a formatação para amigos, para quem paga, para quem tem praças, ou bons patrocínios para fornecer... 
Mas este ano tem sido peculiar, tem dado um certo gozo (na verdadeira acepção da palavra), dada a panóplia de casos e movimentos alvos de análise crítica e muitas vezes destrutiva, ainda que sem que se dê conta, o que se está a destruir é a causa, e essa, devia ser defendida. 
A mesma conversa de sempre, 'quem destrói a festa são os de dentro', 'a festa acaba por culpa própria', a treta de sempre. Grave, muito grave, é quando são os agentes que podem mudar o desfecho e inverter o momento, que acabam por proferir ou subscrever as citações supracitadas, sendo que, na maioria das vezes nem têm que abrir a boca, basta mandar o cartel para a rua. 

Creio que Bullfest e ANGF mais recentemente, são os temas que mais brasa têm levantado... 
Cada um tem a sua opinião, expressa-a da forma e maneira que bem entende, disso ninguém tem dúvida. O problema está nos juízos de valor, no comprometimento de ações e atitudes. Não me pronuncio sobre nenhum, porque ambos terão pessoas conscientes e que participam activamente em campo, que podem e devem ser responsabilizadas e creditadas para fazer melhor. Mas... tem falhado tanta coisa, a hipocrisia tem reinado a um nível brutal, e nada se faz. Não particularizando em relação aos dois temas mencionados, mas avaliando a globalidade de ações do género que se fazem notar, tenho um prognóstico muito simples: ou se entra com tudo, se dá o que tem e não tem em prol da causa, se batalha com atitude, nem que tenha que haver mortos e feridos,ou nada vai mudar. Absolutamente nada. Os que mamam vão continuar a mamar, os que choram vão continuar a chorar, e mais que ninguém, no final de contas, e quando derem por isso, o tolo vai sair mais prejudicado que nunca, isto se ainda valer a pena contar com o tolo. 

O tolo aguenta muita coisa. O tolo aguenta praças importantes e com datas de prestígio a fechar; o tolo aguenta Praças e Feiras importantes a definhar de forma triste e decadente; o tolo aguenta ir ver seis hoje, no sábado e domingo, e que ainda repetem na televisão; o tolo aguenta, e perdoem-me a expressão, ter  de levar com o Padilla 20x... Mas o tolo não aguenta tudo, e por mais parvo e tolo que seja, um dia terá consciência de tudo. Será tarde quando isso acontecer? Mantenham os mesmos planos e jogadas... 


Alguns cartéis foram já anunciados, e surpresas, nenhumas. Porque quem inovou de início e ousou arriscar na partida já não surpreende, comprova. Porque quem aparece em novidade e vem por bem, é bem-vindo. 
Vários cartéis despertam interesse neste começo de temporada. O problema é que se a maioria não resulta, e para isso tanto factor há que agregar, na segunda metade da temporada o interesse vai ser nulo, mais ainda se resolverem todos optar pela mesma fórmula, a qual aplaudo se for em ocasiões esporádicas e estimule rivalidade e competição. Tanto mano-a-mano, Deus queira que não dê em maninhos. 
Da já apresentada temporada no Campo Pequeno, a primeira metade, está como Sevilha e Madrid: pede renovação do elenco de ganadarias a grito! 
Quanto aos cartéis apresentados, parece-me existir uma conjugação equilibrada e em maioria acertada para a primeira praça do País... Em minha opinião, falta interesse no campo da bravura. 

Duas alternativas se aguardam para este 2017, ambas seguem dinastia, ainda que uma tenha relativa importância. Espero que ambas não esbarrem no escalafón das eternas promessas, cujo ciclo de temporadas convida ao diagnóstico de bipolaridade. 
Sinceramente, não creio, e agora com a força que o toureio a pé e os toureiros emergentes estão a ter em Espanha e a sua incisão por cá (até ver), muito menos, que tão brevemente, teremos um toureio taquillero ou que desperte interesse comum a todos que paguem um bilhete.

Em suma, creio que o tolo tem o papo cheio demais, e enquanto o que é fornecido ao tolo não mudar, menos tempo durará até que ele se farte de ter o papo cheio do mesmo... E creio que o tolo não será ruminante! 

Pedro Guerreiro

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