1º Festival da Temporada em Mourão: "Triunfo da Festa"


Primeiro de Fevereiro, foi dia de se dar fim à “quaresma” taurina.

A vila alentejana de Mourão acolheu, como manda a tradição, o início da temporada em Portugal, com o seu Festival Taurino inserido nas Festas em Honra da Nossa Senhora das Candeias.  Um evento que, pelo segundo ano consecutivo, viu ser-se anunciado em dose dupla, por obra e empenho do seu organizador, o Dr. Joaquim Grave, que em vez de um, tem apresentado dois Festivais Taurinos inseridos nestas festividades.

E o primeiro desta mini-feira revelou-se este ano como um Festival dedicado aos mais jovens, aos que merecem incentivo, e em boa hora foi lembrado e montado este cartel, pois se não apostarmos no Futuro... 

Ameaçado pela meteorologia, marcado num dia de semana, até podia não ter resultado de sucesso esta tarde, mas resultou! Cheios os tendidos do sol, “com abertas” os da sombra, foram muitos os que se deslocaram à “Libânio Esquivel” e puderam presenciar que não só não choveu, como se viu o céu azul e acrescido a isso, resultou agradável o desempenho de todos os intervenientes na arena.

Lidaram-se reses de Calejo Pires, desiguais em apresentação, mais compostos os dois primeiros lidados a cavalo e ferrados com o algarismo 4. De comportamento, foram todos animais com condições para o toureio.

A cavalo, um trio de jovens ginetes, cada qual com antecedentes no que nesta arte diz respeito, e cada qual com as suas vontades e as suas limitações, fruto do início da época, das dimensões do ruedo e da verdura da experiência. Contudo, os três deixaram bom sabor de boca.

Francisco Núncio (filho) abriu turno frente ao sério e bem apresentado novilho de Calejo Pires. Começou por andar a apalpar terreno nos compridos, com alguns toques e uma valente queda após a montada ter escorregado no piso. Não desanimou e nos curtos, mesmo condicionado de um pé, acabou por deixar pormenores e registo de um bom conceito do toureio.

Francisco Correia Lopes foi protagonista de uma actuação asseada. Demonstrou bons modos frente a um novilho a quem foi necessário encurtar distâncias para o fixar na montada, a única que aliás usou em toda a sua lide. O cavaleiro cravou com acerto a ferragem da ordem e deixou intenções de em 2017 ser merecedor de mais oportunidades e maiores voos.

Apresentou-se neste festejo, o jovem António Ribeiro Telles, filho do cavaleiro homónimo. Acusou inicialmente a responsabilidade da estreia, para ganhar confiança durante os curtos. Mostrou boas noções dos terrenos, com um conceito no registo do seu pai, e entusiasmou com os dois bons ferros com que encerrou função, dignos de um cavaleiro de alternativa. Há-de estar o Mestre muito orgulhoso.

As pegas estiveram a cargo dos Amadores da Póvoa de S. Miguel. Fábio Madeira não foi feliz na sua intervenção. Primeiro, suportou a velocidade e dureza do novilho até ao grupo, levados contra as “tábuas”, mas a não consumarem. No segundo intento, foi defeituosa a reunião, que emendou, com o Grupo a ajudar e a dar-se por efectivada. Albino Matias também viu o seu novilho arrancar-se com pata ao cite e também ele a suportar a dureza do embate e da viagem, masconcretizado com sucesso, ainda que tardasse o Grupo a coadjuvar. Rúben Torrado fechou o registo das pegas, com uma efectivação ao primeiro intento e sem problemas.

Na parte apeada, Joaquim Ribeiro “Cuqui” sofreu aparatosa voltareta que felizmente, não o impediu de pegar na flanela. A rês manteve-o sempre “avisado”, e por entre a desconfiança, Cuqui deu ar de sua graça, armou-se de valor e deixou detalhes por ambas as mãos. Destacar as boas intervenções de Cláudio Miguel e Pedro Gonçalves no tércio de bandarilhas.

Diogo Peseiro iniciou de joelhos quer a função de capote quer de muleta. Pelo meio, entusiasmou com as bandarilhas, sendo melhores o primeiro e o terceiro par, este último pela espectacularidade do ‘violino’. Com a muleta toureou essencialmente com a mão direita, andando variado, disposto e com um conceito de muito adorno e desplantes. 

Da vizinha Vilanueva del Fresno, veio a frescura e a escola extremenha pelas mãos do novilheiro Manuel Perera. E que modos demonstra já este jovem toureiro, que teve pela frente um bom oponente de Calejo Pires, que não se cansou de investir. Vistoso de capote, ainda que meio atrapalhado, com a flanela o toureiro espanhol evidenciou uma boa muñeca direita, e nem as duas vezes que se deixou apanhar lhe tiraram o ânimo e a raça. 

Nada como iniciar a época taurina embargados na esperança e no futuro...e em tardes como esta, não triunfa ninguém, triunfa a Festa!


Por: Patrícia Sardinha

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Imagens de Florindo Piteira - em breve a reportagem fotográfica completa deste festejo



























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